Tribunal de Justiça de MT

Nosso Judiciário: Calouros de Direito da UFMT visitam Tribunal de Justiça no primeiro dia de aula

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) abriu suas portas nesta segunda-feira (23) para cerca de 70 estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por meio do projeto Nosso Judiciário, pelo qual os acadêmicos conhecem a estrutura do Poder Judiciário estadual, sua composição, formas de acesso ao cargo de desembargador, divisão dos colegiados, além de realizarem uma visita guiada aos pontos que representam a atuação e a história da instituição, como os plenários e o Espaço Memória.
No Plenário 1 ‘Desembargador Wandyr Clait Duarte’, os estudantes foram recebidos pelo juiz auxiliar da Vice-Presidência e juiz convocado da Terceira Câmara de Direito Privado, Antônio Veloso Peleja Júnior, que também é professor da Faculdade de Direito da UFMT. Ele compartilhou um pouco de sua trajetória profissional, deu dicas de estudos aos alunos, fez reflexões sobre a importância do Direito na construção de uma sociedade melhor e aproveitou para divulgar os projetos do Tribunal de Justiça no campo da formação continuada de seus magistrados e do aprimoramento da prestação jurisdicional, como as ferramentas de inteligência artificial LexIA e Hanna.
“É muito importante eles estarem no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso. Essa foi uma oportunidade de apresentar o Poder Judiciário para esses alunos e também aliar a um roteiro que eles têm que seguir, um mapeamento do que é bom que se faça durante essa jornada no curso de Direito. Nós precisamos de profissionais bastante cônscios, profissionais com equilíbrio, com ponderação e com bastante estudo. Eles estão na Universidade Federal de Mato Grosso, que é uma instituição em que, na Faculdade de Direito, há um corpo docente bastante consolidado, bastante sólido, para apresentar a esses alunos o melhor ensino possível”, disse.
O diretor da Faculdade de Direito da UFMT, Carlos Eduardo Silva e Souza, agradeceu ao Tribunal de Justiça pela parceria e contribuição na formação dos alunos e parabenizou a gestão do Centro Acadêmico de Direito XIII de Abril por ter organizado a programação, que marcou o primeiro dia de aula dos ingressantes no curso, recém-aprovados no Enem.
“Para nós, é uma imensa satisfação e alegria iniciar a semana de acolhimento dos calouros visitando as principais instituições jurídicas do nosso estado e, mais uma vez, o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso nos honra com a possibilidade de iniciar as atividades recebendo os alunos dentro do principal plenário do Tribunal, com exposições importantes, conhecendo a estrutura do Poder Judiciário do Estado. Então, é uma experiência muito rica para os nossos discentes porque eles têm a oportunidade de conhecer, quem sabe, uma futura carreira, na qual exercerão as suas atividades”, afirmou.
Em seu primeiro dia de aula na Faculdade de Direito, Luiza Ventura de Moura destacou a importância de ter um contato tão próximo com o Tribunal logo no início de sua jornada acadêmica. “É de importância não só para manter o interesse do aluno, como também para que eles tenham noção de que esse é um assunto extremamente sério e também para que eles possam entender, já desde o início, se é ou não algo próprio para eles”, avaliou.
Luiza conta que ficou impressionada com o ambiente do Tribunal e com a forma como os alunos foram recebidos. “A minha primeira impressão foi de relativa surpresa e de muita admiração pelo espaço em si, um espaço muito bonito, muito bem preservado, e também por poder ter um contato tão tranquilo com essas figuras que, como a gente vê pela imprensa, parecem muito distantes da gente, mas a gente percebe que, na verdade, são pessoas como nós e estão aqui para auxiliar a sociedade. E nós também”, afirmou.
Posse do Centro Acadêmico
A visita dos estudantes do curso de Direito da UFMT também foi marcada pela posse da nova diretoria do Centro Acadêmico de Direito (CADI) XIII de Abril, que ocorreu no Plenário 1, com a assinatura do termo de posse e apresentação dos membros. O presidente do CADI e estudante do 7º semestre do curso, Diego Feguri, que está em seu segundo mandato, agradeceu ao Tribunal por todo apoio dado aos estudantes.
“Para nós, é uma grande honra poder estar aqui hoje, no Tribunal de Justiça, que é o principal órgão do Poder Judiciário do nosso estado. Tivemos um momento solene de posse da nova gestão do Centro Acadêmico, que é, basicamente, a entidade estudantil que representa os interesses e direitos do corpo discente da Faculdade de Direito da UFMT. Então, é uma alegria poder ter o TJ abrindo as portas para nós”, comentou Feguri.
O presidente do CADI reforçou ainda o compromisso do centro acadêmico em proporcionar aos estudantes momentos como esse vivenciado no Tribunal de Justiça. “O papel do nosso centro acadêmico é estar sempre atuante e compromissado com os nossos alunos. Por exemplo: hoje, nós viemos aqui para que os alunos tenham contato já, desde o primeiro semestre, com o Tribunal de Justiça, para que eles conheçam a importância desta Casa, como ela funciona, as câmaras, os colegiados, o número de desembargadores. Então, esse é o papel do centro acadêmico: além de representar e defender, também ajudar o estudante para que ele encontre melhores caminhos na sua graduação”, explicou.
Nosso Judiciário – Há 11 anos, o projeto Nosso Judiciário promove a integração entre o Tribunal de Justiça e estudantes de Direito, já tendo recebido mais de 11 mil acadêmicos de 18 municípios do interior do estado, sem contar Cuiabá e Várzea Grande. “A aproximação do Judiciário é a essência desse projeto”, resume o técnico judiciário Neif Feguri, responsável por coordenar as visitas guiadas aos estudantes.
Segundo ele, neste mês de março, já foram realizados atendimentos a sete turmas de instituições públicas e privadas. Além disso, mais de 35 visitas já estão agendadas para este ano. A atividade conta com certificado para contagem de pontos de atividades extracurriculares dos alunos.
Fotos: Lucas Figueiredo/Celly Silva

Autor: Celly Silva

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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