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Judiciário inspeciona ações de Educação nas unidades prisionais de Cuiabá e Várzea Grande

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“Investir no sistema penitenciário é investir na segurança pública. A partir do momento em que você qualifica e dá oportunidade, as pessoas podem mudar de vida e contribuir com a sociedade quando saírem daqui”. Essa é a avaliação do juiz coordenador do Eixo Educação do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Penitenciário e Socioeducativo (GMF-MT), Bruno D’Oliveira Marques, que, na segunda e na terça-feira (18 e 19 de setembro) inspecionou os serviços educacionais oferecidos nas unidades prisionais de Cuiabá e Várzea Grande.
 
Foram inspecionadas as instalações do Centro de Ressocialização de Várzea Grande (CRVG), do Centro de Ressocialização Industrial “Ahmenon Lemos Dantas”, da Penitenciária Feminina “Ana Maria do Couto May” e da Penitenciária Central do Estado (PCE). Em todas elas, são oferecidas aulas presenciais do ensino fundamental e médio, na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), inclusive no período noturno, para contemplar aqueles que trabalham durante o dia. Também são contempladas com o projeto “Muxirum da Alfabetização”, voltado à erradicação do analfabetismo. Até o momento das inspeções, mais de mil recuperandos estavam matriculados em algum desses níveis de ensino, o que representa cerca de 25% dos internos nessas unidades.
 
Na Penitenciária feminina e nos dois centros de ressocialização de Várzea Grande, 45 pessoas estão cursando graduação ou pós-graduação na modalidade EaD (Ensino à distância). As unidades ainda buscam parcerias para oferecer aos privados de liberdade cursos profissionalizantes e algumas unidades contam com biblioteca ou sala de leitura. Tudo com o objetivo de oportunizar que a pessoa encontre um novo caminho para recomeçar a vida, quando ganhar a liberdade. Além disso, o estudo, assim como o trabalho, conta para remição de pena.
 
Durante as inspeções, o juiz coordenador do Eixo Educação foi acompanhado da equipe do Núcleo de Apoio ao GMF, bem como de servidores do Núcleo de Educação Prisional da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (SAAP), vinculada à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Em todas as unidades visitadas, eles conversaram com os diretores, com as pedagogas responsáveis e até mesmo com algumas professoras e alunos. Um questionário também foi aplicado para verificar as condições físicas das salas de aula, se há oferta de estudo em todos os níveis e modalidades, se há biblioteca, entre outros quesitos.
 
“Nós verificamos que o Estado de Mato Grosso avançou neste aspecto, mas, sem dúvida, sempre é possível avançar ainda mais”, afirma o juiz Bruno D’Oliveira. Ele destaca ainda a importância de agir em conjunto para alcançar as melhorias necessárias. “Nós entendemos que esse diálogo interinstitucional, essa atuação conjunta, cada Poder atuando dentro de suas atribuições constitucionais, tem como consequência a melhoria deste serviço público ofertado dentro do sistema penitenciário, o que tem contribuído, sem dúvida, com o acesso à educação, com a ressocialização”, diz o juiz Bruno. Ele complementa ainda que, com essas informações em mãos, o supervisor do GMF-MT, desembargador Orlando Perri, se articula com as autoridades para atender às demandas levantadas.
 
A avaliação do magistrado está alinhada com a avaliação da superintendente de Políticas Penitenciárias da SAAP/SESP, Gleidiane Assis. “A gente tem avançado muito e pretendemos a cada dia mais buscar essa reinserção social porque a Secretaria entende que para realmente cumprir o papel social, eles precisam ter qualificação porque a informação que eles adquirem aqui é o que vai levar lá fora a eles estar arrumando um emprego, para eles dar continuidade no curso, ter qualificação, mudar de vida”.
 
Diretores das unidades aprovam inspeção – É unânime, entre os diretores das unidades prisionais inspecionadas, a aprovação desse acompanhamento rotineiro que é feito pelo GMF-MT. “É importante essa avaliação do GMF aqui com a gente, essa parceria que vem nos trazendo pontos importantes, verificando onde podemos estar melhorando, vendo o que já temos, a troca de experiência é de extrema importância”, afirma Jaquelina Santi, diretora da Penitenciária Feminina “Ana Maria do Couto May”.
 
Para o diretor do CRVG, Rayson Dias, a inspeção é de fundamental importância. “Com as visitas, eles conhecem a realidade da unidade, verificam in loco quais são as necessidades, quais são as demandas que a gente tem e nos auxiliam na busca de melhorias”.
 
Conforme Adão Dias Júnior, diretor do CR Industrial “Ahmenon Lemos Dantas”, a inspeção abre a possibilidade de a unidade receber mais recursos para aperfeiçoar os serviços. “Ajuda porque com essa fiscalização eles olham o espaço, as condições das salas de aulas e, assim, podem trazer indicações através de emenda ou recursos do governo para melhorar as salas de aula”.
 
