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Mais de 100 recuperandos de presídio de Sorriso participam de treinamento de inteligência emocional

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A participação de 103 recuperandos do Centro de Ressocialização de Sorriso (CRS) em um curso imersivo de inteligência emocional e reprogramação de crenças causou grande impacto no processo de reinserção social dessas pessoas. A formação ocorreu entre sexta-feira (02) e segunda-feira (05), começando com 12 horas seguidas de aula e terminando com uma imersão de quase 24 horas de estudos, que ocorreram via internet, com as aulas sendo transmitidas ao vivo em um telão, no barracão da unidade.
 
A juíza da Vara de Execução Penal de Sorriso e membro do Conselho da Comunidade, Emanuelle Navarro Mano, conta que soube do método CIS por meio de empresários sorrisenses que participaram do curso presencial em São Paulo e lá descobriram que o criador do método disponibilizava o curso de maneira totalmente gratuita para pessoas em privação de liberdade. A magistrada então foi em busca de referências sobre o curso e, com apoio da direção da unidade prisional, do Conselho da Comunidade e de empresários locais – que viabilizaram a preparação do espaço, a disponibilização de internet e de lanches – foi possível dar essa oportunidade aos recuperandos.
 
De acordo com a juíza Emanuelle Navarro, o resultado da experiência causou boa impressão em todos os envolvidos na ação. “Todo mundo ficou maravilhado! O curso trabalhou a ressocialização de maneira mais interna. A gente busca trabalhar a ressocialização até para que essas pessoas, quando saírem, saiam fortalecidas para não voltar ao crime. E isso é feito não pensando só nos detentos, é pensando que eles sejam reestruturados para que, quando eles retornem ao convívio social, voltem convencidos de que a cadeia não é o lugar adequado pra ninguém porque você perde laços afetivos, laços profissionais, e isso afeta colegas de trabalho, família”, afirma.
 
O diretor do Centro de Ressocialização de Sorriso (CRS), Enildo de Castro Souza, avalia que o curso levou os participantes a se enxergarem como responsáveis pelos impactos que suas atitudes provocam nas pessoas ao redor e em toda a sociedade. “Foi impactante e extraordinário o que aconteceu aqui, durante essas 60 horas de curso. Foi importante para a ressocialização haja vista essa mudança que começa a acontecer a partir do curso. Você começa a entender através de um ensinamento onde que estamos falhando, não só na vida familiar, profissional, na vida pessoal, mas, às vezes, em um comportamento com um colega, com a sociedade. Tudo isso é importante porque a ressocialização se inicia aqui, mas ela continua lá fora, onde as pessoas privadas de liberdade vão começar a dar novos passos. Eu tenho essa formação como um renascimento de uma nova vida, um marco histórico”, comenta.
 
Participantes convidados foram pré-selecionados
 
O diretor da unidade, Enildo de Castro, explica que, dentre os mais de 200 recuperandos, foram convidados a participar do curso pouco mais de 120 pessoas que já fizeram ou estão em alguma atividade de estudo ou trabalho, sendo que eles ficaram livres para decidir participar ou não do curso. “Nós fizemos a seleção de todos esses recuperandos que já estão em atividades trabalho e estudo e fizemos a inclusão deles nesse curso de imersão do método CIS. Alguns não tiveram interesse em participar e depois relataram grande arrependimento, depois de ouvirem os relatos dos colegas. Não foi obrigado justamente para que a pessoa não se sentisse aprisionada em um método. Então todos participaram por escolha, o que deu resultado muito significativo e positivo”, comenta.
 
Relatos dos participantes
 
Após participarem do curso imersivo de inteligência emocional e reprogramação de crenças, os 103 recuperandos foram convidados a redigir uma redação avaliando a experiência. Em seus textos, os participantes do curso registraram sua gratidão pela oportunidade e expressaram o quanto o conteúdo apreendido contribuiu para que eles refletissem e reavaliassem as rotas de suas vidas. Confira trechos de alguns relatos (as identidades dos autores foram preservadas):
 
“Consegui me reencontrar com as minhas crenças porque reencontrando minhas crenças eu pude criar novos sonhos, novos pensamentos e novas maneiras de agir, falar e até mesmo na maneira de se portar, aprendi que não é possível crescer sem contribuir. É necessário perdoar para que as coisas comecem a andar de maneira correta”.
 
“Aprendi no método CIS os três elementos de uma identidade de sucesso que são perseverança, insistência de que o destino sé é alcançado quando o ciclo é finalizado e ambição que me tira da zona de conforto e me faz chegar a um lugar que nem eu imaginaria chegar”.
 
“Eu aprendi que para atrair coisas boas tenho que ter crenças positivas, preciso crer. Foi importante o curso porque independente do lugar e situação nos faz rever os meus valores, focar em um objetivo e conclui-lo. Vou levar informações do curso para toda a minha vida e ainda tive a oportunidade de poder ligar para minha família e pedir perdão por todos os meus erros, que estou arrependido, que a partir daquele dia eu vou ser uma pessoa melhor”.
 
“Aprendi a me perdoar e perdoar quem me magoou, inclusive tive a oportunidade de ligar para uma das minhas irmãs e pedir perdão pelo desgosto que causei, pelo trabalho que dei, por tudo de ruim que já fiz, pelas lágrimas que foram derramadas por minha causa. Minha saída está muito próxima e esse curso só veio ajudar numa hora perfeita”.
 
