Tribunal de Justiça de MT

Lucas do Rio Verde: Juizado Itinerante conclui atendimentos nesta quinta e sexta

Publicado em

Nesta quinta-feira (17 de novembro), o ônibus do Juizado Especial e Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (JEI/Cejusc Itinerante), do Poder Judiciário de Mato Grosso, estaciona no bairro Cerrado, em Lucas do Rio Verde (a 354 km ao norte de Cuiabá) e na sexta-feira (18), no Jardim Primavera. Os dois atendimentos, sempre das 8h às 11h e das 14h às 17h, encerram as atividades no município.
 
Desde o dia 07 de novembro, as equipes do Poder Judiciário estão em Lucas do Rio Verde ofertando atendimentos referentes ao Direito do Consumidor, orientações sociais, avaliação de negativação de nome junto a órgãos de proteção ao crédito, ingresso de ações por danos morais, dentre outros.
 
Mediações consensuais também fazem parte do trabalho do projeto itinerante, tais como como divórcios consensuais, ações de pensão e alimentos e conflitos de vizinhos.
 
Durante o mês de novembro, o Jei/Cejusc Itinerante já atendeu os moradores da comunidade São Cristóvão, Itambiquara e Groslândia. Ainda passaram pelos bairros Tessele Júnior e Industrial.
 
O Juizado Itinerante é coordenado pelo juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira e trabalha no atendimento à população que vive em localidades com dificuldades de acesso aos serviços da Justiça.
 
JEI – O JEI é um programa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e tem o objetivo aproximar a Justiça Estadual da população menos favorecida. Os atendimentos são realizados no interior de um ônibus equipado com computadores, impressoras, mesas, cadeiras e ar condicionado, além de equipe formada por juiz, conciliadores, assessores e assistentes, tal qual um gabinete comum.
 
Cejusc Itinerante – Mato Grosso possui 42 unidades Cejuscs instaladas no Estado, considerando 32 Cejuscs, um específico para a área ambiental, um para infância e juventude e duas Centrais de Conciliação, uma de Primeiro e outra de Segundo Grau, instaladas em Cuiabá.
 
Os Cejuscs são disciplinados pelo Nupemec, presidido pela desembargadora Clarice Claudino da Silva e coordenado pela juíza Cristiane Padim da Silva e tem a missão de promover a cultura do não-litígio, do diálogo entre as partes para que elas cheguem a um consenso e assim conquistem a pacificação social.
 
A autorização para o Nupemec instalar a unidade itinerante foi dada pelo Conselho da Magistratura, por meio do Provimento 12/2019-CM, publicado no Diário da Justiça Eletrônico (DJe) do dia 14 de agosto.
 
Alcione dos Anjos
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

Leia Também:  Consumidora recupera carro apreendido após TJMT apontar cláusula abusiva em contrato

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Mulheres de Sinop com medida protetiva podem falar e ser ouvidas no projeto ‘Renascendo em Círculos’

Published

on

“Todas precisam ser ouvidas. Às vezes, a mulher não tem quem ouve e até quem mora dentro da casa dela não ouve ela. É tão ruim você falar com a pessoa e a pessoa fingir que está te ouvindo e você continuar falando como se estivesse falando com uma cadeira. É horrível! Mas eu continuo falando. E é isso que elas querem: ser ouvidas. E aqui a gente encontra pessoas que passaram pela mesma coisa ou até pior e elas têm o prazer de estar te ouvindo”.

Essas são palavras de J.S.A., 29, após participar pela primeira vez de um Círculo de Construção de Paz, na última sexta-feira (31), no Fórum de Sinop (500Km de Cuiabá), onde mulheres com medida protetiva são atendidas pelo projeto “Renascendo em Círculos”, uma iniciativa do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) daquela comarca, que integra as ações da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher de Sinop.

O município aparece na quarta colocação no estado em número de medidas protetivas concedidas. Somente de janeiro a maio deste ano, foram 431 decisões judiciais autorizando essa proteção às mulheres.

Após participar do Círculo de Construção de Paz, J.S.A. conta que saiu com mais esperança para seguir em frente. Depois de passar por tantas situações na vida, ela chegou a pensar que estava sozinha. “Mas sempre chegam pessoas que te mostram outro ponto de vista, que você pode pensar de modo diferente agora. Doeu, mas a gente pode ser feliz, pode pensar diferente, ser diferente. Tudo pode ser diferente. Basta você querer”, afirma.

Ela relata que possui medida protetiva em relação a dois ex-companheiros e que a última agressão que sofreu do ex-marido se deu em meio a uma discussão pelo sabor da pizza. Depois disso, ele pegou a filha do casal, arrumou as roupas dela numa bolsa e sumiu. “Ele não agiu com sabedoria. Ele não pensou. Simplesmente agiu no impulso”.

