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Desembargador Sebastião Barbosa se despede da 1ª Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Privado

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O desembargador Sebastião Barbosa Farias presidiu sua última sessão da 1ª Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) na manhã desta quinta-feira (4), encerrando sua trajetória no Poder Judiciário de Mato Grosso após 39 anos de carreira. Na próxima segunda-feira (8), Dia da Justiça, ele completará 75 anos, tempo limite para o exercício da magistratura, e se aposentará.

Ao final da sessão de julgamento, que ocorreu de forma on-line, Farias recebeu as homenagens de todos os presentes.

O desembargador Sebastião de Arruda Almeida lembrou que Farias foi o primeiro juiz com quem teve contato no início da carreira, em 1992, de quem recebeu diversas orientações, pelas quais é grato. “Como eu brinco sempre, eu fui jovem também, era um jovem de 29 anos e não conhecia muita coisa da magistratura. E Vossa Excelência me deu todo apoio e orientação, tanto em relação ao aspecto profissional, quanto pessoal. Então posso dizer que a base da minha experiência profissional tem grande contribuição do senhor, com essa humildade, com essa simplicidade, com essa objetividade, com esse companheirismo”, agradeceu.

A desembargadora Marilsen Andrade Addario também agradeceu a Farias por todo companheirismo e ensinamentos. “Tenha certeza de que o senhor está deixando um legado de princípios básicos de como ser um magistrado, princípio de cooperação, de humanidade, de companheirismo, de fraternidade entre os colegas e muitos ensinamentos. Seus ensinamentos estarão sempre conosco e também toda simpatia com que sempre conduziu os trabalhos. O senhor sempre deixou, por onde passou, uma marca de tranquilidade de trabalho, de companheirismo com os servidores, nunca fez distinção entre um e outro. É uma amizade que ficará para sempre”, declarou.

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O juiz convocado Márcio Aparecido Guedes ressaltou que o desembargador Sebastião Barbosa Farias deixa a trajetória de um homem simples, humano e profundamente comprometido com a justiça. “Posso dizer, do fundo do coração, que foi uma honra partilhar com Vossa Excelência a bancada da Primeira Câmara de Direito Privado, onde aprendi muito com Vossa Excelência e pude testemunhar decisões técnicas, prudentes e revestidas de grande sensibilidade. Desejo a Vossa Excelência que essa nova etapa seja tão rica e luminosa quanto a sua carreira”, disse.

Também se despedindo da 1ª Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Privado, onde atuou em regime de substituição, a juíza convocada Tatiane Colombo registrou sua gratidão ao desembargador Sebastião Barbosa Farias. “Aprendi muito com sua alegria, com seu respeito ao ser humano e com seu carinho pelos pares. O senhor sempre foi muito educado, muito gentil, sempre demonstrando sua preocupação na sua humanidade e no seu caráter enquanto pessoa, mostrando como um magistrado deve ser com relação aos seus pares, com relação a tudo aquilo que envolve a magistratura. Conhecer o senhor, pra mim, é uma honra. As pessoas podem se aposentar do serviço, mas elas permanecem no Poder Judiciário porque a carreira de cada um constrói esse Poder Judiciário mato-grossense, do qual também tenho muito orgulho de participar e de conhecer pessoas tão queridas como o senhor”.

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Representando o Ministério Público Estadual (MPE), a procuradora de justiça Naume Denise Nunes Rocha Muller também homenageou o magistrado. “Eu quero trazer aqui tributo de reconhecimento ao trabalho honrado, digno, humano, técnico, científico e social de Vossa Excelência na prestação jurisdicional cotidiana. Desde os primeiros anos de magistratura até a data final, em que Vossa Excelência, honrado pelos anos de carreira impoluta, recebe a toga da qual um dia foi investido para, celebrando a Justiça, ter seus pares e o Ministério Público como testemunhas de uma carreira que honrou e dignificou a prestação jurisdicional”, afirmou.

A diretora da 1ª Turma de Câmaras Reunidas de Direito Privado, Rhandis Camila, se despediu do desembargador Sebastião Farias em nome de todos os servidores que atuam nos colegiados. “O desembargador está deixando um legado sensacional aqui no nosso Tribunal de Justiça. Agradeço por todos os ensinamentos que o senhor nos deixou, pela parceria, pela prontidão na entrega da prestação jurisdicional. O senhor foi magnífico. Parabéns pelo legado deixado a todos nós! Aprendemos muito. Que o senhor seja muito feliz”.

O desembargador Sebastião Barbosa Farias agradeceu a todos pela cordialidade e carinho. “Declaro que aprendi muito com todos vocês. Fico feliz com as palavras carinhosas e amáveis proferidas por todos. Aos servidores, o reconhecimento de seu incessante trabalho para que todas as sessões sejam realizadas a contento. Eu sinto-me honrado por todas as palavras proferidas”, agradeceu.

Autor: Celly Silva

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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