“Pra gente é muito importante ter essa parceria com o Judiciário porque ele nos propõe ideias, propõe parcerias, propõe recursos. Então, quando a gente tem alguma dificuldade eles vêm, eles nos abraçam e nisso a gente consegue ter um bom andamento para que a gente consiga progredir com o nosso projeto, que na verdade tudo aqui se resume à reinserção do preso, à melhoria do privado de liberdade”, afirma o diretor da PCE, Arnold Pacheco.
 
Educação Prisional – A alfabetização e a educação básica das pessoas privadas de liberdade são feitas pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), em parceria com a SAAP. O serviço é ofertado em todos os municípios que contam com unidade prisional. A matrícula de cada reeducando (a) é feita em uma escola estadual regular, que tem salas anexas dentro do sistema prisional. Os professores são servidores da Seduc, que também disponibiliza material didático e uniforme escolar para os estudantes.
 
A líder do Núcleo de Educação Prisional da Seduc, Raquel Dias, explica que além da Educação, a responsabilidade aumenta com o objetivo da ressocialização, que precisa ser alcançado. Segundo ela, não há diferença de conteúdo entre as escolas dentro e fora do sistema prisional. “É o mesmo conteúdo porque a educação dentro do sistema penitenciário é Educação de Jovens e Adultos (EJA). Todas as legislações que regem a Educação de Jovens e Adultos em uma escola regular fora do sistema é a mesma do sistema. A diferença é a forma como esse conteúdo é trabalhado dentro das unidades, como o professor vai se comportar, a orientação diária e frequente com os professores, a responsabilidade desse professor com o lançamento porque a gente sabe que vai ter uma remição de pena para esse estudante”, explica.
 
Pedagoga, Raquel Dias destaca ainda o poder que a educação tem de transformar uma vida, abrindo um leque de oportunidades. “Hoje nós temos alunos que passaram pela escola no sistema penitenciário que têm curso superior, alunos escritores. Então, nós acreditamos no ser humano. Quando a gente entra, no sistema, numa sala de aula, nós estamos vendo pessoas. Aqui está o homem, o crime ficou lá fora. A partir do momento em que ele está em sala de aula, pra nós ele é estudante! E nós acreditamos sim na mudança porque o ser humano pode mudar. E, às vezes, ele só precisa de uma oportunidade. E isso a Secretaria tem oportunizado a esses estudantes”, defende.
 
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#Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Juiz Bruno D’Oliveira acompanhado da diretora da penitenciária feminina e servidores da Sesp e da Seduc conversam dentro de uma sala de aula da unidade. A sala de aula tem paredes brancas e azuis, ventiladores de parede, porta azul com janelinha, mesas e cadeiras. Foto 2: Policial penal da PCE mostra para o juiz Bruno D’Oliveira o caderno de um aluno que está sendo alfabetizado. Eles estão de perfil, mas é possível ver que o semblante dela é de alegria e o do juiz está atento olhando para a caligrafia. Em volta, há outros servidores públicos do GMF-MT, da Seduc e da Sesp. Eles estão em uma sala de aula da penitenciária. Foto 3: Juiz Bruno conversa com uma professora dentro da sala de aula do CRVG. Há uma servidora do GMF preenchendo o questionário e, três alunos na sala de aula. Os alunos estão separados das demais pessoas por uma grade. Foto 4: Juiz Bruno D’Oliveira, equipe do GMF-MT, servidores da Seduc, da Sesp, diretor e pedagoga do CR Industrial posam para foto, sorrindo, um ao lado do outro, na recepção da unidade.
 
Celly Silva/Fotos: Eduardo Guimarães
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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42º Gemam reforça atualização da magistratura diante de desafios sociais complexos

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Homem com cabelos grisalhos e barba, fala direcionando o olhar para baixo e para a esquerda. Ele usa paletó azul e camisa social cinza. Um microfone da A evolução constante da sociedade e o surgimento de novos desafios exigem do Poder Judiciário uma resposta igualmente dinâmica e qualificada. Com esse enfoque, o desembargador Márcio Vidal, diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), abriu o 42º Encontro do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) ao destacar que a busca por conhecimento é contínua e essencial para enfrentar problemas sociais que acompanham o avanço do tempo.

A afirmação de Vidal sintetiza o espírito do encontro realizado na última sexta-feira (19 de junho), no Tribunal do Júri de Rondonópolis, que reuniu magistrados(as) em uma programação técnica voltada à discussão de temas atuais e sensíveis à prestação jurisdicional.

Na abertura do encontro, o desembargador ressaltou que o Judiciário precisa acompanhar as transformações sociais, que evoluem junto com o avanço tecnológico, mas também trazem novos problemas.

Ao comentar a temática da palestra inicial, intitulada “Juventude em risco: O desafio das drogas no portão da escola e a proteção da vida por meio da internação compulsória para todos”, Vidal chamou atenção para a complexidade da questão das drogas entre jovens, classificando-a como um tema bastante sensível para toda a sociedade. Segundo o desembargador, o papel do Judiciário é justamente se manter atento e buscar constantemente novos modelos de atuação.

