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Professores de Sinop recebem certificação de facilitadores de Círculos de Construção de Paz

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A segunda turma de facilitadores dos Círculos de Construção de Paz, composta por 106 professores e professoras das redes municipal e estadual de ensino de Sinop (421 km de Cuiabá) receberam, nesta segunda-feira (11.12), o certificado de conclusão do curso. O evento foi realizado pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Comarca de Sinop, em parceria com o Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
 
A presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva, também presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), tem como uma das prioridades de sua gestão, a expansão da prática de uma Justiça mais inclusiva, pacificadora, humanizada e acessível a todos (as) mato-grossenses.
 
“Eu acredito e tenho vivenciado experiências para depositar nesta metodologia uma grande esperança. Esperança na singeleza, na simplicidade que essa metodologia nos oferece. E sentados em um círculo, voltando às nossas origens possamos voltar a refletir e enxergar os outros na sua verdadeira essência. Os círculos nos propõem isso. (…) Vivemos a era em que a velocidade do pensamento é tão grande e os estímulos da comunicação maiores ainda, que perdemos o hábito de nos conectar com os nossos sentimentos e isso não é bom. Isso nos deixa frágeis. (…) Me sinto feliz em saber que em Sinop temos mais 106 seres humanos com uma sementeira infinita em suas mãos para distribuir em casa, na escola, na rua essas sementes. (…) Nós aguardaremos com muita esperança que os frutos possam ser multiplicados e que Sinop, essa cidade próspera e pujante, possa se beneficiar”, declarou a desembargadora, durante a solenidade.
 
Durante sua fala, o coordenador do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do TJMT, juiz auxiliar da presidência Túlio Duailibi Souza Alves, agradeceu a confiança que o Poder Executivo de Sinop depositou no Poder Judiciário de Mato Grosso ao pactuar o termo de cooperação para a realização dos Círculos de Construção de Paz no município. “Como juiz coordenador do NugJur eu gostaria de agradecer imensamente a confiança e que daqui para frente possamos ser parceiros nessa semeadura da paz, principalmente no ambiente escolar.
 
A coordenadora do Núcleo da Justiça Restaurativa (NugJur) de Sinop, Débora Roberta Pain Caldas, disse que a primeira turma formou 13 facilitadoras de Círculos e que elas já realizaram mais de 700 círculos, com a participação de mais de oito mil pessoas em diversos locais, principalmente em escolas, mas também no Fórum com estagiários, servidores e terceirizados, na Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica, com mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
 
“Agora teremos mais 106 pessoas habilitadas a conduzir os Círculos e por meio destas pessoas, nós poderemos expandir ainda mais em Sinop e essa técnica será ofertada para um número muito maior de pessoas. Esses círculos são uma técnica de diálogo estruturado e as pessoas são presenteadas a participar, elas têm um ambiente seguro para olhar para si, para ouvir a história umas das outras e a partir disso transformar conflitos numa oportunidade de crescimento”, afirmou a magistrada.
 
A secretária municipal de Educação, Sandra Donato, disse que entende a parceria entre o Poder Judiciário e o município como um benefício porque os Círculos beneficiam as pessoas não só dentro do espaço escolar, mas nas famílias. Ela também anunciou a continuidade do programa. “Vemos com bons olhos todas as pessoas envolvidas com o Círculo de Paz porque é um benefício, principalmente, quando falamos em conflitos. Para o próximo ano temos a segunda etapa da formação .”
 
Compuseram a mesa de honra da solenidade e fizeram a entrega dos certificados aos facilitadores, a presidente do TJMT; o corregedor-geral de Justiça, desembargador Juvenal Pereira da Silva, o diretor do Foro da Comarca de Sinop, juiz Cleber Luís Zeferino de Paula; o prefeito de Sinop, Roberto Dorner; presidente da Câmara de Vereadores de Sinop e autor da lei municipal, vereador Paulinho Abreu; o juiz coordenador do NugJur-MT, juiz auxiliar da presidência Túlio Duailibi; secretário de Segurança Pública, César Roveri; o coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania de Sinop (Cejusc), juiz Cristiano Santos Fialho; coordenadora da Justiça Restaurativa da Comarca, juíza Débora Pain; presidente da OAB 6ª Subseção de Sinop, Dra. Xênia Guerra; coordenadora da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes de Sinop, Sandra da Conceição Donato Ferreira; representante a Diretoria Regional de Educação de Sinop, Cristiane Olinda Perinazzo Ceconi Signor.
 
