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Juíza prestigia comemoração de 150 anos do Cartório do 2º Ofício de Cáceres

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A juíza Joseane Carla Ribeiro Viana Quinto Antunes, titular da 2ª Vara Cível e diretora do foro de Cáceres (225 km a oeste de Cuiabá), participou da comemoração dos 150 anos do Cartório do 2º Ofício de Cáceres, na última segunda-feira (24 de junho), juntamente com o tabelião titular da serventia, Juliano Alves Machado, o servidor Celso Victoriano, colaboradores e usuários da unidade.
 
Na ocasião, foi inaugurada uma exposição permanente de obras de artistas mato-grossenses no “Espaço Cultural Dr. José Humberto Machado”. O local também expõe um grande painel que conta a história da serventia e traz registros históricos, alguns deles lavrados à época do Brasil Império.
 
“A comemoração dos 150 anos do Cartório do 2º Ofício de Cáceres é significativa por marcar um século e meio de serviços essenciais à comunidade, documentando a história local através de registros vitais. A história do cartório se confunde com a do Poder Judiciário, já que ambos foram instituídos na mesma época. A celebração destaca a dedicação contínua do serviço público delegado e promove a valorização cultural com a inauguração do Espaço Cultural Dr. José Humberto Machado. Além disso, homenageia os pioneiros e releva à população a importância desses serviços na segurança jurídica e formalização de atos civis, fortalecendo a conexão entre o cartório e a comunidade. Parabéns ao cartorário Juliano Alves e sua equipe pela excelente iniciativa”, declarou a juíza Joseane Antunes.
 
Para o tabelião Juliano Machado, comemorar 150 anos de história do cartório é uma honra. “O Judiciário, ao se fazer presente no evento, representado pela pessoa da doutora Joseane Carla Ribeiro Viana Quinto e dos servidores Lucely, Odanil, Ronaldo e Luciano, bem como o servidor do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Celso Victoriano, foi aventada a criação de uma exposição de parte de nosso acervo em conjunto ao acervo do fórum. Curiosamente o cartório foi criado no mesmo ano em que se instituiu também o Tribunal de Justiça de Mato Grosso que comemora seus 150 anos neste ano. A intenção ao celebrar esse momento foi apresentar ao povo cacerense e mato-grossense uma pequena amostra da riqueza da própria história gravada nos livros dos quais atualmente sou guardião, mas que pertence ao povo, pois perpassa da obscuridade da escravidão à luz da tecnologia”, disse.
 
História – O Cartório do 2º Ofício de Cáceres foi instituído no ano de 1874, em função da elevação da Vila-Maria do Paraguai à categoria de cidade, passando a denominar-se São Luiz de Cáceres, motivo pelo qual a cidade passou a contar com o Tabelionato de Notas e Registro Civil. Coincidentemente, naquela mesma época também foi instalado, em Cuiabá, o Tribunal da Relação da Província de Mato Grosso que, posteriormente, passou a chamar-se Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.
 
Há 150 anos, o Cartório promove diversos registros e lavraturas que contam a história da população cacerense, bem como das cidades e distritos circunvizinhos. Dentre os atos de cidadania, destacam-se os registros de nascimentos (com aproximadamente 170 mil atos registrais); os casamentos (com aproximadamente 22 mil registros); e os óbitos (com aproximadamente 35 mil registros).
 
Os registros antigos também contam parte da evolução da sociedade, por meio de lavraturas de compra e venda de escravos, cartas de alforrias, transações de pessoas por mercadorias e animais, dentre outros.
 
