Tribunal de Justiça de MT

Pessoas atendidas no Centro Especializado do Fórum de Cuiabá aprovam acolhimento do Judiciário

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A dona de casa Vilma da Silva* procurou o Poder Judiciário de Mato Grosso para se informar sobre o processo que o filho dela responde na Justiça Estadual. Foi atendida pela equipe do Centro de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais, instalado no Fórum de Cuiabá, que além de suporte jurídico, oferece atendimento psicológico e assistencial, e inclusive encaminha vítimas de crimes de qualquer natureza a programas sociais.
 

“Foi uma acolhida incrível. Cheguei desesperada, chorei, conversei e foi muito legal”, avaliou Vilma.
 
Maria da Glória* foi ao Fórum da Capital com a filha para participar de uma audiência de conciliação de reconhecimento de paternidade. Saiu sem conseguir um acordo. Ficou bastante abalada. Foi acolhida pela equipe multidisciplinar. Recebeu o atendimento e foi encaminhada para assistência social e atendimento psicológico, a filha dela também recebeu o mesmo encaminhamento.
 
“Aqui a gente conversou. Encontrei uma paz interior. Gostei muito daqui do centro. Estou satisfeita”, disse aprovando o serviço.
 
O local começou a funcionar em julho de 2022. Em seis meses registou 718 atendimentos. Conta com uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos e assistentes sociais, qualificada para realizar os atendimentos de forma integrada e humanizada para que aquela pessoa que busca auxilia no judiciário tenha acesso a todos os seus direitos.
 
“Aqui a agente faz o acolhimento, a escuta da pessoa, para saber o que ela necessita, pois cada um é diferente do outro. Uma pessoa precisa de um encaminhamento para um lugar, outra só da escuta, outra de orientação”, explica a psicóloga Bárbara Santana da Silva, que integra a equipe multidisciplinar.
 
O ambiente foi estruturado para receber as vítimas com todo cuidado. Conta com a recepção confortável, uma sala de atendimento simples, porém aconchegante e uma brinquedoteca casa o atendimento tenha crianças envolvidas.
 
“A pessoa que é atendida pela equipe sente que o Poder Público está olhando para ela não só para o autor do crime. A pessoa que cometeu o crime precisa sim passar por uma ressocialização para não voltar a praticar. Mas e a vítima? A vítima precisa de tratamento para superar os traumas e conseguir voltar a levar uma vida normal”, analisa a juíza da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher da Capital, Ana Graziela Vaz de Campos.
 
Contato 
 
O Centro de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais está localizado no subsolo do Fórum de Cuiabá, próximo ao setor Psicossocial e ao Ambulatório. Os(as) interessados(as) podem entrar em contato pelo telefone (65) 3648-6598, Whatsapp (65) 99247-1462 ou pelo e-mail [email protected].
 
 
*Nomes fictícios para preservar as identidades das vítimas
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Descrição das imagens: Imagem 1 – Foto retangular colorida do atendimento recebido pela Dona Vilma*
Imagem 2 – Foto retangular colorida sentadas uma ao lado do outra, mãe segura a mão da filha.
Imagem 3 – Foto retangular colorida juíza Ana Graziela.
 
 
Alcione dos Anjos/ TV.jus
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 

 

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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