Para o diretor do CRS, Enildo de Castro, ouvir os relatos de quem participou da imersão é uma motivação para quem trabalha com a ressocialização. “Traz uma energia vital para que possamos cada vez mais estar participando desses programas, trazendo o bem-estar, a capacitação e a transformação dessas pessoas que estão privadas de liberdade. Esse evento trouxe projeções para o futuro. Através dele a agente vai ter forças para continuar na ressocialização dos nossos recuperandos”.
 
Saiba mais sobre o método CIS
 
De acordo com o Paulo Vieira, criador do método CIS, trata-se de um treinamento de inteligência emocional e reprogramação de crenças, que trabalha os principais pilares da vida (financeiro, profissional, emocional, saúde e relacionamentos). Nessa formação, são abordadas técnicas para gerenciar as emoções, reprogramar crenças através da formação de novas memórias e sinapses neurais, exercícios para eliminar o que impede a pessoa de atingir suas metas.
 
A proposta do curso é que em 4 dias de imersão, a pessoa tome consciência sobre o que está influenciando sua vida, reprograme suas crenças e substitua narrativas limitantes por narrativas de poder, ativando sua nova versão e potencializando seu crescimento em todas as áreas da vida.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: Foto tirada de cima que mostra dezenas de participantes do curso de inteligência emocional sentados em carteiras escolares e prestando atenção na aula, que foi transmitida em um telão. Eles estão no barracão do centro de ressocialização de Sorriso.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Famílias garantem reconhecimento de paternidade durante Expedição Justiça Sem Fronteiras

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Duas atendentes da Defensoria Pública de Mato Grosso, sentadas à mesa, conversam com um homem, uma mulher e uma criança, vistos de costas. Notebooks e garrafas de água estão sobre a mesa.Entre os diversos atendimentos realizados pela segunda edição da Expedição Justiça Sem Fronteiras, um serviço teve significado especial para duas famílias atendidas pela iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso (TJMT): o reconhecimento de paternidade.

Uma das histórias é a do pequeno Isaac, de 4 anos. Os pais Francineide Javali e Guilherme de Paula aproveitaram a passagem da expedição pela comunidade de Palmarito, em Vila Bela da Santíssima Trindade (522 km de Cuiabá), para regularizar a situação do filho.

Casal indígena de costas, segurando as mãos de uma criança pequena, olha para trás. Ao fundo, um grande arbusto verde com flores rosas. Ambiente ao ar livre.Segundo Francineide, a distância até os centros urbanos e os custos com deslocamento dificultavam a realização do procedimento. “A gente mora em outra comunidade e só tem moto. Seria muito difícil levar uma criança para resolver isso na cidade, além dos gastos com transporte, alimentação e outras despesas. Aqui conseguimos resolver tudo de forma rápida”, contou.

Ela explica que o reconhecimento dependia da regularização dos documentos do pai da criança. Assim que a situação foi resolvida, a família aproveitou a passagem da expedição para concluir o processo. “Fomos muito bem atendidos e conseguimos resolver tudo rapidamente. Para nós foi uma grande facilidade”, reforçou.

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Para Guilherme, o atendimento próximo de casa fez toda a diferença. “Se fosse para resolver na cidade seria muito mais difícil e mais caro. Aqui foi mais fácil para nós e para o nosso filho”, disse.

Um sobrenome aguardado por 22 anos

Outra história marcada pelo reconhecimento de paternidade foi a de Angélica Poiche Parabá, de 22 anos, moradora da comunidade Nova Fortuna.

Três pessoas indígenas em pé: à esquerda, uma mulher de blusa preta; ao centro, uma mulher de rosa segurando papéis; à direita, um homem de camisa azul e boné. Ao fundo, um banner Após mais de duas décadas, ela conseguiu incluir oficialmente o nome do pai em sua certidão de nascimento. Emocionada, Angélica contou que conviveu durante toda a vida com a ausência do registro paterno, embora nunca tenha deixado de reconhecer o pai como parte de sua história.

“Quando eu era criança, algumas pessoas falavam que eu era uma menina sem pai. Mas dentro do meu coração eu sempre tive meu pai. Hoje sou muito grata a Deus porque consegui colocar o nome dele na minha certidão”, afirmou.

Para ela, a conquista vai além da questão documental. “É muito mais do que um sobrenome. Estou muito feliz por tudo ter dado certo”, acrescentou.

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Expedição Justiça Sem Fronteiras

Homem sorridente de óculos, barba grisalha, boné bege e camiseta verde escrito Realizada pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Justiça Comunitária, a Expedição Justiça Sem Fronteiras leva serviços de cidadania, orientação jurídica, documentação e acesso a direitos a comunidades localizadas na faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia.

Coordenador estadual da Justiça Comunitária, o juiz José Antonio Bezerra Filho destaca que histórias como as de Isaac e Angélica demonstram o alcance social da iniciativa. “Quando vemos direitos sendo garantidos e situações sendo resolvidas, temos a certeza de que todo esforço vale a pena. Quem participa da expedição sai renovado pela experiência de poder contribuir com a vida das pessoas”, ressaltou.

Autor: Emily Magalhães

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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