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Magistrados propõem enunciados em Seminário do STJ: um é aprovado e outro enviado ao CNJ

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Os juízes integrantes do Grupo de Estudo da Magistratura de Mato Grosso (Gemam), Marcelo Sousa Melo Bento de Resende e Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima participaram do “1º Congresso STJ da Segunda Instância Federal e Estadual”, que ocorreu em Brasília, na segunda e terça-feira (8 e 9 de setembro). Ambos apresentaram enunciados que foram selecionados e discutidos no evento (leia no fim da matéria).

Marcelo Resende teve o enunciado aprovado. Ele destacou que foi uma alegria constatar que todos que estavam na sala, durante a breve explicação do texto, perceberam a importância da redação, tendo em vista que surgiu ali mais uma forma de proteção das mulheres vítimas de violência doméstica. “A principal vantagem do enunciado é fazer com que aquela mulher que sofre violência doméstica extremamente grave possa prestar seu depoimento e não ter que depois revisitar os fatos. Ela poderá exercer seu direito de esquecer aquilo que foi traumático.”

Juiz Marcelo Resende fala em púlpito do STJ, diante de telão que exibe enunciado jurídico sobre violência doméstica e medidas protetivas. Ele propõe antecipação de depoimento para garantir segurança da vítima.O magistrado explicou ainda que cada pessoa traumatizada lida com sua experiência da forma como melhor convier e não cabe ao Poder Judiciário, ao Estado, entrar na intimidade do cidadão e falar como é que ele deve lidar com seus traumas. “Aquele fato de violência doméstica gravíssimo, em que a mulher, ao lembrar, sempre sofre, chora e relembra momentos terríveis, poderá ser narrado em depoimento assim que procura o Estado, e depois esse trauma não terá que ser rememorado. Isso é muito importante para ela. Com certeza, isso evita a revitimização, pois a mulher presta um depoimento e depois ela pode seguir em frente, reduzindo o sofrimento.”

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Resende registrou ainda que o enunciado é fruto do mestrado institucional realizado entre a Esmagis e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). “Veja a importância da capacitação do servidor público! Em razão do estudo, foi gerado um enunciado que diminuirá o sofrimento da mulher vítima de agressão em todo o país. Então, é correto afirmar que a capacitação do magistrado e do servidor do Poder Judiciário reflete na entrega do serviço para a população do Estado, mas também para além de Mato Grosso. A depender daquilo que é trazido à tona, daquilo que os estudos de alguma forma fazem surgir, acabam alcançando a população de todo o Brasil.”

O enunciado da juíza Henriqueta Lima também foi discutido no evento e teve outro encaminhamento. Por conta do impacto nacional gerado pelo tema do enunciado, o ministro Afrânio Vilela (STJ) determinou que o texto fosse enviado para o Conselho Nacional de Justiça para análise e verificação de possibilidade de inserção na Resolução CNJ nº 547/2024, que trata sobre dispensa da apresentação de certidão de protesto cartorário para o ajuizamento de execução fiscal.

“A indicação feita pelo ministro Afrânio Vilela para que o enunciado fosse enviado ao Conselho Nacional de Justiça foi recebida por mim com grande honra, alegria e sentimento de responsabilidade. Demonstra o quanto o tema é importante e precisa ser discutido para além da sede de enunciado. A sugestão do envio representa, além do reconhecimento de um trabalho técnico comprometido, a oportunidade de contribuir diretamente com o aprimoramento da atuação jurisdicional. É gratificante saber que essa ideia pode ganhar alcance nacional e ajudar pessoas em todo o país”, comemorou a juíza.

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Henriqueta pontuou que a previsão é de que o texto escrito alcance os municípios que não têm como fazer o protesto cartorário para propor ação de execução fiscal. “Se eu exijo para todos os municípios de forma indistinta a medida constante da Resolução 547, acabo criando uma obstrução de acesso à Justiça. A propositura criaria uma exceção a essa regra.”

Conheça abaixo os textos apresentados no Congresso

Marcelo Resende – É possível a antecipação do depoimento da vítima de violência doméstica e familiar, enquanto produção de provas e medida protetiva, com base no poder geral de cautela da autoridade judiciária, visando garantir a integridade física e a dignidade da vítima, conforme art. 19 da Lei 11.340/2006, objetivando prevenir a revitimização e assegurar a efetividade dos direitos fundamentais da vítima.

