Tribunal de Justiça de MT

Presidente do TJMT recebe representantes da Associação dos Familiares Vítimas de Violência

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A presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Clarice Claudino da Silva, recebeu nessa segunda-feira (22 de janeiro) representantes da Associação dos Familiares Vítimas de Violência de Mato Grosso (AFVV/MT). O objetivo do encontro foi trazer ao Poder Judiciário os anseios, expectativas e dores de quem busca na Justiça alguma reparação por crimes dolosos que tiraram a vida de seus filhos, pais, mães e outros entes queridos.
 
O presidente da associação, Wantuir Luiz Pereira, é advogado e abordou a necessidade de haver um acolhimento mais humanizado por parte do Judiciário para os familiares, especialmente quando vão acompanhar as audiências de julgamento nas varas criminais das comarcas.
 
“Os familiares esperam que o Judiciário seja um porto seguro, que haja uma forma de atuação mais humanizada, um tratamento digno, porque eles têm uma vulnerabilidade a mais. Eles precisam de um local para ouvir e orientar”, defendeu o presidente da associação.
 
A desembargadora-presidente ressaltou que já existe o Centro de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais no Fórum de Cuiabá desde 2022 e no Fórum de Várzea Grande desde 2023, justamente com esse intuito, de ser um equipamento adequado para receber vítimas de crimes quando estão nas dependências do fórum, sendo recebidas por uma equipe multidisciplinar capacitada para dar todo o apoio e amparo aos cidadãos.
 
Acolhimento humanizado, atendimento psicológico, serviço social, encaminhamentos a programas sociais, serviço de consulta processual e espaço kids para permanência de crianças e adolescentes são alguns dos serviços ofertados pelo setor. A intenção da presidente agora é ampliar essa atuação para contemplar os familiares das vítimas.
 
Além disso, a presidente também falou do trabalho desenvolvido no âmbito da Justiça Restaurativa, que busca levar o protagonismo à vítima ou a quem a representa, quem sofre o dano, que não é levado em consideração dentro do sistema processual tradicional.
 
“Nós temos feito muito esforço em qualificar nossos servidores. Hoje o principal objetivo da nossa administração é cuidar das pessoas, investimos muito nessa área. Eu acolho a dor de vocês e me coloco à disposição. A sensação de não conseguir fazer justiça é muito penosa. As práticas restaurativas não tiram a penalidade, mas encontram um caminho onde a pessoa se restabelece emocionalmente”, pontuou a presidente.
 
A partir da reunião, ficou definido que a associação enviará à Presidência do TJMT um requerimento para a ampliação dos serviços dos centros de atendimento às vítimas de violência para os familiares também.
 
Participaram do encontro as associadas Rose Velasco, cujo filho foi vítima de homicídio há cerca de três anos na cidade de Sinop e Sylvia Tolentino de Oliveira, cujo filho também foi vítima de homicídio há sete anos em Cuiabá.
 
“Fiquei muito contente por ela ouvir a gente, entender o valor que tem a associação e nós, que somos vítimas, que lutamos pelos nossos filhos. Essa dor é muito grande, não tem como tirar, nós sofremos muito”, pontuou Sylvia.
 
Rose contou um pouco de seu caso, externou o medo que ela e a família sentem pelo fato de que os autores do homicídio de seu filho não terem sido identificados até hoje, além de ressaltar que o desejo das famílias nunca é a vingança, mas sim a justiça e a segurança de que os mesmos assassinos não façam mais vítimas.
 
“Nós não conseguimos atender a todos, ao passo que se o Poder Judiciário amplia esse serviço, a possibilidade de outras famílias serem atendidas é bem maior. É isso que nós queremos, que todas as famílias, principalmente aquelas mais necessitadas, que passam pela situação que nós passamos, sejam atendidas com respeito, dignidade e com um tratamento humanizado”, ressaltou.
 
