Tribunal de Justiça de MT

Poder Judiciário de Mato Grosso

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A comitiva da ressocialização do Poder Judiciário de Mato Grosso continua a série de visitações nas unidades prisionais do norte do Estado. O Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF/MT), visitou a unidade carcerária da Comarca de Colíder, no último dia 2 (quinta-feira).
 
Inspeção Cadeia Pública Feminina de Colíder – A unidade feminina de Colíder possui 52 recuperandas. Destas, 23 estudam no Ensino Fundamental ou Médio na cadeia pública. As mulheres privadas de liberdade participaram em 2022 de cursos oferecidos em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), como formação em panificação e cabelereira.
 
O supervisor do GMF/MT, desembargador Orlando Perri afirmou que a cadeia pública é bastante antiga e que será necessária uma nova unidade feminina. “O Governo de Mato Grosso deve construir uma nova unidade aqui nessa Comarca, o quanto antes, pois a estrutura é precária e não oferece condições ideais para ressocialização.”
 
O líder do GMF pontuou que a maioria das mulheres privadas de liberdade está há bastante tempo na unidade e que as recuperandas anseiam por oportunidades de trabalho e estudo. “Para nossa surpresa, muitas delas possuem o ensino médio e pretendem fazer um curso superior. Vamos propiciar a elas a graduação e o trabalho que tanto almejam.”
 
Segundo o responsável pela vara de execução penal de Colíder, juiz Maurício Alexandre Ribeiro, é uma satisfação receber a inspeção na comarca. “A equipe do GMF tem o intuito de ouvir as demandas das recuperandas, visando à humanização no cumprimento da pena e no processo de ressocialização. Elas participaram de diversos cursos e agora vamos iniciar, junto a Fundação Nova Chance, os trabalhos externos de quatro apenadas na prefeitura.”
 
Reunião com executivo municipal – O desembargador Orlando Perri se reuniu com o prefeito de Colíder, Hemerson Lourenço Máximo (Maninho), com objetivo de tratar sobre a aquisição, pela prefeitura, de produtos que serão produzidos pela oficina de costura da unidade feminina, ainda a ser implementada na comarca. Outro objetivo do encontro foi apresentar o Escritório Social ao município.
 
“Queremos oferecer oportunidades aos empresários e industriais e ampliar as parcerias com o município. Nós temos condições de contribuir com o trabalho de recuperandas em nossa sociedade. E para isso, evidentemente, precisamos quebrar o grave preconceito que ainda recai sobre as pessoas privadas de liberdade”, destacou o desembargador.
 
Para o gestor do município, a reunião com a equipe do GMF foi muito positiva. “Essa parceria com o Judiciário é muito importante para ressocialização. Temos certeza que vamos conseguir avançar muito nesse trabalho, com as recuperandas, oportunizando políticas públicas para que elas voltem ainda melhores para a sociedade.”
 
Experiência Transformadora – Dentre muitas histórias presentes na unidade de Colíder, uma experiência transformadora chamou a atenção de todos. A recuperanda G.B.S. está há 9 meses na cadeia feminina e conta que apesar de ter passado momentos muito difíceis lá dentro, o estudo mudou a sua perspectiva de vida.
 
“Estar aqui foi uma coisa ruim que veio para o bem. Voltei a estudar, a viver de verdade e vi que o crime não vale a pena. Eu tenho o sonho muito grande de ser pediatra e com muita fé eu vou conseguir, estou estudando para isso. E se aparecerem outras oportunidades eu vou aproveitar, vou abraçar com unhas e garras”, explica a recuperanda.
 
A privada de liberdade também conta que a oportunidade foi fundamental neste momento de transformação. “Eu entrei com a cabeça muito ruim aqui dentro, com pensamento de maldade. Agora eu tenho outros pensamentos, penso muito nas minhas filhas. Quando estamos na vida do crime, a gente não pensa em família, só quer saber de fazer coisas erradas.”
 
“Agora estou muito feliz, fiz o Enceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos) e cursos de panificação e cabelereira. Eu vou fazer tudo o que eu puder para mudar a minha vida e sair daqui outra mulher, realizando o meu sonho de ser pediatra”, conclui G.B.S.
 
Participaram também das vistorias nas unidades prisionais do norte do Estado o coordenador do GMF, juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, o secretário-adjunto de Administração Penitenciária, Jean Gonçalves, a superintendente de Políticas Penitenciárias, Fabiana Siqueira, o assessor técnico de Administração Penitenciária, Edson Pereira da Cruz, o superintendente da Regional Oeste do Sistema Penitenciário, Anderson Santana da Costa e o presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Primeira imagem: desembargador Orlando Perri junto às grades de uma cela, conversando com as recuperandos. Ao fundo membros do GMF observam a inspeção.
 
Marco Cappelletti/ Fotos Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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