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Projeto Ribeirinho Cidadão leva esperança e dignidade à Comunidade de Porto Brandão

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A esperança de dias melhores emergiu das águas cheias do Rio Cuiabá com a chegada da comitiva da dignidade na Comunidade de Porto Brandão.
 
Sabendo da vinda do Ribeirinho Cidadão à localidade, dona Alzira, de 64 anos, munida de sua fé, chamou seu esposo e acelerou o barco da família para aproveitar os serviços oferecidos aos moradores da área rural, no município de Barão de Melgaço (109 km ao sul da Capital).
 
Ao chegar no projeto, a idosa garantiu o atendimento médico no Navio de Assistência Hospitalar Tenente Maximiano (U-28), da Marinha do Brasil, e depois deixou a vacinação em dia, com a equipe da Imuniza Mais, com quatro doses de vacinas, sendo elas para Influenza, Covid-19, Hepatite e Tétano. Enquanto dona Alzira era imunizada, o marido, seu Gonçalves, regularizou a documentação do barco, também com a equipe da Marinha do Brasil.
 
Apesar da alegria por participar dos atendimentos e serviços disponibilizados gratuitamente, dona Alzira ainda tinha um sonho, conseguir que a equipe do projeto realizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, Defensoria Pública e parceiros fosse até sua casa, no outro lado do rio, atender a filha que estava sem mobilidade.
 
“Eu estou muito feliz com esse projeto, ajuda muito a gente. Mas eu estou preocupada com a minha filha que não pode vir, ela está com um problema que me deixou muito depressiva.”
 
Ao saber do anseio da moradora da comunidade, o juiz coordenador da Justiça Comunitária de Mato Grosso, José Antônio Bezerra Filho, prontamente mobilizou uma equipe do projeto, com médico, enfermeiro, assessor jurídico, defensor público e assistente social para dar suporte à filha da dona Alzira.
 
Com três barcos, a equipe se deslocou até a casa às margens do rio e se deparou com um cenário nada animador. A filha, Jaqueline de Souza Gonçalves, estava sentada em uma antiga cadeira de rodas, sem poder movimentar as pernas e com um dos olhos muito vermelho.
 
Após ser examinada pelo médico da Marinha, foi constatado então que os dois tendões da Jaqueline estavam rompidos, em face do sobrepeso, e que seu olho estava inflamado, precisando de ação imediata. Ela recebeu prontamente a medicação disponível na embarcação para o tratamento oftalmológico.
 
O médico generalista da Marinha, Albérico Rocha Lima Neto, destacou que a situação da paciente é grave, mas passível de recuperação. “No caso dela há a indicação de colocar próteses em ambos os joelhos. Os ligamentos estão rompidos, o menisco está deslocado, com uma artrose de grau quatro, o que está atrapalhando muito a qualidade de vida. Mas a expectativa é boa, após colocar as próteses e fazer a cirurgia necessária ela vai ficar bem e poderá voltar à vida normal.”
 
Jaqueline contou à equipe que também estava travando uma longa batalha com a obesidade e que aguarda a regulação do Sistema Único de Saúde para realizar uma cirurgia bariátrica. Foi então que o coordenador da Defensoria Pública no projeto Ribeirinho Cidadão, defensor Clodoaldo Queiroz, imediatamente recolheu os dados da paciente, para pedir prioridade na cirurgia de Jaqueline, tendo em vista a urgência e as consequências do caso.
 
“Aqui nós temos mais um exemplo da importância do projeto Ribeirinho Cidadão. Com a nossa presença aqui pudemos fazer o atendimento de saúde e o atendimento jurídico, os encaminhamentos necessários para agilizar a cirurgia que ela precisa, tanto administrativamente, pelo SUS, como de forma judicial, caso necessário. Já estamos buscando também uma estrutura melhor para ela, com uma cadeira de rodas adequada, uma cadeira de banho e a tentativa de um benefício previdenciário, com a equipe do INSS, caso ela tenha direito.”
 
O defensor público ressaltou a presença de uma equipe completa para prestação de atendimentos no projeto. “Essa é a relevância de toda essa equipe que está trabalhando aqui, se deslocando de suas casas, com sacrifício, no calor, para proporcionar essa mudança para melhor na vida das pessoas, como vai ocorrer aqui com o caso da Jaqueline.”
 
A moradora da beira do Rio Cuiabá também é mãe de um menino de seis anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e sua condição dificulta ainda mais o suporte à criança, por não possuir mobilidade.
 
“Eu tenho pais idosos, meu filho com essa condição e em vez de eu poder ajudar, eles que estão me ajudando. O meu psicológico fica muito abalado. Pois eu preciso estar bem logo, sadia, para poder auxiliá-los, porém hoje eu ainda não consigo fazer nada.”
 
A mãe do José afirmou que seu maior sonho é um dia correr com o filho, além de ajudar nos afazeres domésticos e trabalhar. “Eu só posso agradecer a Deus por enviar vocês aqui. Agora eu estou cheia de esperanças de andar e conseguir cuidar da minha família. Quero brincar com meu filho, pois isso é o que eu sinto mais falta. Poder dar o carinho e a atenção que ele merece.”
 
Jaqueline também agradeceu a ajuda do Ribeirinho Cidadão. “Eu já estava na expectativa, mas quando soube que talvez viriam até aqui, eu soube que podia contar com vocês. Esse é um projeto tão bonito, que ajuda tanta gente. Que vocês possam continuar a fazer esse serviço sempre, porque é muito bom para gente que fica aqui, longe, com tantas necessidades.”
 
Parceiros Ribeirinho Cidadão 2023 – São parceiros do projeto em 2023: Receita Federal, Instituto Galvan, Marinha do Brasil, Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp/MT), Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec/MT), Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MT), Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT), Ministério Público do Estado, Receita Federal, Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci/MT), Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Exército Brasileiro, Imuniza Mais, Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer/MT) e Prefeitura de Barão de Melgaço.
 
Próximas paradas – Distrito de São Pedro de Joselândia, 17 de abril, atendimentos das 8h às 12h – 13h às 17h;
Distrito de São Lourenço de Fátima, 19 de abril, atendimentos das 9h às 12h – 13 às 17h.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: fotografia colorida mostrando dois barcos navegando rio acima. Segunda imagem: fotografia colorida registrando o momento em que uma senhora idosa recebe a vacina no braço. Terceira imagem: fotografia colorida retratando o momento em que o profissional da Marinha realiza o atendimento a uma mulher. Ela está senda em uma cadeira de rodas. Quarta imagem: fotografia colorida retratando a família da dona Alzira.
 
Marco Cappelletti/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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