De acordo com o tabelião, Juliano Machado, o primeiro registro data de 12 de junho de 1882, no livro nº 4, destinado a registros de algumas audiências civis, criminais, comerciais e de órfãos e ausentes. Isso porque, segundo ele, naquela época, o cartório era judicial e tabelionato de notas. “Depois encontramos diversos autos judiciais arquivados desde 1894 até 1974. Coincide com o término dessa vinculação judicial, com a Lei 6.015/73, a lei de Registros Públicos”, explica.
O tabelião ressalta ainda que “até onde se sabe, o cartório é o terceiro criado no Estado de Mato Grosso, ficando atrás apenas de Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital deste Estado e para Cuiabá, atual capital”. O cartório conta com um acervo riquíssimo datado da época do Império de D. Pedro II, antes mesmo da sanção da Lei Áurea aos dias atuais. “Esse acervo é pouco manuseado devido ao seu valor histórico e pelo cuidado com sua conservação, por ser extremamente sensível devido à ação do tempo. Ao expormos um vislumbre do abundante arquivo observamos a emoção, a empolgação e a curiosidade da sociedade em conhecer um pouco mais dessa história”, afirma Juliano Machado. 
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Foto da juíza Joseane Carla Ribeiro, ladeada por uma colaboradora e pelo tabelião. Ela é uma mulher de pele clara, cabelos lisos, longos e escuros, usando vestido bege com detalhes marrons. Atrás deles, há um grande painel que conta a historia do cartório de Cáceres. Foto 2: Foto do painel comemorativo dos 150 anos do cartório do 2º Ofício de Cáceres. É um painel grande, em tom sépia com um texto que conta a história da unidade, algumas fotos e cópias de processos antigos.  
 
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
Com informações da Anoreg-MT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Juizados Especiais debatem atuação em grandes eventos e impactos da inteligência artificial

