Tribunal de Justiça de MT
OmnIA: ferramenta criada por servidores do TJMT transforma dados em estratégia
Publicado em
23 de abril de 2026por
Da Redação
Desenvolvida dentro do próprio Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a ferramenta OmnIA representa um novo passo na modernização da gestão judicial ao transformar grandes volumes de dados em orientações estratégicas, acessíveis e práticas para magistrados(as) e servidores(as). Mais do que uma solução tecnológica, a plataforma nasce com um diferencial importante: foi concebida por quem conhece de perto a rotina do Judiciário. Em outras palavras, é uma ferramenta desenvolvida por servidores para servidores.
A proposta da OmnIA surgiu a partir de uma necessidade concreta identificada no cotidiano das unidades judiciais: a dificuldade de interpretar, de forma rápida e eficiente, a grande quantidade de indicadores, metas nacionais, critérios do Selo CNJ de Qualidade e prioridades processuais que impactam diretamente a produtividade e a gestão do acervo. Antes, esse trabalho exigia a abertura de vários relatórios, leitura de diferentes painéis e conhecimento técnico para cruzar informações. Com a OmnIA, esse processo passa a ser mais simples, intuitivo e direcionado.
A ferramenta permite que o usuário faça perguntas em linguagem natural, como quais processos devem receber prioridade, o que está impactando determinada meta ou onde a unidade precisa melhorar. A partir disso, o sistema consulta bases estruturadas de dados, interpreta as informações com apoio de inteligência artificial e devolve respostas objetivas, com foco na realidade de cada unidade. O objetivo é ampliar a capacidade de análise e apoiar decisões mais assertivas, sem substituir a atuação humana.
Evolução dos painéis para uma nova forma de interpretar dados
Para o gestor de Inteligência de Dados Uiller Del Prado, a OmnIA foi criada justamente para responder à crescente complexidade da gestão judicial. “A ferramenta tem por objetivo fazer esta análise de dados, entender fórmulas complexas e entregar o resultado pronto para as unidades, de maneira muito análoga ao que seria um GPS da gestão e da produtividade”, explica.
Segundo ele, a solução nasceu da observação direta das dificuldades enfrentadas pelos servidores. “A ferramenta OmnIA foi desenvolvida dentro de casa, enxergando as dificuldades, as necessidades e as oportunidades de automação. Isso traz esse sentimento de que a ferramenta é nossa, uma entrega de resultado dos servidores para os servidores”.
O diretor do Departamento de Aprimoramento da Primeira Instância (DAPI), Guilherme Felipe Schultz, destaca que a OmnIA representa uma evolução natural do trabalho que já vinha sendo feito a partir dos painéis de Business Intelligence.
“O desafio do DAPI sempre foi entregar informações a partir de dados. Os painéis foram um grande avanço, mas era preciso evoluir com as novas tecnologias. A OmnIA surge como uma maneira diferente de enxergar os dados e as informações, possibilitando caminhos de análise que os painéis, sozinhos, ainda não conseguem alcançar”, afirma Schultz.
Ele ressalta ainda que a principal finalidade da ferramenta é democratizar o acesso à interpretação estratégica dos dados. “O principal objetivo da OmnIA é alcançar o maior número de pessoas com a capacidade de interpretar metas, indicadores e outras informações a partir de metadados processuais. É uma forma de institucionalizar o uso qualificado dessas informações entre magistrados, servidores e assessores”, pontua.
O que são metadados
Metadados são “dados sobre dados”, informações estruturadas que descrevem, contextualizam e facilitam a localização, uso e gerenciamento de arquivos, documentos ou conjuntos de dados, sem revelar seu conteúdo real. Exemplos incluem autor, data de criação, tamanho e tipo de arquivo, fundamentais para a organização digital.
Entre os profissionais que participaram do desenvolvimento da solução, o engenheiro de IA Edielson Silva destaca que um dos maiores desafios foi fazer com que o sistema compreendesse, com exatidão, a intenção do usuário. “Nós identificamos uma lacuna que poderíamos automatizar dentro do Tribunal. O desafio foi entender e interpretar o que o usuário queria buscar em suas perguntas, encontrar os caminhos corretos e entregar a informação de forma rápida, resumida, detalhada e objetiva”, relata.
Para ele, ver a ferramenta em funcionamento é motivo de satisfação. “Hoje nós vemos o efeito e o benefício que ela está trazendo para o servidor. Muitas coisas que antes eram demoradas agora podem ser feitas com mais agilidade”, diz.
Transformação de dados complexos em respostas simples
O engenheiro de IA, Breno Morais, destaca o esforço de transformar dados complexos em algo simples para o usuário final. “Foi um desafio transformar os dados que antes estavam em vários painéis em uma forma simplificada que o servidor possa interpretar. Antes, ele precisava abrir vários relatórios e até lembrar fórmulas matemáticas e estratégias de produtividade. Hoje, pode fazer uma simples pergunta sobre a unidade dele e receber uma orientação clara sobre onde focar e o que precisa melhorar”, explica.
Na mesma linha, Jonatan Ajala, também engenheiro de IA, afirma que o desenvolvimento da OmnIA exigiu estudo intenso e adaptação a novas tecnologias. “Foi uma experiência muito boa e também de muito aprendizado. Tivemos muito estudo, muitos casos de uso e aprofundamento nas ferramentas”, conta.