Homem de cabelos escuros e curtos, vestindo paletó azul e camisa branca, concede entrevista olhando para o lado esquerdo. Um microfone preto aparece em primeiro plano e o fundo está desfocado.Representando a Corregedoria-Geral da Justiça, o juiz auxiliar Jorge Alexandre Martins Ferreira reforçou o apoio institucional ao evento e destacou o impacto da atualização contínua na qualidade das decisões. “É muito importante que o juiz se qualifique vendo coisas novas”, afirmou, ao comentar a relevância da palestra com o psiquiatra convidado, Diego de Souza Vacari.

Ferreira acrescentou que o contato com dados atuais permite compreender melhor a realidade social, citando como exemplo a evolução do potencial das drogas ao longo das décadas. “São fatos que a gente vê no dia a dia e que mostram que precisamos estar sempre reaprendendo”, completou.

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Construção coletiva fortalece a magistratura

Mulher de cabelos longos e escuros fala ao microfone. Ela veste blazer off-white e brincos de argola. Ao fundo, um painel verde exibe a imagem da estátua da Justiça com a balança.A proposta do Gemam como espaço de construção coletiva foi enfatizada pela coordenadora do grupo, juíza Alethea Assunção Santos. Segundo ela, o diferencial está na produção acadêmica conduzida pelos próprios magistrados(as). “A construção é feita pelos próprios juízes e, a partir das discussões, são elaborados enunciados orientativos para a prestação jurisdicional. Isso é muito importante porque enriquece o nosso trabalho, enriquece a prestação jurisdicional e serve como capacitação profissional e também pessoal para os magistrados de Mato Grosso”, explicou.

Ela destacou ainda que os temas debatidos refletem diretamente os desafios enfrentados nas unidades judiciais. “São dificuldades que encontramos no dia a dia da prestação jurisdicional e, a partir desses debates, conseguimos levar mais segurança para as decisões”, pontuou, ressaltando que o resultado é um serviço mais qualificado à população.

Mulher de cabelos escuros e batom vermelho sorri ao conceder entrevista. Ela veste blusa verde-escura sem mangas. Um microfone da A realização do encontro em Rondonópolis foi celebrada pela juíza diretora do Foro, Aline Bissoni, que destacou a importância institucional do evento. “É uma honra receber o Gemam, um grupo que realmente traz temas muito relevantes para o nosso desenvolvimento”, afirmou. Para ela, a abordagem interdisciplinar amplia a visão dos magistrados sobre questões complexas.

Atuando na área criminal, a magistrada destacou o impacto prático do conteúdo apresentado. “Ouvir o psiquiatra falar de forma técnica sobre os malefícios das drogas e como elas se tornaram mais nocivas faz toda a diferença para que possamos julgar melhor”, disse.

Homem de óculos fala ao microfone, gesticulando com a mão esquerda. Ele veste terno escuro, camisa clara e gravata amarela listrada. Ao fundo, uma parede verde e um banner com a deusa da justiça.No campo interdisciplinar, o psiquiatra Diego Vacari, responsável pela palestra de abertura, enfatizou a importância do diálogo entre diferentes áreas. Ele destacou como positiva a aproximação da magistratura com o tema. “A magistratura está cada vez mais interessada nessa situação, e isso é fundamental para desmitificar e aproximar saúde mental e justiça”, afirmou.

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Vacari alertou ainda para o aumento do consumo de drogas entre crianças e adolescentes, fenômeno que, segundo ele, ocorre em escala global. “Os jovens estão usando drogas cada vez mais cedo, muitas vezes dentro da escola ou nas proximidades”, disse. Para o especialista, o enfrentamento do problema depende de atuação conjunta. “Se não houver união entre saúde, justiça, segurança pública e educação, não vamos conseguir diminuir esses índices”.

Mulher de cabelos longos e ondulados fala ao microfone, com a mão direita fechada. Veste camisa estampada verde e branca e saia escura. Ao fundo, parede verde e pontas de mastros de bandeiras.Outro destaque foi o painel sobre litigância abusiva, no qual a juíza Cristiane Padim da Silva apresentou proposta para aprimorar o monitoramento de demandas predatórias. “A ideia é registrar a Recomendação 159 do CNJ nas decisões em que houver abuso do direito de ação, para que possamos traçar estratégias mais eficientes”, explicou. Segundo ela, a medida busca garantir que o sistema de justiça seja mais acessível a quem realmente precisa. A magistrada também ressaltou a importância do encontro como espaço de troca. “A gente sai daqui cheio de ideias, de motivação, com mais preparo para a atuação diária”, afirmou.

Além das discussões sobre saúde mental, drogas e litigância abusiva, o 42º Gemam contou ainda com painéis voltados a outros temas relevantes para a atuação jurisdicional. Foram abordados o controle judicial do orçamento público e a aplicação de emendas parlamentares frente à discricionariedade e abuso de poder, o tratamento ambulatorial e as medidas de segurança aplicáveis a réus com doença mental, bem como o conceito e as implicações da chamada “purga da mancha probatória”.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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