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Experiências que transformaram Mato Grosso em referência nacional no atendimento de grandes eventos no Juizado Especial e reflexões sobre os impactos da inteligência artificial na prestação jurisdicional dos Juizados Especiais foram temas debatidos nesta segunda-feira (15), na III Semana Nacional dos Juizados Especiais, realizado no Complexo dos Juizados Especiais Desembargador José Silvério Gomes, em Cuiabá. As palestras integram a semana de mobilização nacional promovida entre os dias 15 e 19 de junho, em todo o país.
A juíza do 7º Juizado Especial Cível, Patricia Ceni dos Santos, falou sobre o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos e como a unidade ao longo dos anos acompanhou a evolução da legislação esportiva brasileira. Ela contou que a unidade surgiu a partir da Recomendação nº 45/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), voltada à preparação dos estados para a Copa do Mundo, passou pelas mudanças trazidas pela revogação do Estatuto do Torcedor e pela criação da Nova Lei Geral do Esporte, em 2023, e chegou ao reconhecimento nacional ao ser referência para a Recomendação nº 662/2025 do CNJ.
“O diferencial do nosso Estado é que quando acabou a Copa do Mundo, o Governo se movimentou para que a Arena Pantanal não ficasse parada e passamos a receber inúmeros jogos de equipes importantes e grandes eventos. Havia uma demanda reprimida e o Juizado permaneceu ativo, enquanto outros Estados desativaram o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos”, contou.
Mulher de cabelos longos e escuros, vestindo blusa preta com detalhes em branco, gesticula com a mão esquerda enquanto fala ao microfone em um evento.A continuidade das atividades permitiu que o Juizado se aperfeiçoasse e acompanhasse as mudanças promovidas pela legislação. Um dos pontos destacados pela magistrada foi à Nova Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), que passou a responsabilizar as torcidas organizadas. “Antes as torcida cobriam os rostos e os crimes ficavam sem identificação, agora com a nova legislação quando o membro que cometeu a infração não é identificado à torcida passa a ser punida”, disse a magistrada.
Patrícia Ceni também destacou que os casos de Direito do Consumidor estão entre as ocorrências mais comuns em grandes eventos. “Por exemplo, se a pessoa compra uma entrada no camarote e não tem acesso ao local, ou se promete determinados serviços e eles não são cumpridos, realizamos no local uma audiência de conciliação com o representante do organizador para resolver a situação. Nesse casos temos 100% de acordos atingidos”, pontua.
Outro exemplo apresentado foi a Sala Lilás, espaço criado em 2025, a partir do show do Guns N’ Roses na capital. Uma ação conjunta do Poder Judiciário e do Governo do Estado de Mato Grosso que oferece atendimento humanizado a mulheres, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade durante grandes eventos. “Um espaço de acolhimento, um ambiente humanizado, seguro e sigiloso. Se essa vitima precisar de uma medida protetiva posso deferir ali mesmo no local. E depois o processo é encaminhado à vara de violência doméstica”, detalhou.
Para a magistrada, o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos garante uma resposta rápida e efetiva, com análise célere dos fatos, concessão de medidas de urgência quando necessárias e garantia de proteção a vítima no próprio evento. “Asseguramos dignidade, segurança e efetividade da tutela jurisdicional”, finalizou Ceni.
Em seguida o painel “Entre Algoritmos e Humanidade: o Futuro dos Juizados Especiais” reuniu para um bate papo o juiz titular do 4º Juizado Especial Cível de Cuiabá, Antonio Horácio da Silva Neto e o presidente da Comissão de Inteligência Artificial da OAB-MT, Daniel Roque Sagin.
Ao abrir a discussão, o magistrado observou que a sociedade atravessa uma nova transformação histórica. “Passamos pela revolução agrícola, pela revolução industrial e hoje estamos vivendo uma revolução algorítmica. A própria pergunta sobre o que é justiça passa a exigir novas reflexões”, afirmou.
Daniel Sagin destacou que a inteligência artificial alterou a forma de trabalhar dos operadores do Direito e chamou atenção para o que ele chama de vieses algorítmicos.
“As IA’s são treinadas a partir de informações produzidas por seres humanos. O juiz tem um viés, o advogado tem um viés e as ferramentas também têm, porque foram treinadas por humanos. Se dermos um prompt com dados de quando as mulheres não tinham direitos ou não existiam leis trabalhistas, a resposta da ferramenta será diferente quando fizermos uma pergunta relacionada a qualquer questão trabalhista”, observou.
O advogado ressaltou que a inteligência artificial já produz ganhos significativos de eficiência para advogados e magistrados. Segundo ele, as ferramentas permitem reduzir o tempo gasto com tarefas repetitivas e ampliar a dedicação às estratégias jurídicas e ao atendimento dos clientes.
“Antes, grande parte do tempo era consumida em pesquisa de legislação, jurisprudência e análise de processos. Hoje a inteligência artificial pode auxiliar nessas atividades e permitir que o profissional dedique mais tempo à estratégia e à solução dos problemas apresentados pelo cliente”, detalhou.
Para o juiz Antonio Horácio, a tecnologia deve servir como instrumento de apoio, mas jamais substituir a análise humana dos conflitos. “A jurisdição não nasce de números. Ela nasce de uma necessidade, de uma dor. E as máquinas não estão preparadas para vivenciar isso”, afirmou.
O magistrado destacou que ao mesmo tempo em que se busca celeridade, a Justiça não pode perder de vista a finalidade para a qual foi criada. “Não podemos transformar o jurisdicionado em um simples número. A tecnologia que auxilia o juiz é bem-vinda, mas jamais poderá substituir a consciência decisória e a humanização que fazem parte da atividade jurisdicional”, destacou.
Apesar dos benefícios, ambos defenderam a necessidade de capacitação permanente. Daniel Sagin afirmou que compreender conceitos relacionados à inteligência artificial será indispensável para os profissionais do Direito nos próximos anos. “Mais de 50 mil ferramentas de inteligência artificial estão disponíveis atualmente. Quem não dedicar tempo para compreender como elas funcionam corre o risco de ficar para trás”, alertou o advogado.
Ao encerrar o painel, o juiz Antonio Horácio reforçou que o futuro dos Juizados Especiais passa pelo equilíbrio entre inovação tecnológica e valores humanos.
“Podemos ter uma Justiça fria, automatizada e estatística, ou uma Justiça tecnologicamente eficiente, mas profundamente humana. Os algoritmos podem auxiliar, mas jamais substituir a consciência do magistrado. A verdadeira inteligência da Justiça continuará sendo humana”, concluiu.

Autor: Larissa Klein

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Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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