Tribunal de Justiça de MT

Poder Judiciário comemora com parceiros sucesso da Semana Nacional do Registro Civil

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Em cinco dias de atendimento da Semana Nacional do Registro Civil – Registre-se o Poder Judiciário e parceiros conseguiram realizar 1463 atendimentos em Cuiabá. O número foi apresentado durante reunião de balanço da campanha promovida pela Corregedoria-Geral de Justiça (CGJ). O encontro reuniu representantes de 13 instituições parceiras da CGJ, segunda-feira (5), no auditório do Espaço Justiça, Cultura e Arte – Desembargador Gervásio Leite, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
 
As instituições parcerias que disponibilizaram 156 colaboradores que, durante os dias 8 a 12 de maio deste ano, estiveram nos dois pontos de atendimento disponibilizados na Capital (Fundação Nova Chance – FUNAC e Faculdade de Tecnologia do Senai-MT – FATEC). Nesses locais, foram atendidas pessoas socialmente vulnerável (pessoas em situação de rua, povos originários, população ribeirinha, refugiados, população em cumprimento de medidas de segurança, situação manicomial e população carcerária).
 
“O objetivo desta reunião é expressar a gratidão e o reconhecimento do Poder Judiciário aos parceiros da ação Registre-se. Sozinhos, não conseguiríamos fazer nada. Eles foram os verdadeiros protagonistas dessa campanha”, elogiou o corregedor-geral da Justiça, desembargador Juvenal Pereira Leite.
 
A presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino, enfatizou o êxito da ação e reforçou a necessidade do compromisso contínuo. “Parabenizo a todos os envolvidos e lembro que a semana do Registre-se terminou, mas nossa missão não termina. Ela estará completa somente quando cada brasileiro e brasileira tiver o seu registro de nascimento. Faço um apelo para que continuemos unidos em prol dessa causa”, declarou.
 
O juiz auxiliar da CGJ-MT, Eduardo Calmon, que liderou os trabalhos, expressou sua satisfação e agradeceu a todos os parceiros envolvidos: “Hoje é um dia de comemoração da convergência de interesses em benefício da sociedade mato-grossense, em especial aos mais vulneráveis. Reunimos todos os parceiros que foram essenciais para o sucesso dos registros civis realizados durante essa semana tão importante, conforme definido pelo Conselho Nacional de Justiça”, declarou o juiz auxiliar, que deixou uma mensagem aos parceiros. “Queremos avançar ainda mais no próximo ano, por isso precisamos do apoio de todos eles e principalmente do material humano para a próxima etapa”.
 
Membros do Poder Judiciário ofertaram aos parceiros certificados de agradecimento pela participação no Registre-se. A presidente do TJMT entregou a honraria ao Secretário Adjunto de Administração Penitenciária (SAAP), Jean Carlos Gonçalves. “Esta iniciativa foi muito positiva. Tivemos o atendimento de 376 reeducandos, que não estavam inseridos em frentes de estudo ou trabalho por falta de documentação. Com essa campanha, conseguimos os documentos dessas pessoas, e agora elas já estão inseridas nos projetos de trabalho remunerado na SAAP. Queremos sugerir que a Corregedoria leve o Registre-se para o interior das unidades prisionais na próxima edição, o que facilitaria muito e triplicaria os atendimentos”, declarou.
 
Logo em seguida, o corregedor-geral agraciou com o certificado à presidente da Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso (Anoreg-MT), Velenice Dias de Almeida, que declarou estar muito feliz por ter participado da campanha. “Foi um sucesso absoluto, e isso não nos surpreende, pois a Corregedoria desde o início fez reuniões, ouviu todos os envolvidos, fez um planejamento, e todos demos as mãos para atender aquele público que vive em situação de vulnerabilidade. E este é o nosso maior prêmio. Parabenizo a Corregedoria pela liderança e todos os demais parceiros que colaboraram. A Anoreg está muito grata por ter participado da campanha”.
 
Eduardo Calmon entregou o certificado de agradecimento à Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência de Cuiabá (SADHPD), Hellen Ferreira. “A prefeitura de Cuiabá, por meio da SADHPD, sente-se honrada em poder contemplar aquele público que é mais vulnerável, os invisíveis, a população em situação de rua, a população LGBTQIA+, que tanto precisam e carecem de serviços públicos mais próximos de si. Nós ficamos responsáveis pelo convite, pelo translado, fazendo esse deslocamento até o local dessa população, e assim pudemos garantir esse acesso aos direitos de cidadania para toda a nossa população. Foi muito trabalho, mas que valeu a pena. A gente sai daqui muito feliz e torcendo para que parcerias como esta se repitam e atendam toda a população”, afirmou.
 
O presidente da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-MT), Rodrigo Castro, também recebeu seu certificado e se colocou à disposição para o próximo ano. “A semana do Registre-se para a Arpen foi muito importante. Quando se fala de documentação de pessoas vulneráveis, parte do registro civil, porque essa documentação só é possível a partir do momento que é localizado o registro de nascimento ou do casamento dessa pessoa. Esse documento emitido passa a servir de subsídio para a realização dos demais documentos. A ideia é que esse evento se repita anualmente. Vamos pegar esta primeira experiência e aprimorar para que os próximos sejam ainda melhores”.
 
Números – Do total de 1.463 pessoas atendidas, 755 foram para a emissão de certidões, 404 para a emissão de carteiras de identidade nacional e 186 atendimentos realizados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT). Também foram mencionados os atendimentos específicos direcionados ao público-alvo, com 163 atendimentos para a população em situação de rua, 290 para egressos do regime fechado, 261 para egressos do regime semiaberto e 50 para imigrantes e refugiados.
 
Campanha Registre-se! – Faz parte do Programa de Enfrentamento ao Sub-registro Civil e de Ampliação ao Acesso à Documentação Básica por Pessoas Vulneráveis, criado pela Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) e é promovida pelos Tribunais de Justiça. Em Mato Grosso, dedicou-se à emissão de documentos, como Carteira de Identidade Nacional, Título de Eleitor, segunda via da Certidão de Nascimento e de Casamento, para pessoas em situação de rua e/ou vulnerabilidade social, pessoas trans, egressos do sistema prisional e imigrantes em Cuiabá.
 
Além dos parceiros citados, também participaram da campanha: Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPF-MT), Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Polícia Federal (PF), Fórum da Capital, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), Cartórios 3º Ofício da Comarca de Cuiabá, da Guia, e do Coxipó do Ouro.
 
#Paratodosverem Esta matéria possui recursos de texto alternativo para inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagens. Foto 1 – Participantes da campanha posam para foto com o corregedor e juiz auxiliar. Foto 2 – Corregedor-geral agradece empenho dos parceiros. Foto 3 – Presidente do TJMT prestigia a reunião. Foto 4 – juiz Eduardo Calmon demonstra números dos atendimentos. Foto 5 – Presidente do TJ e corregedor posam para registro da entrega certificado ao secretário adjunto de Administração Penitenciária. Foto 6 – Presidente da Anoreg concede entrevista. Foto 7 – Juvenal Pereira e Eduardo Calmon registram momento da entrega do certificado à secretária Hellen Ferreira. Foto 8 – Presidente da Arpen se prepara para Edição 2024.
 
Alcione dos Anjos/Fotos Adilson Cunha
Assessoria de Comunicação CGJ-MT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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