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Maria Clara transforma arte em voz e inspiração no TJMT Inclusivo

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Mesa expositora com camisetas e telas coloridas pintadas à mão, exibindo traços abstratos, arco-íris e texturas vibrantes. O ambiente é iluminado, com cortinas claras ao fundo, remetendo a uma mostra de arte inclusiva e criativa.Pela segunda vez, a jovem artista plástica Maria Clara Souza Campos, de 22 anos, encantou o público do TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo com suas cores e sensibilidade. O evento foi promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, reunindo 1,4 mil participantes na cidade de Rondonópolis.

Cuidadosa, ao longo da tarde de quinta-feira (16), horas antes do inicio do evento, Maria Clara já estava presente no local, ajustando cuidadosamente sua exposição, que foi realizada paralelamente aos debates promovidos durante a capacitação. Entre formas abstratas, suas obras refletem a pureza de um olhar único de quem encontrou na arte um caminho de expressão e liberdade. Além das telas, 16 camisetas foram criadas especialmente para a edição realizada em Rondonópolis.

“Pintei sobre a vida, o abstrato, peixes, e sem fazer curso nenhum”, diz orgulhosa a jovem, que é autista e descobriu a arte há cerca de três anos.

Mulher de vestido laranja e jovem de blusa amarela observam e tocam camisetas pintadas expostas sobre a mesa, sorrindo juntas. Ao fundo, quadros coloridos e pessoas sentadas criam clima de integração e sensibilidade artística.A mãe da artista, Adriana Ferreira de Souza, servidora do Tribunal de Justiça há 25 anos, acompanha de perto cada passo da filha. Para ela, a experiência no TJMT Inclusivo tem sido decisiva.

Além de transformar a rotina de mãe e filha, o evento também ampliou o diálogo com outras famílias. Segundo Adriana, os encontros têm gerado um espaço de acolhimento e troca entre mulheres que enfrentam desafios semelhantes.

“Depois do meu depoimento, na edição realizada em Cáceres, muitas mães vieram falar comigo. Uma delas tinha acabado de receber o diagnóstico do filho e não sabia o que fazer. Pude acolher, dizer que há caminhos. Emocionante ver que nossa história pode inspirar outras pessoas”, relata.

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A servidora conta que o diagnóstico de Maria Clara veio de forma tardia. Desde pequena, a jovem enfrentou uma série de desafios de saúde e longos períodos de internação. A trajetória, repleta de obstáculos, foi superada com amor, persistência e apoio familiar. Hoje, a artista se reconhece e se orgulha do próprio talento.

“Em menos de um mês, vi mudanças extremas na Maria Clara. Esse incentivo faz com que ela saia daquele mundo mais fechado, de não se sentir aceita, de sofrer com o bullying”, disse.

O evento

A 5ª edição da capacitação foi realizada na sexta-feira (17 de outubro) tendo como propósito promover conhecimento, empatia e respeito às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O TJMT Inclusivo é uma iniciativa da presidente da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do TJMT, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho.

Nesta edição, o projeto contou com parcerias da Diretoria do Fórum de Rondonópolis, da Escola da Magistratura (Esmagis-MT), da Escola dos Servidores, do Projeto Autismo na Escola e da ADNA de Rondonópolis. A próxima edição está marcada para o dia 5 de dezembro, em Cuiabá, e novamente contará com a presença da artista Maria Clara e de sua mãe, Adriana.

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O TJMT Inclusivo já foi realizado em Cuiabá, Sinop, Sorriso e Cáceres. A 6ª edição será novamente em Cuiabá e já tem data marcada: 5 de dezembro!

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Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Dislexia e TDAH: leitura pode se tornar um desafio e exige olhar inclusivo do poder público

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A dificuldade para ler e compreender textos, que para muitos passa despercebida, pode ser um obstáculo significativo para pessoas com dislexia e TDAH. O tema foi abordado no podcast Prosa Legal, da Rádio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em entrevista com a psicóloga do Departamento de Saúde, Gisele Ramos de Castilho Teixeira. Durante a conversa, ela destacou os desafios enfrentados por esse público e reforçou o papel do setor público na construção de uma comunicação mais inclusiva.

Logo no início da entrevista, a psicóloga explicou que a leitura pode gerar cansaço e dificultar a compreensão. “A principal dificuldade é a fadiga e a impulsividade. Quando a pessoa com dislexia lê, muitas vezes ela tenta adivinhar o que está lendo. Ela tem dificuldade de decodificar a letra, troca ‘p’ por ‘b’, por exemplo. Isso traz muitas consequências cognitivas, tanto para a criança quanto para o adulto”, afirmou.

Papel do setor público

Ao falar sobre inclusão, Gisele Teixeira foi direta em destacar a responsabilidade das instituições públicas. Para ela, é o setor público quem deve criar políticas que garantam o acesso e o pertencimento dessas pessoas na sociedade.

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“Quem faz as políticas é o setor público. Então, é preciso ter esse olhar afetivo, esse olhar diferenciado. É isso que vai fazer com que a pessoa com alguma deficiência consiga se incluir, consiga, por exemplo, pesquisar um processo no site do Tribunal de Justiça”, disse.

A psicóloga ressaltou que essas ações são fundamentais para que essas pessoas se sintam parte da sociedade e tenham seus direitos garantidos, especialmente no acesso à informação.

Acesso e ferramentas

Durante a entrevista na Rádio TJMT, também foi destacada a importância de pensar em formas de facilitar o acesso à leitura e à informação. Segundo ela, pessoas com dislexia e TDAH podem perder o foco com textos longos e ter dificuldade de manter a atenção.

“O TDAH é a questão da atenção. Muitas vezes, a pessoa começa a ler um texto grande e perde o foco. Já na dislexia, ela não consegue ver a palavra como quem não tem essa dificuldade vê. Ela começa a trocar letras, a adivinhar”, explicou.

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Orientação e busca por ajuda

Ao final da conversa, Gisele orientou que o primeiro passo é se conhecer e buscar ajuda especializada. Ela destacou a importância de dividir a leitura em partes menores e respeitar os próprios limites.

“Se a pessoa pega um texto muito grande, muitas vezes ela não tem foco. Então, é importante trabalhar por partes e se conhecer no dia a dia. E, principalmente, aceitar essa condição para buscar ajuda”, orientou.

A psicóloga também lembrou que esse apoio pode envolver diferentes profissionais. “É uma busca com fonoaudiólogo, com psicopedagogo, com terapia. Muitas vezes até com medicamentos. Essa rede de apoio é importante para cada um desses casos”, concluiu.

Autor: Roberta Penha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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