Tribunal de Justiça de MT

Mais Justiça, Saúde e Cidadania: Expedição Rota das Águas atende famílias no distrito de Lucialva

Publicado em

Nos dias 5 e 6 de julho, toda a equipe envolvida na segunda etapa do projeto Ribeirinho Cidadão – Expedição Rota das Águas atendeu centenas de famílias que moram no distrito de Lucialva, localizado a 30 km do centro de Jauru. Em dois dias de atendimento, os moradores de toda a região puderam ter acesso a serviços de justiça, saúde, cidadania, esporte, cultura e lazer na Escola Estadual de Campo Juscelino Kubitschek de Oliveira, na zona rural do município.
 
A escolha do local de atendimento foi definida mediante reuniões prévias realizadas no mês de outubro com a administração municipal. De acordo com o juiz coordenador da Justiça Comunitária, José Antônio Bezerra Filho, toda a logística do evento foi alinhada há nove meses, em audiências públicas que contaram com a participação de autoridades locais, incluindo o presidente da Câmara de Vereadores, secretários e defensores públicos da região.
 
“Após as reuniões de alinhamento para realização do projeto, eu pude verificar toda a estrutura da escola e ver se ela comporta o número de parceiros. Aqui, neste lugar, nós fomos abençoados em atender a população após o consenso de todas as partes envolvidas e estamos satisfeitos, afinal, é uma comunidade rural, um distrito distante da cidade de Jauru e foram dois dias de trabalho refletindo a realidade local. É a primeira vez aqui, mas saio com o sentimento de dever cumprido, pois fizemos o que propomos com muita eficiência, transparência, seriedade e resultados para a população”, explicou o magistrado.
 
A juíza da Vara Única da comarca de Jauru, Marília Augusto de Oliveira Plaza, destacou a agilidade e a possibilidade dos moradores conseguirem diversos atendimentos em um único local. “Através de toda a força-tarefa trazida até aqui, as pessoas conseguem resolver os seus problemas com rapidez e segurança”, disse a magistrada.
 
A consulta médica é um dos serviços de maior procura da expedição e foi o que a dona Maria da Penha Gonçalves, trabalhadora rural, de 69 anos, procurou na Expedição Rota das Águas. A lavradora mora sozinha em seu sítio, no distrito de Lucialva, e precisou de atendimento médico por causa de fortes dores nas costas. Após ser examinada pelo clínico geral, foram identificadas quais eram as causas que levavam à fadiga muscular e a dona Maria saiu do atendimento com uma receita de medicamentos orais e injetáveis para combater as dores.
 
“Isso aqui é uma ajuda muito grande pra todos nós aqui da comunidade. A gente precisa de uma consulta e às vezes não tem no posto de saúde. Eu fiquei muito feliz de vir até aqui e conseguir ser atendida”, comemorou dona Maria.
 
O 1º tenente e médico do Comando de Fronteira Jauru, do 66º Batalhão de Infantaria Motorizada, Pedro Eduardo Alves Leal de Oliveira, foi o profissional que atendeu a dona Maria da Penha e reconhece o valor da Expedição Rota das Águas para a região oeste e sudoeste de Mato Grosso.
 
“É um prazer e uma felicidade imensa ajudar a população local com os nossos serviços. O nosso objetivo é trazer um pouco mais a saúde pro dia a dia da população que realmente necessita. Esse tipo de trabalho é muito importante e deve ser realizado nos rincões do nosso país”, pontuou o tenente Leal.
 
Expedição Rota das Águas – Os atendimentos do projeto Ribeirinho Cidadão Expedição Rota das Águas seguem nesta segunda e terça-feira, dias 08 e 09 julho, na Escola Municipal Maria Gregória Ortiz Cardoso, no município de Porto Esperidião. A iniciativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Defensoria Pública Estadual e diversos parceiros têm o objetivo de levar justiça e cidadania às populações vulneráveis do estado.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagem: foto 1 – pessoas sentadas em cadeiras no corredor escolar aguardando atendimento. Foto 2 – dona Maria da Penha segura seu receituário médico e mostra para a câmera. Ela é uma mulher idosa, de cabelos tingidos de castanho e presos para trás, sua pele é clara, mas possui manchas de sol, seus olhos são verdes, ela usa uma blusa preta e relógio no pulso.
 
Laura Meireles/ Fotos: Alair Ribeiro 
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT 
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  Comarca de Várzea Grande divulga resultado definitivo de processo seletivo para assistentes sociais

Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Published

on

Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Leia Também:  Integração: Judiciário firma parceria para agilizar homologação de acordos do Procon em Rondonópolis

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Leia Também:  Tiago Fensterseifer destaca atualidade do Direito Ambiental e convida para curso da Esmagis-MT

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA