Tribunal de Justiça de MT

Judiciário promove campanha de resgate da autoestima das pacientes em tratamento de câncer

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) está promovendo uma campanha de doação de cabelos, lenços, perucas e adereços para as mulheres atendidas pelo Hospital do Câncer de Cuiabá (HCan). Postos de arrecadação foram instalados na recepção central do Tribunal, no acesso ao Departamento de Saúde e Restaurante dos Servidores, e nas recepções dos Fóruns de Cuiabá e Várzea Grande. A intenção é aproveitar o grande fluxo de pessoas nesses locais para que público interno e externo participem.
 
A arrecadação integra uma série de ações que serão desenvolvidas pelo judiciário no âmbito da campanha Outubro Rosa, mês de combate e prevenção ao câncer de mama e de colo de útero. O objetivo é divulgar informações e sensibilizar sobre a importância da prevenção, diagnóstico precoce e rastreamento da doença.
 
As atividades estão sendo coordenadas pelo Departamento de Saúde do TJ. “O departamento tem uma preocupação com a qualidade de vida das pessoas e, nessa toada, não podemos deixar de realizar uma ação voltada para a autoestima das pacientes em tratamento de câncer. Um dos estigmas que elas enfrentam é a perda de cabelo. Isso nos sensibilizou e motivou a lançar novamente a campanha de arrecadação de lenços, perucas e adornos de cabelo”, explicou a enfermeira Glenda Balbinoti.
 
A queda dos cabelos é uma das consequências do tratamento de câncer. Esse é um processo que acaba abalando a autoestima das pacientes, que já estão fragilizadas pelo enfrentamento da doença. O cabelo é um elemento muito importante da identidade visual, variando de acordo com a personalidade de cada pessoa.
 
Campanhas como a do Poder Judiciário visam resgatar a autoestima dessas mulheres, permitindo que se reconheçam além da doença. O uso das perucas também ajuda a manter a privacidade das pessoas que não se sentem confortáveis em compartilhar o momento que estão vivendo. Tudo isso pode refletir positivamente no processo de tratamento e cura.
 
A supervisora de voluntários do HCan, Cleusa Silva, afirmou que a entidade conta com a soma de esforços de outras instituições para fomentar a campanha Outubro Rosa. “É uma campanha voltada para a conscientização das pessoas para a importância do fazer pelo outro”, disse.
 
Em tratamento há quatro meses, Keite Oliveira se emocionou quando recebeu uma peruca viabilizada por meio de doação. “Me perguntaram ‘posso colocar uma peruca em você?’ E eu falei, deve!”, lembra. A assistente administrativa se emocionou quando percebeu a semelhança com seu cabelo natural e agradeceu pela oportunidade de se reconectar com a sua autoimagem.
 
A campanha de arrecadação do Tribunal de Justiça durará todo o mês de outubro.
 
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Adellisses Magalhães
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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