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História de superação mostra como o PopRuaJud promove dignidade e inclusão social

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Dos 38 anos vividos por Iscainelly Lucio Miranda da Silva, oito deles foram em situação de rua. Entre os inúmeros desafios enfrentados nesse período, o furto do carregador da tornozeleira eletrônica foi mais um obstáculo a superar. O caso foi registrado na polícia e, no Mutirão PopRuaJud 2025, realizado em Cuiabá na semana passada (quinta-feira, 18), a mulher trans participou de audiência promovida pelo Poder Judiciário, onde conseguiu a retirada do equipamento.

“Se não há luta, não há vitória. Meu sentimento foi de muita alegria e gratidão, porque a gente sabe que, sem a ajuda do Poder Judiciário e da Defensoria, é difícil conquistar os benefícios. Uma pessoa me disse que levaria uns sete meses para conseguir a retirada, mas aqui vi que realmente a Justiça funciona”, comemorou.

Além da retirada do monitoramento eletrônico, Iscainelly também sonhava com a retificação do nome de nascimento em seus documentos — um direito que se concretizou no mutirão.

“Ter o nome social no meu RG significa muito para mim, ainda mais porque agora tenho a liberdade de expressar quem realmente sou. Posso chegar em qualquer lugar, apresentar meu RG com gratidão e satisfação, e dizer: eu sou Iscainelly Lucio Miranda da Silva”, celebrou emocionada.

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O Mutirão PopRuaJud e Ação de Cidadania 2025 é promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgãos estaduais, federais, municipais e a sociedade civil. O objetivo é promover cidadania e inclusão social para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade.

Para o juiz Marcos Faleiros, coordenador-adjunto do Comitê Multinível, Multissetorial e Interinstitucional para Atenção às Pessoas em Situação de Rua (CMMIRua-PJMT), o mutirão é um espaço para ouvir de perto as demandas dessa população.

“No dia do mutirão, eles têm acesso a todo tipo de atendimento: de corte de cabelo a assessoria jurídica, além de roupas, chinelos, alimentação. Praticamente todos os serviços estatais ficam disponíveis para eles”, destacou o magistrado.

Já o juiz Geraldo Fidelis, coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), lembra que pessoas em situação de rua enfrentam dificuldades até mesmo para carregar os equipamentos de monitoramento eletrônico.

“Muitas vezes, essas pessoas já cumpriram pena, estão em regime semiaberto, usam tornozeleira, mas não têm onde carregar o equipamento. Precisamos acolhê-las, verificar suas condições, apoiar sua saúde e criar oportunidades para que deixem essa realidade. A procura por atendimento no PopRuaJud mostra como esses serviços são necessários”, afirmou.

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Mais de 50 serviços foram ofertados aos participantes, mostrando que Justiça é acolhimento e oportunidade. Foram ofertados atendimentos jurídicos, emissão de documentos, consultas médicas e odontológicas, vacinação, corte de cabelo, banho solidário, distribuição de roupas e kits de higiene, tudo em um só lugar.

Autor: Vitória Maria

Fotografo: Lucas Figueiredo

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Judiciário de Mato Grosso inicia programação da III Semana Nacional dos Juizados Especiais

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O Poder Judiciário de Mato Grosso iniciou nesta segunda-feira (15) a programação da III Semana Nacional dos Juizados Especiais. Preparadas por meio do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (DAJE), vinculado à Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ-TJMT), as atividades incluem capacitação, reconhecimento de boas práticas e discussões sobre o presente e futuro dos Juizados Especiais.

Colocando em pauta o tema “Fortalecer os Juizados Especiais é fortalecer a Justiça”, a mobilização nacional coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça e operacionalizada pelos tribunais segue até a próxima sexta-feira (19). Em Mato Grosso, a abertura da programação foi realizada no Complexo dos Juizados Especiais Desembargador José Silvério Gomes, em Cuiabá.