Ele destaca, ainda, o valor institucional de o Tribunal investir nos seus próprios talentos. “Eu acho importante porque as pessoas da casa vão se engajando cada vez mais e também têm oportunidade de crescimento. Isso fortalece a cultura de inovação dentro do próprio Judiciário”, completa.
A analista judiciária Milena Valle Rodrigues, lotada no DAPI, enfatiza que a proposta da ferramenta é tornar o acesso à informação mais amigável e útil para quem está na atividade-fim. “A ideia é fazer com que, por meio da inteligência artificial, nossos usuários, servidores e magistrados possam ter critérios bastante claros acerca de suas ações no momento da prestação jurisdicional”, afirma. Segundo ela, o maior desafio está justamente em consolidar todas essas informações de uma forma simples para o usuário. “A ferramenta contribui muito por ser uma forma mais amigável de se relacionar com o sistema e com os dados”, conclui.
Elogios do CNJ e o futuro do OmnIA
Além do impacto interno, a OmnIA também já começa a ganhar reconhecimento externo. Durante visita técnica ao TJMT, representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) conheceram a ferramenta e elogiaram a iniciativa. A solução foi apresentada à comitiva no contexto das ações de transformação digital e inovação tecnológica desenvolvidas pelo Tribunal. O reconhecimento foi além da apresentação institucional: o projeto foi visto como uma experiência com potencial de compartilhamento e expansão para outros tribunais do país.
De acordo com Guilherme Schultz, o CNJ identificou na OmnIA uma ferramenta apta à institucionalização em outros contextos do Judiciário. “OmnIA reforça uma visão estratégica cada vez mais presente no Poder Judiciário de Mato Grosso: a de que inovação não se resume à adoção de tecnologia, mas passa pela capacidade de ouvir quem vive a rotina institucional, compreender suas necessidades e desenvolver soluções alinhadas à realidade do trabalho. Nesse sentido, a ferramenta consolida um modelo que une conhecimento técnico, vivência prática e compromisso com a melhoria dos serviços prestados à sociedade”, observa Schultz.
Uiller Del Prado complementa que o interesse externo confirma o protagonismo do TJMT na área de tecnologia aplicada à gestão judicial. “O Tribunal de Justiça de Mato Grosso já vinha sendo referência em ferramentas de BI e análise de dados. Agora, com a inteligência artificial, dá um novo passo, agregando ainda mais valor à entrega de resultados”, reitera o gestor.
Autor: Ana Assumpção
Fotografo: Maycon Xavier
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
Esmagis-MT destaca garantia de direitos na Justiça Juvenil em nova edição do Explicando Direito
Published
21 minutos agoon
26 de junho de 2026By
Da Redação
A Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) disponibilizou nesta sexta-feira (26 de junho) mais uma edição do programa Explicando Direito, iniciativa que busca levar à sociedade temas jurídicos relevantes de forma clara e acessível. O novo episódio trata da garantia de direitos na Justiça Juvenil, um assunto essencial para compreender o papel do Poder Judiciário na proteção de adolescentes em conflito com a lei e na aplicação adequada das medidas socioeducativas.
Para abordar o tema, o programa recebe o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná Ruy Muggiati, que atualmente atua como coordenador adjunto do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF/CNJ). Durante a entrevista, o magistrado contextualiza a atuação da Justiça Juvenil no Brasil e destaca sua inserção no Sistema de Garantias de Direitos previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
De acordo com Muggiati, o sistema socioeducativo tem como finalidade responsabilizar o adolescente autor de ato infracional de forma cuidadosa e com caráter pedagógico. Segundo ele, trata-se de uma responsabilização que busca proporcionar um caminho positivo, permitindo ao adolescente se integrar à sociedade com autonomia e responsabilidade. Ele ressalta que a abordagem deve considerar a condição de pessoa em desenvolvimento, garantindo intervenções proporcionais e com foco educativo.
O desembargador também destaca que os adolescentes devem ter assegurados direitos fundamentais desde o início do processo, como presunção de inocência, direito à defesa e ao convívio familiar, além de garantias específicas relacionadas à sua vulnerabilidade. “É necessário que a intervenção tenha um conteúdo cuidadoso, que não produza estigmas e contribua para que o adolescente supere essa fase e construa um projeto de vida saudável”, pontua.
Outro ponto abordado na entrevista são os desafios enfrentados pelo Poder Judiciário e pelo Conselho Nacional de Justiça na fiscalização das unidades socioeducativas, especialmente nos regimes de internação e semiliberdade. Muggiati enfatiza a importância de ambientes adequados, com condições de habitabilidade, acesso à educação, atividades culturais e formação profissional, capazes de promover desenvolvimento e oportunidades aos jovens.
Ao refletir sobre o objetivo das medidas socioeducativas, o magistrado reforça que o propósito central é a reinserção social. “A finalidade é permitir que a pessoa retorne à convivência social de forma harmônica, exercendo a liberdade com responsabilidade”, conclui, ao alertar ainda para os desafios contemporâneos, como a evasão escolar, a dificuldade de acesso ao trabalho e o risco de cooptação de adolescentes por organizações criminosas.
Clique neste link para assistir à íntegra do programa.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
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