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Curso de formação: Lídio Modesto apresenta principais sistemas do Judiciário a juízes substitutos

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Os principais sistemas do Poder Judiciário de Mato Grosso foram apresentados aos 25 novos juízes e juízas durante aula do Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi 2023) ministrada pelo juiz-auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-TJMT), Lídio Modesto da Silva Filho, na manhã de terça-feira (29), na Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT).
 
Durante as quatro horas de aula, o magistrado e equipe apresentaram os sistemas e suas funcionalidades, orientando onde os juízes novatos devem solicitar acesso, qual a forma de acesso, onde buscar capacitação e suporte. “Este curso é um convite para que os senhores se tornem não apenas proficientes, mas também apaixonados pelas possibilidades transformadoras que a tecnologia oferece ao Poder Judiciário. Através do domínio desses sistemas, os senhores estarão equipados para liderar uma nova era de eficiência e equidade na justiça”, disse Lídio Modesto.  
 
 
Antes de entrar em temas mais técnicos, o magistrado fez um breve resgate histórico da sua carreira no judiciário mato-grossense. Carreira que teve início em 1993, quando era servidor concurso e atendia a área da tecnologia da informação. Em 1999, quando foi aprovado no concurso da magistratura, seguiu para Guiratinga, distante cerca de 350 km ao sul de Cuiabá, sendo esta a sua primeira comarca. “É uma cidade espetacular, cidade que foi formada e criada por nordestinos, baianos”, comentou.
 
De lá, o magistrado seguiu para Alta Floresta, no extremo Norte de Mato Grosso. “É do ladinho do Pará, com costumes absolutamente diferentes. Uma cidade formada pelo garimpo e por sulistas e paranaenses”, observou. “E porque eu estou falando tudo isso, porque é fundamental que vocês conheçam a realidade do local que vocês vão atuar, as particularidades, que conheçam a aplicação da norma para aplicabilidade na prática”, comentou.
 
Após esse panorama de realidades tão distintas em uma única unidade federativa, o juiz-auxiliar lembrou que Mato Grosso tem uma economia pujante, mas que em razão das dimensões continentais, muitas vezes, certos trabalhos ficam impossibilitados de serem realizados em um curto espaço de tempo. “E a tecnologia veio para encurtar essas distâncias e dar celeridade nos procedimentos. Portanto, aprendam, tirem suas dúvidas, e saibam do poder que vocês têm em suas mãos a partir do acesso a todos esses bancos de dados e sistemas”, aconselhou.  
 
 
Segundo o magistrado, além da experiência pelo interior do estado, foi em razão da sua experiência na área da tecnologia que passaram a surgir convites para colaborar em projetos de alcance nacional. “Por ter conhecimento e gostar dessa área, estou sempre sendo cooptado para colaborar. Foi assim lá em 2011 quando o Processo Judicial eletrônico (PJe) nasceu e o Conselho Nacional de Justiça me convidou para fazer parte do projeto”, lembrou.  
 
 
Conteúdo – O Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário – Sisbajud foi um dos temas apresentados. É uma plataforma que interliga a Justiça ao Banco Central e as instituições financeiras. “A finalidade dele é reduzir os prazos de tramitação dos processos, aumentando a efetividade das decisões judiciais. Por meio dele é possível realizar ordens judiciais de bloqueio e desbloqueios de valores, bem como obter informações bancárias como saldos e endereços de pessoas físicas e jurídicas que estão no Sistema Financeiro Nacional. É muito intuito e tranquilo utilizar”, explicou a assessora do magistrado, Mariana Aleixes.  
 
 
Já a assessora jurídica Milena Bonfin lembrou da periodicidade da atualização de alguns sistemas. “É normal que os sistemas expirem o prazo de acesso, o da Anoreg, por exemplo, expira após 180 dias de uso. Isso é uma forma de proteção, pois são muitas informações que precisam permanecer em segurança”, disse.
 
O Sistema Atena, da Politec, também entrou em pauta. É um sistema web que oportuniza gerenciar requisições e laudos para as unidades periciais em Mato Grosso. “Ele permite consultas, em tempo real, de laudos periciais já concluídos. Somente magistrados autorizados podem ter acesso mediante solicitação, tamanha é a responsabilidade ao ter acesso a esses dados”, comentou o magistrado.
 
Conforme Lídio Modesto tudo o que foi mostrado é de relevância para o dia a dia do magistrado e de grande utilidade no andamento dos trabalhos. “Nós selecionamos o que há de mais importante para os senhores utilizarem. Há sistemas aqui que os senhores vão chegar na comarca e utilizar no mesmo dia”, finalizou.
 
 
Sobre o magistrado – Lídio Modesto é graduado em Direito pela Universidade de Cuiabá (1997). Mestre em Direito Agroambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Atualmente é juiz de Direito, no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso e está como juiz-auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça (CGJ-TJMT). É membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral – ABRADEP e doutor em Filosofia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. Ele é autor dos livros “Mecanismos Internacionais Não-Convencionais de Proteção ao Meio Ambiente e Propaganda Eleitoral.  
 
 
COFI – O Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi) é um preparatório para que os juízes recém-empossados no Poder Judiciário de Mato Grosso acerca das atividades que os aguardam no interior do Estado. O grupo irá reforçar o trabalho da primeira instância.  
 
 
As aulas são ofertadas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio Esmagis-MT e CGJ. Começaram dia 31 de julho e seguem até novembro de 2023, somando 540 horas/aulas. Sendo 40 horas do módulo nacional, realizado pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Efam), 204 horas/aula correspondente ao módulo local teórico, 236 horas/aula de prática supervisionada e ainda 24 horas/aula referente ao módulo eleitoral.  
 
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição das imagens: Foto 1 – O magistrado Lídio Modesto está em pé, na frente juízes, que estão sentados em uma sala de aula. Ele usa terno cinza. Foto 2 – Capa da apostila do Curso de Formação. Nela estão descritos todos os sistemas apresentados durante a aula.  
 
 
Gabriele Schimanoski  
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
 
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

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Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

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Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

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Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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