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TJMT realiza abertura do XI Encontro dos Presidentes dos Tribunais de Justiça do país em Mato Grosso

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“Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica, nem com balanças, nem barômetros, etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”
 
Com a citação do verso do poeta Manoel de Barros, a presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Clarice Claudino da SIlva, recebeu os participantes na abertura do XI Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil, na noite desta quarta-feira (05 de junho) em Chapada dos Guimarães.
 
A cerimônia reuniu cerca de 112 participantes, entre eles os representantes de Tribunais de Justiça de 25 Estados da Federação (incluso a Sede): 17 presidentes, cinco vice-presidentes e dois magistrados.
 
A presidente da corte mato-grossense afirmou estar muito alegre em poder sediar um evento do porte do Consepre. “Trazer para cá um movimento de presidentes tão forte, como é o Consepre, é prestígio e sinal que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso está alinhado com as pautas mais importantes. E mais, que nosso Estado tem voz e credibilidade para transitar temas, trazer bons exemplos e apresentar resultados positivos ao cenário nacional.”
 
A líder do Judiciário também ressaltou a importância da atuação do TJMT na disseminação da cultura da paz para a população do Estado. “Se me perguntarem, responderei sem medo de errar: entre tantas ações implementadas pela Justiça Estadual, os Círculos de Construção de Paz, principalmente nas comunidades escolares, serão o nosso grande legado para a humanidade.”
 
De acordo com o presidente do Consepre, e do Tribunal de Justiça de Goiás, desembargador Carlos Alberto França, “todos os presidentes e colegas desembargadores se sentiram muito acolhidos, como se em casa estivessem”.
 
“Agradeço pela calorosa receptividade, tenho certeza que sairemos deste Consepre com uma bagagem de diálogo e conhecimento muito maior. Neste evento traremos temas muito significantes, como a Justiça Restaurativa e a Justiça 4.0 que são fundamentais ao Judiciário. Também boas novidades, como o Juiz das Garantias, para que possamos implantar em todos Tribunais do Brasil para assegurar as liberdades no devido andamento do processo legal”.
 
Após a cerimônia inicial do evento, também foi realizada a Conferência de Abertura ´Juiz das Garantias´, com o palestrante e conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano.
 
O Conselheiro do CNJ falou sobre o tema da palestra da noite, que é uma resolução aprovada recentemente pelo Conselho Nacional de Justiça. “Quando falamos do Juiz das Garantias, são aqueles magistrados que devem atuar na fase pré-processual, no inquérito, nas investigações de um processo, até essa fase, antes da denúncia ser oferecida pelo Ministério Público.”
 
“Há muito os Tribunais esperavam uma regulamentação do CNJ, para que pudessem implementar um consenso para as unidades judiciárias. Então é extremamente necessário trazer o tema ao conhecimento dos Tribunais”, explica o desembargador.
 
XI Consepre – Na programação dos próximos dias, estão previstas ainda palestras sobre diversos assuntos, como a Justiça Restaurativa, Justiça 4.0, Economia e Meio Mmbiente, com renomados palestrantes, como magistrados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
 
Ao final dos trabalhos, os desembargadores participantes irão elaborar uma Carta do Encontro, com os principais encaminhamentos e direcionamentos do evento.
 
Participaram ainda do evento, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, a defensora-pública Geral de Mato Grosso, Luziane de Castro, a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (Seccional Mato Grosso), Gisela Cardoso, a vice-presidente do TJMT, desembargadora Maria Erotides Kneipp, o corregedor-geral da Justiça de Mato Grosso, desembargador Juvenal Pereira da SIlva, o vice-presidente da Associação dos Magistrados de Mato Grosso, desembargador Gilberto Giraldelli, a vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, desembargadora Serly Marcondes Alves, a diretora-geral do TJMT, Euzeni Paiva de Paula, a vice-diretora-geral do TJMT, Claudenice Deijany Farias de Costa, os juízes auxiliares da Presidência do TJMT, Túlio Duailibi Alves de Souza, Jones Gatass Dias e Viviane Brito Rebello, os juízes auxiliares da Vice-Presidência do TJMT, Gerardo Humberto Alves Silva Júnior e Paulo Márcio Soares de Carvalho, as juízas auxiliares da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, Cristiane Padim da Silva e Christiane da Costa Marques Neves, magistrados e coordenadores do TJMT.
 
Marco Cappelletti/ Fotos: Alair Ribeiro e Ednilson Aguiar
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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