Henriqueta Lima – É admissível a dispensa da apresentação de certidão de protesto cartorário para o ajuizamento de execução fiscal, nos termos do art. 3º da Resolução CNJ nº 547/2024, desde que o ente federativo demonstre, mediante fundamentação técnico-econômica circunstanciada, a inadequação da exigência à luz dos princípios da eficiência administrativa e da economicidade, sendo suficiente a apresentação de certidão administrativa extraída de sistema oficial de protesto eletrônico dotado de fé pública, que comprove a efetiva tentativa prévia de cobrança extrajudicial.

Autor: Keila Maressa

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Congresso reúne magistrados e especialistas para discutir transformações nas relações familiares

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Visão geral de um auditório lotado com pessoas de pé. No palco iluminado, autoridades perfiladas diante de um grande painel com a bandeira do Brasil. Um tapete vermelho cruza o corredor central.Começou na quarta-feira (24) o Congresso IBDFAM Mato Grosso – “Entre a terra, os laços e os algoritmos: o futuro do Direito das Famílias e Sucessões”. Com programação até sexta-feira (26), o evento reúne especialistas de diversas áreas para debater os impactos sociais, jurídicos e tecnológicos nas relações familiares atuais.

Realizado com apoio do Poder Judiciário de Mato Grosso, o congresso acontece no auditório do Fórum de Cuiabá. Estão em debate temas como “As transformações das famílias e suas contratualizações”, “Instrumentos de planejamento sucessório no agronegócio”, “Luto e litigância: como fica a criança”, “Namoro qualificado e união estável – a instrumentalização”, entre outros.

O Congresso IBDFAM é considerado um dos principais eventos da área no estado e conta com a participação de magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), profissionais do Direito, acadêmicos e especialistas para debater temas atuais relacionados às famílias, sucessões e aos impactos das novas tecnologias nas relações humanas.

Mulher de óculos e camisa branca fala ao microfone em um púlpito com o logotipo do Congresso IBDFAM Mato Grosso. Ao lado, uma intérprete de Libras e, ao fundo, as bandeiras do Brasil e do estado.Representando o presidente do TJMT, José Zuquim Nogueira, a juíza auxiliar da Presidência, Christiane da Costa Marques destacou que o evento preenche uma lacuna de muitos anos sem um encontro dessa magnitude no estado. Para ela, esses encontros ajudam a preparar e melhorar todo o sistema de justiça para o atendimento das demandas da sociedade.

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“Precisamos estar preparados para acolher o cidadão, pois ninguém vai ao fórum se não para resolver alguma situação que está o ferindo. Saliento sempre que o ideal é que a gente consiga fazer com que as pessoas deixem a nossa presença melhor do que elas chegaram, menos sofridas. Por isso, é importante a participação efetiva de todos do sistema de justiça”, disse a magistrada.

Mulher de cabelo preso e blazer floral brilhante concede entrevista, falando ao microfone da TV Jus. Ao fundo, um painel do IBDFAM Mato Grosso com o tema do evento sobre o Direito das Famílias.A presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) de Mato Grosso, Emanouelly Costa Nadaf, destacou que há cerca de 11 anos não era realizado um congresso de direitos de família e sucessões no estado. Nesse contexto, ela enfatizou que o apoio do TJMT foi fundamental para que o projeto saísse do papel.

“O Judiciário de Mato Grosso realmente abraçou essa causa, enxergando a grandiosidade e o quanto este evento vai ser transformador para todos que atuam nessa área. Então, só temos a agradecer, porque sem o TJMT não teríamos a possibilidade de construir esse ambiente para debater temas tão necessários e urgentes”, afirmou Emanouelly.

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Uma das palestrantes do congresso é a juíza Angela Regina Gama da Silveira Gutierres Gimenez, titular da 1ª Vara Especializada da Família e Sucessões de Cuiabá. A magistrada abordará o tema “Namoro qualificado e união estável – a instrumentalização”. Para a juíza, eventos como este qualificam os magistrados e geram impactos positivos no atendimento da população.

“Quanto mais preparados estejam todos os operadores da rede judicial, maior será o impacto na comunidade em geral. Isso nos fortalece e abre as nossas visões para as múltiplas realidades. Nós desejamos e estamos trabalhando para esse aprimoramento da justiça e de todo o circuito judicial para que a nossa população seja atendida cada vez mais com eficiência”, argumentou.

Também estavam presentes na solenidade de abertura a diretora do Foro da Comarca de Cuiabá, juíza Hanae Yamamura de Oliveira, o juiz Jamilson Haddad Campos, que é vice-presidente do IBDFAM de Mato Grosso, magistrados e magistradas do Poder Judiciário de Mato Grosso.

Autor: Bruno Vicente

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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