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Roberto Bacellar convida profissionais a atuarem com provenção de litígios e mediação pedagógica

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Desembargador Roberto Bacellar fala ao microfone, durante palestra. Ele é um senhor branco, de cabelos brancos, olhos escuros, usando camisa branca, paletó azul, gravata xadrez azul e cinza e óculos de grau.Provenção é um neologismo criado pelo diplomata e acadêmico John Wear Burton, em 1990, para tratar sobre o tratamento de conflitos sociais e que vem sendo utilizado pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) e membro do Comitê Gestor da Conciliação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Roberto Portugal Bacellar, para abordar o tratamento adequado de solução de conflitos. “Burton falava sobre isso dizendo que as palavras, nessa era que estamos vivendo, que é a pós-modernidade, não conseguem mais expressar aquilo que verdadeira a gente precisa dizer”.

Bacellar abordou o tema no 18ª Fórum Nacional de Mediação e Conciliação – Fonamec, nessa quinta-feira (27), na palestra “A mediação, o tratamento de conflitos e a provenção (prevenção-pró) de litígios”, no painel “Viveiro de ipê-rosa: cultivar hoje a primavera de amanhã”, moderada pelo juiz coordenador do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do TJ Goiás, Eduardo Peruffo. O evento é sediado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Nupemec.

Roberto Portugal Bacellar fez uma reflexão histórica e filosófica sobre a forma como os conflitos foram tratados pela sociedade e pelo Estado. “No passado, nós chegamos à conclusão de que todos nós deveríamos dar uma fração da nossa liberdade para que o Estado resolvesse todos os nossos conflitos. Agora, estamos passando por uma fase em que os cidadãos percebem que eles também podem resolver os seus conflitos, às vezes, de uma melhor maneira do que o próprio Estado”, disse.

O palestrante também apontou a forma como o assunto tradicionalmente foi tratado pelo Direito e pelo Poder Judiciário. “Os profissionais do Direito repetiram durante muitos anos: o que não está nos autos do processo não está no mundo. Porque para julgar eu tenho que ter premissas inafastáveis sobre as quais se incidirá a prova. Eu tenho que ter pontos controvertidos que vão transparecer. Então eu tenho que ter foco, senão, não serve. Agora, os profissionais da pós-modernidade, que somos nós, desta geração, estamos vivendo uma virada de chave que não é fácil de ser interpretada”, pontuou.

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Bacellar ressaltou ainda que os métodos autocompositvos passaram a ser disseminados, no início deste século, como forma de enfrentamento à chamada crise do sistema judiciário, marcada pelo excesso de litigância que culminou em grande volume de processos e lentidão na tramitação processual, gerando cobranças da sociedade por mais eficiência.

Diante disso, o palestrante destaca a mediação como uma virada de chave. Mas Bacellar vai além e ressalta a importância de prevenir as violências e os litígios, não os conflitos. “Os conflitos são naturais, não tem nada de ruim neles, eles podem ser oportunidades para que possamos crescer juntos, ampliar nossa consciência sobre as coisas que acontecem na sociedade. Então, vocês não são mediadores de conflitos. Vocês são mediadores e a mediação é pedagógica porque você estará tratando com seres humanos”, asseverou.

Foto em plano aberto que mostra o auditório lotado de pessoas assistindo a palestra de Roberto Bacellar, que está falando ao microfone, no palco. ao lado dele, está o mediador do painel, juiz Eduardo Peruffo.Aprofundando a explicação sobre o neologismo proposto para abordar a solução de conflitos, Bacellar destaca que o Brasil culturalmente trabalha com a ideia de prevenção, com uma característica de contenção, mas que a provenção não se trata de prevenir, ela vai além do óbvio. “Quando eu trabalho a ideia de provenção (prevenção-pró), é uma ideia que procura fazer encadeamentos sequenciais, dentro de uma visão ecossistêmica, que possa tentar imaginar, ainda que sem relação de causa e efeito imediata ou próxima no tempo, mas de todas as possibilidades”.

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Diante disso, trazendo esse conceito para os métodos consensuais de solução de conflitos, o magistrado afirma que é papel de todos os profissionais do Direito educar as pessoas sobre as melhores formas de tratamento dos conflitos. “Eu quero que as pessoas tenham uma solução que seja adequada e prévia, antes do litígio, antes da violência. A gente consegue isso com uma função pedagógica do juiz, do conciliador, do mediador, do advogado, do promotor de justiça…”.

O magistrado também fez uma crítica à forma como o termo “método adequado” tem sido utilizado, afirmando que o mesmo “só pode ser utilizado quando ele realmente for pensando como o mais adequado para o tratamento do conflito”. Além disso, apontou que, nesse sentido, a qualidade interessa mais do que a quantidade e afirmou ainda que os mediadores e conciliadores não tem compromisso com o acordo, mas sim em proporcionar às partes o diálogo e a conexão.

