Tribunal de Justiça de MT

População de Querência dobra e Comarca reduz pela metade acervo de processos

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O Censo 2022 comprova o crescimento vertiginoso da cidade de Querência (945 km a nordeste de Cuiabá), atualmente com cerca de 30 mil habitantes, o município teve um aumento de 124% desde 2010, o maior da região do Médio Araguaia segundo dados divulgados pelo IBGE. Apesar do aumento populacional, um dado estatístico chama a atenção positivamente: a comarca de Querência reduziu quase pela metade o acervo processual, desde 2017.
 
Segundo dados da Corregedoria-Geral de Justiça de Mato Grosso, o acervo da comarca de Querência era de 4.535 processos, no fim de janeiro de 2017. Atualmente, existem 2.428 processos em trâmite na unidade. E a redução somente foi possível em razão dos milhares de processos arquivados que superaram os casos novos distribuídos no mesmo período.
 
Segundo o juiz da Vara Única de Querência, Thalles Nóbrega Miranda Rezende de Britto, os avanços da comarca se mostraram persistentes ao longo dos anos. “Apesar do grande aumento populacional isso não refletiu no acervo processual, que está sendo reduzido gradativamente”, detalha.
 
As boas práticas e a união de todos foram algumas das características que fizeram com que a comarca fosse a primeira Vara Única do estado a se tornar 100% virtual, com a digitalização de todos os processos que ainda tramitavam na forma física em 2019. “Gostaria de enaltecer a atuação dos servidores da comarca que, além de absorverem a crescente demanda processual, foram fundamentais na digitalização de todo o acervo, o que foi comprovado como um grande avanço para a redução da taxa de congestionamento”.
 
Para o promotor de Justiça do munícipio, Edinaldo dos Santos Coelho, a queda do acervo processual trouxe maior celeridade a população. “Nós últimos anos, principalmente com a pandemia, percebemos uma melhora em diversos pontos como: na intimação, na realização de audiências de custódia virtuais, na rapidez com que os processos recebem vistas, na virtualização do inquérito policial, e outras ações que facilitaram os processos e consequentemente eles estão andando mais rápido. Mesmo com o aumento populacional e de ser uma Comarca com Vara Única. E a sociedade só ganha com isso”, afirma.
 
Mesmo pensamento do advogado e procurador do município, Anderson Lopes Alves. “Apesar do aumento populacional a Vara de Querência aumentou sua produtividade e como consequência tivemos a queda no número de processos. Um trabalho muito bom, que trouxe celeridade para advogados e para o jurisdicionado, que foi o grande beneficiado”, pontua.
 
Já o delegado Danilo Rodrigues Barbosa destaca a importância da união entre os atores, Polícia, Ministério Público e Judiciário para esses bons números. “Acredito que estamos todos comprometidos em atender a população. E apesar do nosso crescimento populacional a Vara conseguiu atender as demandas reprimidas e isso traz celeridade. Ações como audiência via vídeo conferência e integração entre os sistemas do MP, Polícia e Judiciário também ajudaram bastante para isso”.
 
#Paratodosverem Esta matéria possui recursos de texto alternativo para inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: primeira imagem: foto horizontal colorida. Painel com dados sobre a produtividade da Vara.
 
Larissa Klein/Ranniery Queiroz
Assessoria de Imprensa CGJ-MT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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