Para quem quiser entrar em contato e conhecer melhor a AFVV, a associação está localizada na Rua Barão de Melgaço, esquina com a Rua 12 de Outubro, Sala 203, nº 3988, Edifício Leblon, Centro, Cuiabá. O telefone de contato é o (65) 99249-9090.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto horizontal colorida da sala da presidente, onde ela está sentada diante de uma mesa grande de madeira com tampo de vidro e em frente estão Wantuir, Rose e Sylvia. Wantuir fala e gesticula com as duas mãos, Rose olha para baixo e Sylvia olha para ele, assim como a presidente Clarice. A sala é decorada com quadros, espelho, vasos de plantas, tapete e no canto superior direito há bandeiras do Brasil, de Mato Grosso e de Cuiabá.
 
Mylena Petrucelli/Foto: Ednilson Aguiar
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Idoso garante na Justiça continuidade de tratamento oftalmológico

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A imagem apresenta uma balança dourada, símbolo da justiça, centralizada em um fundo branco. À direita da base da balança, as letras "TJMT" em dourado. No lado direito, a frase "2ª INSTÂNCIA" em azul e "DECISÃO DO DIA" em azul escuro e negrito. No lado esquerdo, três linhas horizontais azul-marinho.Resumo:

  • Clínica oftalmológica deverá manter e custear integralmente tratamento de idoso após agravamento de problema ocular.
  • A decisão garante continuidade da assistência médica mesmo sem perícia conclusiva sobre responsabilidade.

Um idoso de 84 anos conseguiu manter decisão que obriga uma clínica oftalmológica a custear integralmente seu tratamento ocular, incluindo consultas, exames, procedimentos ambulatoriais e medicamentos prescritos, após mudança no quadro clínico que tornou inadequada a cirurgia inicialmente determinada. A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso negou recurso da empresa e confirmou a tutela de urgência.

O paciente ajuizou ação de obrigação de fazer com pedido de indenização por danos morais e materiais. Inicialmente, havia sido determinada a realização de cirurgia de vitrectomia para retirada de substância ocular. Contudo, com a evolução do quadro e a realização do procedimento, a medida perdeu o objeto. Diante disso, o juízo de origem adequou a tutela para garantir a continuidade do tratamento clínico voltado à recuperação da córnea e à preservação da visão do olho direito.

A clínica recorreu, sustentando que a nova decisão impôs obrigação ampla e contínua de custeio sem delimitação técnica ou temporal, bem como sem realização prévia de perícia médica para comprovar eventual nexo causal entre sua conduta e o atual problema. Alegou ainda que o comprometimento visual teria relação com cirurgia anterior realizada em outra unidade de saúde e que parte do atendimento vinha sendo viabilizada pelo Sistema Único de Saúde.

Ao analisar o recurso, a relatora, desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, destacou que a decisão questionada apenas ajustou a tutela de urgência à realidade clínica superveniente, conforme autoriza o artigo 296 do Código de Processo Civil. Ressaltou que, nesta fase processual, não se discute de forma definitiva a existência de erro médico ou responsabilidade civil, matérias que dependem de instrução probatória mais aprofundada, inclusive eventual perícia.

Segundo o entendimento adotado, a ausência de laudo conclusivo não impede a adoção de providências emergenciais quando há risco de agravamento da saúde, especialmente em se tratando de paciente idoso e com quadro ocular sensível. A manutenção do tratamento foi considerada medida reversível e necessária para evitar possível piora da visão.

O colegiado também afastou o argumento de que a clínica não poderia ser obrigada a fornecer medicamentos por não possuir farmácia própria. A decisão permite, alternativamente, o depósito judicial do valor correspondente para que o paciente adquira os colírios e demais remédios prescritos.

Em relação à multa diária, foi mantida a fixação de R$ 200 por dia em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 10 mil. Para a relatora, o valor é proporcional e adequado para assegurar o cumprimento da ordem.

Processo nº 1007607-59.2026.8.11.0000

Autor: Flávia Borges

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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