Em sua fala aos mais de setecentos participantes, entre presenciais e virtuais, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira fez questão de agradecer todos os integrantes do sistema de juizados pela dedicação e amor empenhados diariamente. Segundo ele, esse é um sistema que potencializa o atendimento das demandas reprimidas.

“Demandas reprimidas exigem prontidão, comprometimento e celeridade. Vivemos um tempo em que não se admite mais um juiz dentro de uma redoma. Deve haver participação na sociedade, para que nós possamos fortalecer todo o nosso sistema judiciário. Por isso, externo aos integrantes dos Juizados Especiais a minha gratidão e alegria de participar deste momento”, disse Zuquim.

Pioneirismo

O corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote enfatizou a importância dos Juizados Especiais para a sociedade e para o Judiciário. Nesse contexto, apontou que Mato Grosso sempre foi pioneiro, sendo um dos primeiros no país a implantar esse modelo e se destacando desde que o sistema ainda era chamado de “Juizado de Pequenas Causas”.

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“Essa é a porta de entrada do cidadão no Judiciário. É onde se julga a maioria das ações sem custos e de pequenos valores. É um modelo que garante acesso a todos os cidadãos, principalmente os mais carentes, resolvendo problemas que, às vezes, são pequenos para o Judiciário, mas de valor inestimável para as pessoas que recebem a prestação do serviço”, comentou.

Para o presidente do Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais de Mato Grosso, desembargador Sebastião de Arruda Almeida, a Semana Nacional permite um momento de reflexão sobre o passado e o futuro. “O valor que os Juizados Especiais alcançaram é graças ao trabalho de pioneirismo, resistência e por vontade que esse sistema tivesse a dimensão que hoje tem”, lembrou o desembargador.

O desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, um dos entusiastas dos Juizados Especiais, reforçou a importância desse trabalho. “Continuem acreditando nos Juizados Especiais, pois muitas pessoas precisam dessa prestação jurisdicional. E, muitas vezes, não é só ação, é uma comunicação, é uma conversa com essas pessoas que a gente resolve o caso dela”, afirmou.

Programação

A programação contou com palestras ministradas por juízes e juízas que atuam nos Juizados Especiais de Mato Grosso. Também foram apresentados projetos como o Programa de Acolhimento e Formação Inicial dos Estagiários, a Exposição Permanente dos Juizados Especiais, o Espaço Colaborativo dos Juízes Leigos e o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania dos Juizados Especiais do Estado de Mato Grosso (Cejusc dos Juizados Especiais Estadual).

Além disso, foi inaugurada a exposição, que se tornará permanente, “Juizados Especiais de Cuiabá”, que conta com arquivos físicos, equipamentos, togas e outros materiais que contam a história dos Juizados Especiais de Mato Grosso. Também fez parte das atividades desta segunda-feira o lançamento do livro “Uma Justiça, Muitos Brasis”, que tem como coautora a juíza Patrícia Ceni, do Juizado Especial do Torcedor de Cuiabá.

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“O CNJ fez com que nacionalmente fosse realizada, nesta semana, a III Semana Nacional dos Juizados Especiais. É um evento que nos traz grandes reflexões e várias atividades estão sendo implementadas. Temos treinamentos com conciliadores, melhoria nos espaços dos juízes leigos, reuniões e divulgação dos nossos trabalhos”, relatou a dirigente do Complexo dos Juizados Especiais, juíza Valdeci Moraes Siqueira.

Registro de presenças

Participaram da solenidade de abertura o presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), desembargador Mário Roberto Kono, a desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, o coordenador do Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais, juiz Érico de Almeida Duarte, a presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM), Jaqueline Cherulli, juízes auxiliares da Presidência do TJMT, juízes auxiliares da Corregedoria-Geral da Justiça e a defensora pública-geral do Estado de Mato Grosso, Maria Luziane Ribeiro de Castro.

Também fizeram pronunciamentos de forma virtual o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e a conselheira Andréa Cunha Esmeraldo, coordenadora do Comitê Nacional dos Juizados Especiais (Conaje/CNJ).

Autor: Bruno Vicente

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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