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Presidente do TJMT se reúne com defensora pública para tratar da 17ª Edição do Ribeirinho Cidadão

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A presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) desembargadora Clarice Claudino da Silva, recebeu na tarde desta terça-feira (30 de janeiro), a defensora pública-geral do Estado, Maria Luziane Ribeiro de Castro, para uma reunião de alinhamento dos últimos detalhes da 17ª edição do projeto Ribeirinho Cidadão, que este ano inaugura uma nova rota para atender moradores de regiões que margeiam os rios de Mato Grosso, com serviços das áreas da justiça, saúde, cidadania e equidade.
 
A nova “Rota das Águas” atenderá a população dos municípios de Rio Branco, Salto do Céu, Jauru e Porto Esperidião entre os dias 17 e 27 de março. Na segunda etapa do projeto, de 09 a 14 de abril, os serviços serão prestados em São Pedro de Joselândia e Porto Brandão, ambos Distritos do município de Barão de Melgaço.
 
“Já decidimos as datas e roteiros, agora partimos para a formalização das parcerias com as prefeituras dos municípios e também com a organização das equipes da Justiça Comunitária (do TJMT) que farão as tratativas iniciais nos locais onde estarão sendo prestados os serviços juntamente com os da Defensoria Pública e demais parceiros.”, explicou a desembargadora.
 
A defensora pública afirmou que, como não havia atendimentos da Defensoria Pública de Mato Grosso na região dos municípios que estão na nova rota, a expectativa é de que a demanda por atendimentos seja alta. “Então como nós iniciamos o atendimento este ano, acreditamos que tem muita demanda represada, principalmente de questão jurídica. Acreditamos que levar o Ribeirinho Cidadão para lá este ano, será bem interessante para eliminar as demandas, inclusive, com as audiências de conciliação que fizemos bastante no ano passado.”
 
A presidente do TJMT, disse que é preciso entrelaçar os objetivos porque isso otimiza muito o trabalho do projeto Ribeirinho Cidadão. “Quanto mais gente conhecer a metodologia da Conciliação, da Mediação, mas fortalecida ficará a cultura da Pacificação”, completou ela.
 
As localidades de São Pedro de Joselândia e Porto Brandão serão atendidas em abril e o navio da Marinha do Brasil estará presente, já que deve chegar à capital até o dia do aniversário de Cuiabá, no dia 08 de abril.
 
A coordenadora da Coordenadoria de Ações e Interações Comunitárias (Caic), da Defensoria Pública de Mato Grosso, Pâmela Watanabe acompanhou a reunião.
 
O Projeto Ribeirinho Cidadão é realizado pelo Poder Judiciário e Defensoria Pública que conta a colaboração de inúmeros órgãos estaduais e federais.
 
Essa matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência: Foto 1: A imagem mostra três mulheres sentadas ao redor de uma escrivaninha com tampo de vidro, duas morenas com cabelos escuros e compridos e uma senhora branca e loira, de cabelos claros. Elas estão conversando descontraidamente e sorrindo.
 
Marcia Marafon/ Fotos: Ednilson Aguiar
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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