“Quando você está conectado com as pessoas, quando estabelece a principal ferramenta da conciliação, da mediação, de uma audiência pelo processo judicial tradicional, que é a escuta ativa, se eu fiz uma boa escuta ativa com as pessoas e me conectei com elas, as coisas acontecem! Eu vou conversar com as pessoas, buscar delas o verdadeiro interesse. Eu empodero, eu devolvo a elas o poder que elas sempre tiveram de elas mesmas resolverem os seus conflitos. E esse é o efeito da mediação pedagógica que promove o tratamento adequado de conflitos e a provenção de litígios”, concluiu.

Autor: Celly Silva

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Congresso reúne magistrados e especialistas para discutir transformações nas relações familiares

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Visão geral de um auditório lotado com pessoas de pé. No palco iluminado, autoridades perfiladas diante de um grande painel com a bandeira do Brasil. Um tapete vermelho cruza o corredor central.Começou na quarta-feira (24) o Congresso IBDFAM Mato Grosso – “Entre a terra, os laços e os algoritmos: o futuro do Direito das Famílias e Sucessões”. Com programação até sexta-feira (26), o evento reúne especialistas de diversas áreas para debater os impactos sociais, jurídicos e tecnológicos nas relações familiares atuais.

Realizado com apoio do Poder Judiciário de Mato Grosso, o congresso acontece no auditório do Fórum de Cuiabá. Estão em debate temas como “As transformações das famílias e suas contratualizações”, “Instrumentos de planejamento sucessório no agronegócio”, “Luto e litigância: como fica a criança”, “Namoro qualificado e união estável – a instrumentalização”, entre outros.

O Congresso IBDFAM é considerado um dos principais eventos da área no estado e conta com a participação de magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), profissionais do Direito, acadêmicos e especialistas para debater temas atuais relacionados às famílias, sucessões e aos impactos das novas tecnologias nas relações humanas.

Mulher de óculos e camisa branca fala ao microfone em um púlpito com o logotipo do Congresso IBDFAM Mato Grosso. Ao lado, uma intérprete de Libras e, ao fundo, as bandeiras do Brasil e do estado.Representando o presidente do TJMT, José Zuquim Nogueira, a juíza auxiliar da Presidência, Christiane da Costa Marques destacou que o evento preenche uma lacuna de muitos anos sem um encontro dessa magnitude no estado. Para ela, esses encontros ajudam a preparar e melhorar todo o sistema de justiça para o atendimento das demandas da sociedade.

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“Precisamos estar preparados para acolher o cidadão, pois ninguém vai ao fórum se não para resolver alguma situação que está o ferindo. Saliento sempre que o ideal é que a gente consiga fazer com que as pessoas deixem a nossa presença melhor do que elas chegaram, menos sofridas. Por isso, é importante a participação efetiva de todos do sistema de justiça”, disse a magistrada.

Mulher de cabelo preso e blazer floral brilhante concede entrevista, falando ao microfone da TV Jus. Ao fundo, um painel do IBDFAM Mato Grosso com o tema do evento sobre o Direito das Famílias.A presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) de Mato Grosso, Emanouelly Costa Nadaf, destacou que há cerca de 11 anos não era realizado um congresso de direitos de família e sucessões no estado. Nesse contexto, ela enfatizou que o apoio do TJMT foi fundamental para que o projeto saísse do papel.

“O Judiciário de Mato Grosso realmente abraçou essa causa, enxergando a grandiosidade e o quanto este evento vai ser transformador para todos que atuam nessa área. Então, só temos a agradecer, porque sem o TJMT não teríamos a possibilidade de construir esse ambiente para debater temas tão necessários e urgentes”, afirmou Emanouelly.

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Uma das palestrantes do congresso é a juíza Angela Regina Gama da Silveira Gutierres Gimenez, titular da 1ª Vara Especializada da Família e Sucessões de Cuiabá. A magistrada abordará o tema “Namoro qualificado e união estável – a instrumentalização”. Para a juíza, eventos como este qualificam os magistrados e geram impactos positivos no atendimento da população.

“Quanto mais preparados estejam todos os operadores da rede judicial, maior será o impacto na comunidade em geral. Isso nos fortalece e abre as nossas visões para as múltiplas realidades. Nós desejamos e estamos trabalhando para esse aprimoramento da justiça e de todo o circuito judicial para que a nossa população seja atendida cada vez mais com eficiência”, argumentou.

Também estavam presentes na solenidade de abertura a diretora do Foro da Comarca de Cuiabá, juíza Hanae Yamamura de Oliveira, o juiz Jamilson Haddad Campos, que é vice-presidente do IBDFAM de Mato Grosso, magistrados e magistradas do Poder Judiciário de Mato Grosso.

Autor: Bruno Vicente

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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