Segundo J.S.A., ao participar do Círculo de Construção de Paz no Fórum de Sinop, o que mais a impactou foi o relato de outra mulher que se comparou a um “vaso quebrado”. “Todas que estavam aqui estavam se sentindo como um vaso quebrado. Psicologicamente, com a mente destruída, não pelo que a gente fez com a gente mesmo, mas por pessoas com a mente sem criatividade, pessoas frias, que não têm amor a si próprio e querem destruir o seu próximo, relacionamentos, família, amigos…”.

Leia Também:  Fernanda Souza prestigia Lucas Lima com a namorada: “Fiquei tão orgulhosa de você!”

A outra participante do círculo que se comparou ao “vaso quebrado” é M.J.M., que também estava pela primeira vez no projeto Renascendo em Círculos. Ela foi vítima de agressão por parte do próprio filho, após defender a nora, que era o alvo inicial da violência. Apesar disso, o que a levou a se comparar ao vaso quebrado foi uma experiência anterior.

“Eu era um vaso bonito, a princípio, no casamento, mas com o passar do tempo, esse vaso pra ele foi ficando feio, foi virando desprezo, até que um dia o vaso se quebrou. Esse vaso ficou quebrado por muito tempo, mas eu resolvi construir aquele vaso quebrado de novo, que sou eu. E nessa parte conjugal, eu consegui reconstruir a minha vida. O único problema agora é esse com meu filho, porque ele está lá e eu não sei se está bem”, disse.

Após participar do círculo de paz com outras mulheres na mesma situação que ela, M. afirmou estar seguindo em frente, agora, mais aliviada. “Eu estou saindo daqui me sentindo muito mais leve, porque eu pude falar o que eu nunca tinha falado sobre esse vaso quebrado. Então eu pude me expressar um pouco. Estava guardado aqui dentro de mim há muito tempo. Se eu puder, da próxima vez eu volto”.

Diante desse relato, J., ao perceber que assim como ela, as demais participantes do Círculo de Construção de Paz também traziam dores relativas à violência doméstica, refletiu sobre todas as pessoas que passaram pela sua vida e a levaram a tomar a decisão de pedir ajuda da Justiça. “Eu já não estava aguentando mais, mas eu não estava aguentando ir sozinha, teve que ter alguém me empurrando, me levantando, senão eu estava lá na mesma vida”.

J. afirma que toda mulher na situação em que ela vive “quer uma pessoa que te pegue pela sua mão e te levante e ergue a sua cabeça e fala: ‘Você é forte, você vai conseguir, você não pode desistir, o que você passou foi só um testemunho da sua vida pra você contar dali pra frente. Não pra deixar as outras pessoas tristes, mas pra incentivar as pessoas que você conseguiu e que elas também podem’”. Mais do que isso, J. diz que quer ser essa pessoa que abrace e passe conforto para outras mulheres, assim como ela encontrou no projeto “Renascendo em Círculos”.

Leia Também:  Prefeitura de Lucas do Rio Verde não terá atendimento ao público a partir do dia 22/12

Renascendo em Círculos – Iniciado em 2023, o projeto, idealizado pela juíza coordenadora da Justiça Restaurativa em Sinop, Débora Caldas, é destinado a mulheres que possuem medida protetiva em vigência para que possam ter a esperança de uma vida melhor. “O objetivo desse projeto é oportunizar a essas mulheres essa dinâmica de, em círculos, olhar para as histórias das outras, se perceber, ter esse olhar para si, o que é raro no dia a dia corrido que elas têm de dedicação ao trabalho, aos filhos, aos companheiros”, afirma.

A magistrada destaca que o Círculo de Construção de Paz é um ambiente seguro, onde as participantes podem se expressar por meio de um diálogo facilitado, inclusive com ajuda das facilitadoras, que são treinadas pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

O que é o Círculo de Construção de Paz – Facilitadora de Círculo de Construção de Paz, a servidora pública Amanda Patrícia de Jesus da Silva de Oliveira explica que o objetivo da atividade é promover a reflexão sobre si mesma, o que ocorre por meio de perguntas direcionadas pelas facilitadoras e que as participantes vão respondendo de acordo com suas vivências. “O círculo vem com esse propósito de ser acolhedor, de ser um momento pra falar sobre questões que, às vezes, você tem dificuldade de falar em outros lugares. É um espaço sem julgamento”, explica.

Segundo Amanda, o benefício da atividade não é restrito às participantes, mas às próprias facilitadoras, que atuam em duplas. “Pra mim é bem importante porque, como mulher e por trabalhar na área de atendimento a mulheres, o círculo vem pra complementar. Então, ver esse projeto é um fortalecimento para que as mulheres não se sintam sozinhas, porque muitas delas acreditam que só elas vivem aquela situação, seja de uma medida protetiva, seja de qualquer situação de violência. Então, quando elas vêm pra participar de um momento como esse, percebem que não estão sozinhas e que, na verdade, existem várias outras, com histórias diferentes, mas situações parecidas e assim a gente se fortalece”.

Autor: Celly Silva e Júnior Silgueiro

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA