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Encontro de Justiça Restaurativa reúne nomes nacionais e internacionais da Justiça Restaurativa

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Um encontro de almas”, assim a presidente do Poder Judiciário de Mato Grosso, desembargadora Clarice Claudino da Silva, classificou o “I Encontro Nacional de Justiça Restaurativa e a Transformação da Cultura Institucional”, que será realizado nesta quarta e quinta-feira (18 e 19 de outubro), em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na sede o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em Cuiabá.
 
O evento reúne os principais nomes nacionais e internacionais, responsáveis pela disseminação da pacificação social por meio das praticas da Justiça Restaurativa. Entre eles, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e coordenador do Comitê Gestor da Justiça Restaurativa do CNJ, Luiz Philippe Vieira de Mello, e o professor de Sociologia da Eastern Mennonite University do Estado da Virgínia (EUA), Vernon Eugene Jantzi.
 
Como uma auspiciosa conspiração do universo, a apresentação do Coral ‘Canto & Encanto’, da Escola Municipal de Educação Básica “Salvelina Ferreira da Silva”, do município de Várzea Grande emocionou a todos com a interpretação das musicas “É preciso saber viver” da banda Titãs, “Queremos a paz” do Coral da Legião da Vontade (LBV), “Nunca deixe de sonhar” do grupo Rouge, e “Quem planta amor, colhe a paz” de autoria do professor Odenil Seba.
 
O coral faz parte da Oficina de Musica do Programa ‘Escola em Tempo Ampliado’, criado com o objetivo de promover aprendizado, e estimular entre as crianças valores como autoestima e respeito. O grupo é formado por 32 alunos do 3º ao 5º ano, dirigido pelas professoras Rosinete Célia Peixoto e Ednéia Auxiliadora Santos Alves, e sob a regência do professor e maestro Uilson Braz.
 
A presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Clarice Claudino deu boas-vindas aos participantes e enfatizou o trabalho desenvolvido pela Justiça Restaurativa, que tem o poder de envolver e modificar a todos que dela se aproxima, estimulando reflexões sobre o papel de cada na sociedade.
 
“Cada um que está aqui hoje, veio a convite, não para assistir um evento voltado para o intelecto. Aqui hoje, o que se propõe é um encontro de almas, é um encontro proposto para tocar e fazer multiplicar nossas potências invisíveis, que são aquelas que não perecem com o passar do tempo e com a nossa experiência terrena no corpo físico. E é com essa certeza de que hoje estamos aqui nesse encontro de almas, todas conectadas por fios invisíveis chamados sentimentos e necessidades, e é isso que move o ser humano e diferencia nossas ações, que na maioria das vezes, se não forem nesse nível, elas não passaram de reações, ainda muito conectadas com a nossa animalidade. E hoje nós temos a oportunidade de vivenciar esse oásis, em um mundo onde a maioria ainda não está amadurecida o suficiente para ter olhos de ver, e ouvidos de ouvir as necessidades verdadeiras uns dos outros”, refletiu a desembargadora.
 
Com foco na construção de ambientes de trabalho cada vez mais harmoniosos, de empatia e respeito, a desembargadora Clarice Claudino chamou atenção para a necessidade de retirarmos as lentes da critica e despertarmos para valores inigualáveis como amorosidade e aceitação.  
 
“Desembargadora Clarice, nós não nos encontramos, nós nos reencontramos neste plano”, assim, o conselheiro e coordenador do Comitê Gestor da Justiça Restaurativa do CNJ, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello, iniciou sua fala em referência direta ao trabalho de uma vida inteira, dedicado pela presidente do Poder Judiciário de Mato Grosso, desembargadora Clarice Claudino à pacificação social.
 
“É sempre uma alegria retornar a Mato Grosso, especialmente em razão da direção feita pela desembargadora Clarice que tem feito um trabalho extraordinário com a Justiça Restaurativa. A desembargadora não é uma pessoa que se incorpora à cultura da Justiça Restaurativa agora, após o incentivo do CNJ. A JR já é praticada por ela há muitos anos, e por isso, seu trabalho foi uma referencia para nós realizarmos esse evento aqui em Mato Grosso.
 
