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TJMT celebra luta de Tereza de Benguela com ações afirmativas contra o racismo

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A imagem é um retrato em sépia de uma mulher preta, Tereza de Benguela, que transmite uma sensação de força e dignidade. Ela está posicionada de frente, olhando diretamente para o observador com um olhar penetrante e sério, mas que também parece carregar uma profunda sabedoria.Nesta sexta-feira (25 de julho), celebra-se o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. No Brasil, a data é dedicada à Tereza de Benguela, líder do Quilombo do Quariterê, instalado no território de Mato Grosso, no século XVIII. A luta de Tereza ainda promove mudanças e inspira ações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que constituiu, em março deste ano, o Comitê de Promoção da Equidade Racial, com o compromisso de promover a equidade e combater e prevenir o racismo estrutural e institucional no Poder Judiciário.

A coordenadora do Comitê, juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, destaca a importância da data e do papel do Judiciário na promoção da igualdade racial. “O dia é um momento simbólico que reconhece a resistência das mulheres negras. Mulheres que enfrentam o racismo, o sexismo e a desigualdade com resiliência, criatividade e esperança. Elas estão nas comunidades, nas universidades, nas ruas, nos espaços de poder e resistência, escrevendo a própria história apesar das tentativas de apagamento. Lembrar Tereza de Benguela é reconhecer o protagonismo negro feminino na construção das nossas sociedades. É reafirmar o compromisso com a justiça social, com a equidade racial e de gênero, e com a reparação histórica que ainda nos é devida”, pontua a magistrada.

Renata ainda reforça que a presença do comitê no TJMT é fazer lembrar que a data de hoje não deve ser somente simbólica. “Que este dia ultrapasse o simbolismo. Que seja chamado à ação, à escuta e à valorização das vozes negras femininas que moldam o presente e constroem o futuro”.

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Ancestralidade

Desde 1999, a historiadora, professora e doutora em Sociologia, Silviane Ramos, resgata e documenta o legado de Tereza de Benguela. Nessa imersão, a pesquisadora se descobriu descendente direta de Tereza de Benguela. Hoje, a descendente reforça a importância e legado deixado por sua ancestral.

“Uma mulher estrategista, resiliente, que já praticava formas de governança horizontalizadas e colaborativas muito antes de esses termos se tornarem populares. Tereza de Benguela era uma verdadeira líder coletiva. O Quilombo do Quariterê abrigava pessoas negras e indígenas, e até brancos que cometeram crime de lesa-coroa. Era um espaço diverso, plural, e mesmo com tantas cabeças pensantes diferentes, ela conseguiu unir e fortalecer o grupo. O que hoje chamamos de liderança inclusiva e gestão coletiva, Teresa já praticava há séculos”, recorda Silviane.

Além da atuação à frente do Comitê de Promoção da Equidade Racial, a juíza Renata do Carmo Evaristo busca ações formadoras para combater o racismo. Durante as audiências de custódia, que envolve crimes de injúria racial, a magistrada propõe como uma das cautelares, a participação em cursos sobre letramento racial e antirracismo.

A prática, ainda em fase experimental, busca sensibilizar os envolvidos sobre os impactos do racismo e promover a conscientização social como forma de prevenção à reincidência. “É uma forma de responsabilização com foco na educação. Queremos que a pessoa reflita sobre as atitudes, desconstrua preconceitos e entenda a gravidade do crime praticado. Acreditamos que esse caminho pode promover mudanças reais de comportamento”, explica a magistrada.

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Capacitação

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso investe em ações de formação para magistrados, servidores e colaboradores, com foco na promoção da equidade. Uma das iniciativas é o Curso de Letramento Racial e Antirracismo, promovido pela dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Esmagis-MT) em parceria com o Comitê de Equidade Racial.

A doutora Silviane Ramos, que também é presidente do coletivo Herdeiras do Quariterê, participou da coordenação do curso e ressalta a importância: “A formação é essencial porque o racismo é crime. E não se combate um crime com uma formação baseada na eurocentricidade e na branquitude. É preciso desconstruir o que foi ensinado como certo por tantas gerações. Só assim conseguimos transformar a estrutura”.

As ações do TJMT estão alinhadas com a Resolução nº 425/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que institui a Política Nacional de Enfrentamento ao Racismo no Poder Judiciário. As iniciativas também estão de acordo com a Resolução nº 254/2018, que trata da participação institucional do Judiciário no Pacto Nacional pela Primeira Infância, incluindo a promoção da igualdade racial nas políticas públicas.

