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Nosso Judiciário aborda bullying, cidadania e acesso à Justiça em escola de Cuiabá

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Na manhã desta quinta-feira (28 de agosto), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) realizou mais uma edição do Projeto Nosso Judiciário, desta vez na Escola Estadual Cívico-Militar Professor Ulisses Cuiabano, em Cuiabá. A iniciativa, que já percorreu diversas unidades escolares do estado, chegou à 157ª edição e contabiliza 35.140 alunos atendidos.

A palestra foi ministrada pelo servidor Neif Feguri, que apresentou aos estudantes temas diretamente relacionados à vida em sociedade e ao exercício de cidadania. Entre os assuntos tratados estiveram Justiça Restaurativa, práticas de conciliação, marco civil da internet, crimes cibernéticos, bulling, cyberbulling, direitos do consumidor, estrutura do Judiciário e acesso à Justiça gratuita.

Durante a atividade, os jovens receberam a cartilha “Como funcionam os Juizados Especiais”, elaborada por Feguri em parceria com o servidor Antônio Cegati. O material serve como guia de consulta para compreender melhor o papel do Judiciário e as formas de buscar seus direitos.

Homem com microfone e mulher em pé falam a estudantes de uniforme azul em auditório escolar, durante atividade educativa do projeto Nosso Judiciário na Escola, promovendo diálogo e orientação aos jovens.A coordenadora pedagógica da escola, Patrícia Joaquim Morais Costa, destacou a importância da parceria entre o Poder Judiciário e a educação. Para ela, iniciativas como essa fortalecem o diálogo com os jovens e abordam temas urgentes do cotidiano escolar.

“A parceria com o Poder Judiciário foi de grande valia para a educação. Uma vez que temos várias parcerias, agora o Judiciário vem somar em questões tão problemáticas que precisam ser discutidas como drogas, ameaças, bullying, cyberbullying, tantos assuntos pertinentes ao público jovem do ensino médio. Eu acho de suma importância falar para eles”, afirmou.

Ela explicou que cerca de 200 estudantes participaram da palestra, mas que a expectativa é de ampliar o alcance para todos os 429 alunos da unidade. “Gostaríamos de atingir todos, mas aos poucos vamos conseguindo com campanhas de conscientização que já trabalhamos durante todo o ano. Também é muito importante deixar o material paradidático, que será utilizado em sala de aula como proposta pedagógica avaliativa, permitindo que o conteúdo de hoje faça parte do nosso planejamento”.

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Patrícia ressaltou ainda que a aproximação com instituições como o Tribunal de Justiça é essencial para a formação cidadã. “Só temos a agradecer por essa preocupação com o público jovem. Muitas vezes, no ensino médio, os pais já não participam tanto da vida escolar dos filhos e por isso precisamos de mais parcerias, não só com as famílias, mas também com o Judiciário, o Conselho Tutelar e outras instituições”.

Caroline Souza Santos, 17 anos, está sorrindo, tem cabelo cacheado escuro e veste uma camiseta azul com detalhes em verde e amarelo. Ao fundo, um pátio escolar com colunas e paredes azuis e brancas.A relevância da palestra também foi percebida pelos alunos. Caroline Souza Santos, de 17 anos, estudante do 3º ano, disse que o encontro trouxe novas perspectivas sobre cidadania e acesso à Justiça.

“Achei interessante trazer para os jovens da escola mais consciência no que fazer, e como. Antes eu tinha uma breve noção por causa da minha mãe, que é assistente social, e de familiares que trabalham com leis. Mas acho importante que todos tenham acesso a essas informações porque podem precisar em algum momento, seja para si ou para alguém próximo”.

A estudante contou que o ponto que mais chamou sua atenção foi a discussão sobre violência e convivência no ambiente escolar. “O que achei mais legal foi quando falaram do bullying e do cyberbullying. Muitas pessoas não sabem diferenciar ou não têm noção de como agir nessas situações”.

Outra participante, Alessandra Queiroz, também de 17 anos e aluna do 3º ano, afirmou que a palestra trouxe informações práticas que os jovens poderão compartilhar com suas famílias.

“Eu achei a palestra muito interessante e bem informativa. Muitas pessoas não sabem o que é crime, o que não é. Isso foi muito importante porque às vezes em casa o pai ou o avô não sabem dessas coisas, mas o aluno recebe a informação aqui e pode levar para dentro de casa”.

Ela relatou ainda experiências pessoais. “No Ensino Fundamental, eu sofri bullying. Batiam em mim, grudavam chiclete no meu cabelo. Para mim, isso era só implicância de escola. Mas agora, com a informação que recebemos hoje, com certeza eu teria uma atitude completamente diferente”.

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A estudante Andreyna Poquiviqui, também de 17 anos e do 3º ano, disse que o aprendizado recebido tem potencial de transformar a realidade dos jovens.

“O ponto que mais me marcou foram as informações que eu pouco sabia. Muitas coisas que achamos comuns no dia a dia, na verdade, não são. Existem formas de prevenir essas situações, buscar ajuda e até punir quem pratica agressões. Isso faz toda a diferença.”

Para ela, mesmo que o impacto imediato não atinja todos os 200 participantes, já é um avanço importante. “Se a vida de 10 ou 20 colegas for transformada, o trabalho já foi feito. Nós, jovens, somos a base da sociedade e, sendo conscientizados, podemos evoluir muito mais e contribuir para termos bons cidadãos”.

Como solicitar a visita/palestra

O Judiciário tem parceria com a Secretaria de Educação do Estado (Seduc), que indica quais unidades devem receber a palestra. Entretanto, representantes de estabelecimentos de ensino, público ou privado, podem solicitar a visita/palestra.

O Programa vai às instituições, mas também recebe instituições na sede do Tribunal de Justiça, em Cuiabá. Na visita guiada, acadêmicos de Direito têm a oportunidade de acompanhar uma sessão de julgamento, conhecer as dependências do prédio e para finalizar a visita são sempre recepcionados por um magistrado (a) para uma conversa descontraída, no Espaço Memória. Eles também recebem o Glossário Jurídico, editado e publicado pelo TJMT.

Para agendar uma visita ao Palácio da Justiça de Mato Grosso ou a instituições de ensino, basta telefonar para (65) 3617-3032/3516.

Acesse mais fotos no Flickr do TJMT

Autor: Flávia Borges

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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