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Fórum de Cuiabá traz mostra fotográfica de vítimas de feminicídio

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Doze retratos de mulheres que tiveram as vidas ceifadas só pelo fato de serem mulheres integram a 1º Mostra Fotográfica de Vítimas de Feminicídio, que, a partir de quarta-feira (25 de setembro), ocupa o hall do Fórum de Cuiabá até 10 de outubro. Com o tema ‘Feminicídio: um crime contra a equidade’, a exposição visa sensibilizar a sociedade sobre as consequências desse crime hediondo, que está prestes a ganhar um artigo próprio no Código Penal. O projeto de Lei 4266, que aumenta a pena de até 30 para até 40 anos aos feminicidas, está para a sanção presidencial.  
 
A iniciativa de trazer a Mostra para Capital é da Prefeitura de Cuiabá, que por meio da Secretaria Municipal da Mulher, e agora a exposição chega ao Poder Judiciário de Mato Grosso. Toda estrutura foi montada em um local estratégico do Fórum de Cuiabá. As fotos das 12 vítimas estão dispostas no hall que dá acesso ao Tribunal do Júri. 
 
“O que vemos aqui é algo simbólico! Estamos em frente ao Tribunal do Júri, onde são julgados os casos de feminicídios e é justamente por esse motivo que escolhemos o local, para os agressores saberem que o crime não ficará impune!”, asseverou Hanae Yamamura de Oliveira, juíza titular da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, da Comarca de Cuiabá. 
 
Conformo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública deste ano, Mato Grosso é o 11º Estado com mais ocorrência de feminicídio. Os rostos de 11 dessas vítimas fazem parte da exposição, completada com um painel do caso da ex-modelo Eliza Samudio. A opção de trazer casos locais partiu da iniciativa da primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro. 
 
“A exposição já percorreu outras duas capitais do Brasil e retrata casos emblemáticos do país. Ao trazer a Mostra para Cuiabá, fiz questão de retratar as mulheres vítimas daqui, porque representam Cuiabá e a perda dessas vidas impacta a nossa sociedade”, explicou Pinheiro.
 
Uma dessas vítimas é filha de Antônia Maria de Aguiar, servidora do TJMT há 29 anos, que atua na  2ª Vara Esp. Violência Doméstica e Familiar Contra Mulher, Comarca de Cuiabá. Ao longo da carreira no Judiciário, Antônia trabalhou para garantir medidas protetivas a milhares de mulheres vítimas de violência doméstica.
 
 “Dou andamento aos processos de medida protetiva. Todos os dias chega um monte de pedidos, eram dez, vinte e até 40 por dia. Cada caso mais trágico que o outro, mas nunca imaginei que isso poderia acontecer comigo, com a minha família. Por isso, quero falar para todos que prestem atenção no comportamento das pessoas, para que esses agressores sejam identificados a tempo. Ele pode estar em casa, ser um parente. Por isso não podemos nunca abaixar a guarda”, desabafou a mãe de Silbene Duroure de Aguiar, morta pelo marido aos 40 anos. 
 
O autor do crime que vitimou a filha da servidora é Gilson Castelan de Souza. O nome dele, assim como todos os outros 11 feminicidas, está exposto na mostra. “É para que todos saibam que não ficará impune”, asseverou a juíza da 1ª Vara Esp. de Violência Dom. e Fam. contra Mulher de Cuiabá, Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa.
 
A magistrada lembrou que, logo, a lei ficará mais dura para aqueles que cometerem feminicídio. “Em breve, se for sancionado o projeto de lei de feminicídio como crime autônomo, a pena máxima passará a ser até 40 anos. Então, para lembrar que terá uma punição. E quando uma mulher morre, não é só aquela mulher que ele mata, é como se estivesse ferindo todas nós. Quem sofre mais é a família, são os filhos que ficam. Muitas vezes ficam sem pai, porque ou era mãe solo, ou quem tirou a vida de sua mãe é o próprio pai biológico. Então, aquela família fica destruída e o nome daquele cidadão está aí, que não fica barato tirar a vida de uma pessoa”, concluiu.
 
1º Mostra Fotográfica Vítimas de Feminicídio –  Em Cuiabá, a exposição já passou pela Fecomércio e Goiabeiras Shopping, e na Praça Alencastro. Nesta semana, estará à disposição do público no Fórum de Cuiabá até 10 de outubro.
 
A Mostra começou em São Paulo pelo Instituto da Virada Feminina e, além de sensibilizar, a ação também visa alertar a população sobre os impactos do feminicídio na sociedade.
 
“O Poder Judiciário, a Defensoria Pública, o Ministério Público, todas as instituições que lutam contra feminicídio. E nós, da Secretaria da Mulher de Cuiabá, agradecemos por toda essa sensibilização e pelo trabalho realizado aqui no estado de Mato Grosso, principalmente em Cuiabá”, agradeceu a secretária da Mulher de Cuiabá, Cely Almeida. 
 
Também participaram do dispositivo de abertura da mostra a diretora do Fórum de Cuiabá, Edleuza Zorgetti Monteiro da Silva; os juízes da 2ª Vara Esp. de Violência Dom. e Fam. contra Mulher (Cuiabá), Marcos Terencio Agostinho Pires e Tatyana Lopes de Araújo Borges, a juíza da 3ª Vara Cível (Cuiabá) Ana Paula da Veiga Carlota Miranda; e a defensora pública do Estado, Rosana Leite.
 
#Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 1: foto panorâmica mostra o hall do Fórum de Cuiabá, onde estão os 12 painéis com fotos das vítimas do feminicídio. Imagem 2: Juíza Hanae, uma mulher de peles claras, cabelos pretos, que veste um macacão azul-claro. Ela concede entrevista à TV Justiça. Imagem 3: em destaque, mostra a mãe de uma das vítimas. Ela está à frente do painel que mostra a imagem da filha. Imagem 4: mostra o público visitando a exposição.
 
Priscilla Silva 
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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