Autor: Priscilla Silva

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mutirão Pai Presente começa em Mato Grosso com atendimento gratuito à população

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Durante 60 anos, a filha carregou uma ausência em sua certidão de nascimento, embora nunca tivesse faltado amor. O pai, com cerca de 90 anos, sempre esteve presente em sua vida, ajudou a criar a filha e nunca negou a paternidade. Faltava apenas oficializar esse vínculo. O reconhecimento aconteceu em uma audiência no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Cuiabá. A história, compartilhada pelo juiz coordenador do Cejusc de Cuiabá, Luís Aparecido Bortolussi Júnior, demonstrou a importância do Mutirão Pai Presente 2026, que começou nesta segunda-feira (03) em todo o estado e que foi aberta oficialmente no Fórum da Capital.Seis pessoas, três homens e três mulheres, trajam roupas sociais e posam lado a lado sobre tapete vermelho. Ao fundo, estátua da Justiça e banner do projeto Pai Presente.
A ação segue até sexta-feira (7), oferecendo gratuitamente reconhecimento voluntário de paternidade, orientação jurídica e encaminhamento para exame de DNA, quando necessário, em todas as comarcas de Mato Grosso. O objetivo é garantir o direito à identidade, fortalecer os vínculos familiares e facilitar o acesso da população ao reconhecimento da filiação.
Mulher de cabelos escuros longos usa blusa rosa claro com babados e colar dourado, fala ao microfone. Ao fundo, bandeiras do Brasil e de Mato Grosso.Representando o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, a juíza auxiliar da Presidência e secretária-geral do TJMT, Anna Paula Gomes de Freitas destacou que o programa vai além da regularização documental. “Cada certidão emitida e cada reconhecimento realizado durante esse mutirão representam muito mais do que um ato jurídico. Representam dignidade, cidadania e esperança. Significam dizer a uma criança, a um adolescente ou mesmo a um adulto: a sua história importa e os seus direitos são reconhecidos”, afirmou.
O corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote foi representado pelo juiz auxiliar daHomem de cabelos escuros e barba, veste terno preto, camisa listrada e gravata preta, fala ao microfone. Ao fundo, bandeiras de Mato Grosso e do Brasil. Corregedoria, João Filho de Almeida Portela, que ressaltou que a iniciativa reafirma o compromisso do Judiciário com uma Justiça mais próxima da população. “O Projeto Pai Presente nasceu para garantir a efetividade de um direito fundamental que muitas vezes é ignorado: o direito à identidade e à filiação. O Poder Judiciário demonstra, mais uma vez, que sua missão vai além da solução de conflitos, promovendo cidadania e inclusão”.
Mulher de cabelos escuros ondulados veste blazer branco e colar prateado, fala ao microfone. Ao fundo, bandeira de Mato Grosso em destaque.A diretora do Fórum de Cuiabá, juíza Hanae Yamamura de Oliveira lembrou que a campanha intensifica um serviço oferecido permanentemente pelo Judiciário. “Mais do que ser reconhecido como um ser humano, é ser reconhecido em sua identidade. Saber a sua origem, conhecer o nome dos seus pais e sua história fazem parte da dignidade da pessoa humana. Esta semana serve para lembrar à população que esse direito está ao alcance de todos”, comentou.
A defensora pública Elianeth Nazário enfatizou o impacto emocional que o reconhecimento da paternidade representa. “O adulto que não tem o nome do pai no registro carrega durante toda a vida um vazio existencial. É a falta de pertencimento, de saber sua origem. Quando as instituições trabalham juntas, garantem cidadania, mas também acolhimento e esperança”.Mulher de cabelos castanhos usa blazer bege sobre blusa preta de poás brancos, fala ao microfone em púlpito de acrílico. Ao fundo, bandeira de Mato Grosso.

Cidadania que transforma vidas

Homem de cabelos grisalhos veste blazer escuro sobre camiseta branca, fala ao microfone. Ao fundo, ambiente escuro com bandeira de Mato Grosso.Ao relembrar a história da mulher de 60 anos que finalmente teve o nome do pai incluído em sua certidão de nascimento, o juiz Luís Aparecido Bortolussi Júnior explicou que o reconhecimento da paternidade ultrapassa qualquer questão burocrática. “Ela disse que o pai sempre foi presente, mas sua maior mágoa era não ter o nome dele na certidão e nem o sobrenome. Quando fizemos o reconhecimento, todos se emocionaram. Isso não tem preço. Isso é cidadania”.
Segundo o magistrado, o mutirão reúne uma equipe ampliada para atender a população e realizar conciliações sempre que possível. Quando há consenso entre as partes, o reconhecimento pode ser homologado imediatamente, sem necessidade de exame de DNA.
A expectativa é realizar mais de 60 audiências durante a semana. Nos casos em que o exame genético é necessário, todo o procedimento é custeado pelo Judiciário, inclusive exames mais complexos, como os realizados quando o suposto pai já faleceu.
Atendimento gratuito

O atendimento do Mutirão Pai Presente segue até sexta-feira (7). Para participar, basta apresentar RG e CPF do pai, da mãe e do filho, certidão de nascimento da criança ou do interessado e comprovante de residência.
Mesmo após o encerramento do mutirão, os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) continuam oferecendo, durante todo o ano, serviços de reconhecimento voluntário de paternidade, investigação de paternidade com exame de DNA e reconhecimento de paternidade socioafetiva. Pela via consensual, os procedimentos são mais rápidos, econômicos e permitem que as próprias partes construam a solução mais adequada para cada caso.

Autor: Roberta Penha

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Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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