Participaram da solenidade também, o desembargador Marcos Machado, juízes e juízas da Comarca de Sinop, delegados da Polícia Judiciária Civil, coordenador do curso de Direito da Fasipe, Norton Maldonado Dias, secretária municipal de Assistência Social, Sheila Pedroso, vice-presidente da OAB subseção Sinop, Reginaldo Monteiro de Oliveira, secretárias e secretários municipais, vereadores e vereadoras, diretora-geral do TJMT, Euzeni Paiva de Paula, gestora do NugJur, Cláudia Bezerra Cândia, diretores, coordenadores, assessores pedagógicos, representantes de entidades de classes, clubes e serviços, servidores e servidoras do Poder Judiciário, das secretarias municipais de Saúde e Assistência Social.
 
O coral de alunos da Escola Municipal Vereador Rodolfo Valter Kunze fez a apresentação de duas músicas durante a solenidade. Durante uma delas, as pessoas foram convidadas a se cumprimentarem e se abraçarem numa grande confraternização de amor ao próximo.
 
A capacitação – O curso teve carga horária de 40 horas/aula, 20 destas on-line, e o estágio foi composto pela aplicação de três Círculos de Paz com colegas e alunos. A prática dos Círculos de Paz nas escolas em Sinop é prevista pela Lei Municipal nº 3209/2023 que instituiu o Programa Municipal de Construção de Paz nas Escolas. O projeto de lei é de autoria do vereador Paulinho Abreu, atualmente, presidente da Câmara de Vereadores de Sinop.
No ambiente escolar, o Círculo de Construção de Paz ajuda na resolução de conflitos, no desenvolvimento da inteligência emocional e da cultura da paz, inclusive em casa.
 
A professora Regiane Milhorança foi uma das facilitadoras que receberam o certificado. Ela leciona na Escola Municipal de Ensino Básico Lizamara A. O. Almeida e conheceu o curso de maneira inusitada: foi parada numa blitz que o NugJur Sinop estava fazendo para informar sobre o curso. “A dra. Débora (Pain) parou meu carro e me falou sobre o curso. Me identifiquei com o conteúdo e me inscrevi. Foi a minha melhor escolha. Depois do curso, a gente começa a olhar com outros olhos os alunos, os colegas, a vida. É um autoconhecimento. Minhas colegas da escola querem fazer o curso também.”
 
O professor Márcio Pereira da Silva é diretor da Escola Estadual Renee Menezes e conheceu os Círculos de Construção de Paz durante uma experiência na Diretoria Regional de Educação (DRE), em Sinop. Assim, se interessou pela ferramenta.
 
“Quando surgiu a oportunidade de fazer o curso para facilitador abracei a ideia. Na escola o que mais tem é conflito. Conflito de funcionários, alunos, de pais. É uma ferramenta poderosíssima para resolver as questões de maneira pacífica e correta, sempre ouvindo os lados. Isso é importante. Muitos conflitos que surgem na escola, às vezes são levados para casa, para as ruas e acho que começando na escola (a prática do Círculo de Paz) é perfeito. Desde os pequenininhos até os mais velhos. Os alunos ficam desconfiados, não conhecem ainda a ferramenta, ficam tímidos em falar, mas acredito que com o passar do tempo, quando fizermos com mais frequência nas escolas, eles vão se familiarizar e vão ver que ajuda bastante tanto na escola quanto na família”, explicou ele.
 
Os Círculos de Construção de Paz nas escolas são uma ferramenta da Justiça Restaurativa estimulada e desenvolvida pela Resolução n.º 225/2016 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com tribunais, comunidade e redes de garantia de direitos locais. O ano de 2023 foi definido pelo Conselho Nacional de Justiça como o ano da Justiça Restaurativa na educação.
 
#Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Imagem panorâmica do auditório mostra todos os participantes do evento em pé, olhando para a câmara e sorrindo. Os facilitadores mostram seus certificados. Na primeira fila estão as autoridades que compuseram a mesa de honra e entregaram os certificados. Foto 2: A imagem mostra a presidente do TJMT sorrindo ao entregar um certificado a uma professora, que também sorri.
 
Marcia Marafon/ Fotos: Ednilson Aguiar
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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