O conselheiro destacou o trabalho do Conselho Nacional de Justiça para a expansão da Justiça Restaurativa. “Nos últimos anos, o CNJ tem trabalhado fortemente para construção de um sistema que fosse eficiente para a sociedade brasileira, que trouxesse uma possibilidade, em que a punição não fosse o único instrumento da justiça, mas uma justiça acolhedora, preocupada em corrigir os desvios antes que eles se tornem problemas muito mais sérios. Quanto mais incentivamos as prisões, mais alimentamos as facções. Mas para vermos as violências estruturais é preciso trocar as lentes, é preciso trabalhar a cultura que envolve as pessoas, olhar para as violências, e identificar, sobretudo, outras formas de olhar os conflitos. Sabendo de antemão, que só temos uma resposta para dar fim ao conflito, ela [resposta] nunca revelará suas potencialidades. Existe uma riqueza a ser descoberta nas relações profissionais. E simplesmente não há como conhecer o potencial da Justiça Restaurativa, sem ser tocado por ela”.
 
Luiz Philippe de Mello também mencionou com entusiasmo, os projetos de combate à evasão escolar e pacificação “Busca Ativa – Retorno Pacificado à Escola”, desenvolvido pela juíza Cristhiane Baggio em Tangará da Serra, e “Eu e você na Construção da Paz”, desenvolvido pela juíza Maria Lúcia Prati, em Campo Verde.
 
“A expertise de Mato Grosso na aplicação da Justiça Restaurativa no sistema educacional já vem de longa data, com destaque para o trabalho extraordinário das juízas Maria Lucia Prati e Cristhiane Baggio, que se dedicam em tempo integral às práticas de pacificação. Inclusive mencionei o trabalho das magistradas, em reunião nesta semana, no Ministério da Educação, como modelos que devem ser replicados para outros estados, para que se tornem instrumentos nacionais para uso em todo o Brasil”, ratificou o conselheiro do CNJ.
 
A vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Maria Erotides Kneip, exaltou a amorosidade e o afinco dedicados pela desembargadora Clarice Claudino para a efetivação da paz social.
 
“Construtores da Paz! É desta forma que quero me referir a todos aqui presente. Faz 10 meses que diuturnamente recebo aulas de construção de paz e de amorosidade da minha presidente, desembargadora Clarice. Em todos os dias ela me ensina amorosidade. Nós magistrados não fomos preparados para construir a paz, nós fomos preparados para a efetividade da Justiça. E essa gestão, da qual tenho a honra de fazer parte, tem me ensinado, que muito mais do que uma justiça efetiva, nós precisamos construir paz e fazer a paz em cada gesto. Que diferença extraordinária os círculos de paz fazem nos ambientes, seja no combate ao assedio, seja na harmonia das relações, ou seja na pacificação do ambiente escolar”, frisou Maria Erotides, que recitou o poema ‘Soneto de Fidelidade’, de Vinicius de Moraes, dedicado à desembargadora Clarice Claudino.
 
O juiz auxiliar da presidência do Tribunal de Justiça e coordenador do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), Túlio Duailibi, citou o projeto ‘Servidores da Paz’, como um modelo exitoso de pacificação no ambiente de trabalho e abraçado de forma voluntária pelos servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso. O juiz também fez referencia a importância do trabalho de base desenvolvido pelos servidores dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs), assim como os servidores dos diversos setores envolvidos na realização do encontro.
 
“O Poder Judiciário de Mato Grosso decidiu abraçar uma causa. Uma causa que a desembargadora Clarice, desde que assumiu a gestão lançou o desafio de executar a politica dos servidores da paz. Obrigado aos nossos servidores por acreditar que a transformação das pessoas é possível. Se não forem os nossos servidores, os gestores dos Cejuscs, nossos juízes e demais atores do sistema, o nosso trabalho não teria sucesso. A todos que estão conosco, nosso muito obrigado!”, concluiu o juiz Túlio Duailibi.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: A partir da esquerda, o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, Luiz Philippe Vieira de Mello, a desembargadora Clarice Claudino da Silva e o secretário de Estado de Educação, Alan Porto. Segunda imagem: Coral ‘Canto & Encanto’, da Escola Municipal de Educação Básica “Salvelina Ferreira da Silva”. Terceira imagem: Presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Clarice Claudino da Silva. Quarta imagem: Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, Luiz Philippe Vieira de Mello. Quinta imagem: Vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Maria Erotides Kneip.
 

Naiara Martins/Fotos: Ednilson Aguiar 
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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