Tribunal de Justiça de MT

Juízes, servidores e parceiros aprendem a promover ensino para adulto de forma eficaz

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Terminou nesta sexta-feira (28 de julho) o primeiro módulo do curso Ferramentas e Práticas para a Formação Docente, oferecido pela Escola da Magistratura de Mato Grosso  com o objetivo de capacitar professores a promover a ensinagem de adultos de forma mais dinâmica e eficaz, utilizando metodologias ativas. O curso foi realizado durante toda a semana, das 8h às 12h, na sede da Esmagis-MT.
 
Essa foi a primeira parte do curso, que ainda terá outros dois módulos a serem desenvolvidos no mês de agosto e setembro. Participam da ação magistrados e servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, bem como professores das escolas parceiras.
 
Essa turma é formada por professores que buscam o aprimoramento por meio de técnicas e métodos avançados de ensino, explica diretora-geral da Esmagis-MT, desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos. “A vantagem do curso é justamente poder oferecer uma forma de diferente da de ensino tradicional, não só para os nossos magistrados, mas também para os nossos parceiros com metodologias ativas. Esse curso foi pensado para os nossos professores, ele seria uma complementação à Formação de Formadores (Fofo), focado na andragogia, que é o estudo da educação de adultos.”
 
A desembargadora Helena também registra que muitos dos magistrados inscritos já fizeram o Fofo há muito tempo, então passam por reciclagem. “Nós temos aqui na Esmagis-MT o capacitador da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados especialista neste curso e juiz no Estado Jeverson Quintieri. Então, porque não aproveitá-lo? Essa é uma formação diferenciada na abordagem do ensino, tendo em vista que nossos professores falam com ‘alunos’ altamente capacitados. Por isso, é necessário conhecimento em métodos diferenciados para que possam fazer com que o aluno adulto esteja sempre interessado no conteúdo e também que aprenda o que é ensinado.”
 
Por fim, ressalta que houve procura enorme por parte dos parceiros, principalmente Polícia Judicial Civil, Militar e Bombeiros.
 
Segundo o juiz-professor Jeverson Quintieri, durante o curso são trabalhadas questões pedagógicas, como por exemplo, deixar de utilizar aquela metodologia tradicional e migrar para uma mais moderna e consistente com a realidade do aluno que já detém conhecimento. “Trabalhar com alunos adultos é bem diferente de trabalhar com crianças ou adolescentes. Um dos princípios da andragogia é que o professor parta do conhecimento que esse aluno tem, não desprezando esse conhecimento, extraindo informações primeiro e, a partir dessa compreensão, construa um novo saber.”
 
Um dos alunos é o juiz Marcos Faleiros. Ele aponta que “a ação pedagógica promove aos alunos inscritos o aprimoramento, especialmente com relação ao planejamento das aulas e interação com os alunos, notadamente formados, que é o público da Escola Superior da Magistratura.” Já a servidora Graziela Maia Cunha, lotada na Escola dos Servidores do Poder Judiciário e que também é professora de formação, afirma que para que o docente tenha bom domínio de sala é necessária constante atualização e o curso traz uma outra perspectiva por conta do nicho para o qual ele é voltado.”
 
Representando a diretoria da Escola da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, a tenente Cláudia Souza, ressalta que é “muito bom participar do evento e aproveitar a oportunidade de aprender sobre assunto tão específico e importante. Esse curso é muito bom para a nossa área e eventualmente não temos condições de construir um curso dessa magnitude via Polícia Militar.” Também o delegado da Polícia Civil Fausto José Freitas da Silva afirma que “as técnicas apresentadas na semana permitem melhorar as metodologias na área de docência tanto na questão da administração das aulas, como também pautar professores e cursos que são realizados para os servidores da PJC.” Ele ressalta que tem conhecimento que o curso é oferecido prioritariamente para magistrado e que é muito bom poder dividir desse conhecimento.”
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Fotografia colorida retratando o momento em que a diretora-geral da Esmagis fala aos participantes. Ela está em pé, segura o microfe com uma mão, com a outra segura uma folha de papel. Os participantes estão sentados e olharam para a diretora-geral da Esmagis.
 
Keila Maressa
Assessoria de Comunicação
Escola da Magistratura
 
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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