Tribunal de Justiça de MT

Treinamento sobre ESG, Compliance e Ética fortalece gestão no Poder Judiciário de Mato Grosso

Publicado em

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) realiza, durante dois dias (08 e 09 de outubro), um treinamento essencial voltado ao fortalecimento da governança pública, abordando temas como compliance, ESG (Environmental, Social and Governance), ética e integridade pública. Ministrado pela Companhia Brasileira de Governança (CBG), o curso realizado na Escola dos Servidores do Poder Judiciário, teve como objetivo dialogar com a alta administração do TJMT, gestores e líderes sobre o processo de implementação de práticas que garantam mais transparência, integridade e responsabilidade nas atividades do tribunal.
 
A abertura do treinamento contou com a presença da presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva e da vice-presidente do TJMT, desembargadora Maria Erotides Kneip. A desembargadora presidente revelou que o projeto teve início há meses, com base em visitas a outros tribunais que já obtiveram sucesso nessa seara. “Esse é um trabalho iniciado há meses quando fomos em busca de informações em outros tribunais, que já apresentam resultados nesse assunto. Então, desenvolvemos esse projeto e estamos finalizando a fase da consultoria contratada para que tenhamos material suficiente para partirmos à implantação”, ressaltou a presidente, enfatizando a relevância do planejamento e da estruturação cuidadosa do projeto.
 
Segundo ela, a adoção de manuais de conduta facilitará a padronização das práticas em todas as unidades do Poder Judiciário. Embora o processo de implementação seja desafiador, com várias etapas a serem seguidas, ela acredita que, uma vez consolidado, o sistema se tornará simples de gerir, trazendo mais clareza e agilidade para os procedimentos internos. “Depois de implantado, é algo relativamente simples, mas muito trabalhoso, sendo um modelo seguido paulatinamente, que tem muitas etapas”, comentou.
 
A magistrada vê esse projeto como um legado significativo de sua gestão. “É uma semeadura para a posteridade que registramos com muita satisfação”, afirmou. Para ela, o investimento em ética, compliance e integridade é uma ação direcionada às pessoas, buscando criar um ambiente de acolhimento e valorização no Poder Judiciário. “O Poder Judiciário existe para as pessoas, e é por isso que nós temos essa vontade incansável de fazer com que as pessoas sejam valorizadas, se sintam acolhidas no Poder Judiciário”, concluiu.
 
Integridade Pública – Bruno Galvão Ferola, consultor da Companhia Brasileira de Governança, foi o instrutor desse treinamento. Na oportunidade, além de compartilhar experiências pessoais e profissionais associadas ao complaince nas esferas privada e pública, compartilhou vídeos curtos explicativos e didáticos sobre a aplicação dos conceitos de ética, complaince e práticas ESG, sigla em inglês que representa Ambiental, Social e Governança, pela ordem.
 
O instrutor também apresentou algumas provocações aos presentes, trazendo reflexões sobre os dilemas éticos enfrentados pelo Judiciário, mesmo sendo considerada uma instituição de salvaguardar dos direitos e garantias constitucionais.
 
“O Tribunal, numa atitude corajosa, investiu não somente na cultura ética mas também na cultura íntegra. Embora já tenha em sua essência, é preciso trazer todo esse processo de maneira ilustrativa dentro de suas ações, controles e processos”, apontou.
 
Durante o treinamento, foi destacada a importância do Programa de Compliance, estruturado com foco em três pilares essenciais: prevenção, detecção e resposta. Na parte de prevenção, destacou-se a realização de diagnósticos sobre riscos, a implementação de códigos de ética, e o treinamento contínuo dos servidores. No eixo de detecção, foram apresentados mecanismos como o canal de ética e o processo de due diligence para a gestão de terceiros. Já no eixo de resposta, o foco está no padrão de resposta a não conformidades e na atuação dos comitês de ética.
 
“O Programa de Integridade é uma maneira de evoluir a governança já existente. É algo que ainda está em andamento em outros Tribunais e o TJMT torna-se um dos primeiros e um dos principais exemplos que temos em nosso país sobre a efetivação de uma cultura ética, nas atitudes, decisões e, principalmente, no ambiente de trabalho”, evidenciou o instrutor.
 
Tais pilares visam garantir que as atividades do tribunal estejam em conformidade com os princípios éticos e regulamentares, assegurando a transparência e a sustentabilidade das ações.
 
Outro ponto abordado foi a atuação das frentes de trabalho do programa, que incluem o compromisso da alta liderança, gestão de riscos, controles preventivos e transparência. As atividades visam à implementação de um ciclo contínuo de monitoramento e aprimoramento das práticas institucionais.
 
Foram apresentados também os oito pilares de um Programa de Integridade Pública, ressaltando o comprometimento da alta administração do TJMT, a atuação dos órgãos de controle interno e a implementação de controles preventivos para evitar fraudes e irregularidades. “Os resultados são muitos e a gente os observa desde o primeiro dia, em especial em relação à transparência, à prestação de contas e às decisões melhores. É um Tribunal que não se preocupa apenas em criar um código de ética e uma política de integridade mas principalmente treinar e comunicar essas regras para quando acontecerem os problemas estejam mais preparados para lidar com isso de maneira rápida, eficaz e transparente”, explanou Bruno.
 
Semeadura do Compliance – O juiz-auxiliar da Presidência, Jones Gattass Dias, coordenou junto às áreas estratégicas do TJMT os estudos voltados à implementação das políticas ESG e Compliance no TJMT.
 
“Fomos percebendo a importância e quão atual é esse tema, quando falamos de colocar instituições em conformidade com normas, leis e a ética. É uma forma de documentarmos um posicionamento para evitar situações que possam comprometer a imagem da instituição como também a melhor forma de combater os problemas”, explicou.
 
“Estamos em um momento de sensibilização para que todos adotem e se envolvam com essa iniciativa, colhendo os frutos de um projeto bem instaurado”, acrescentou.
 
Já a diretora-geral do TJMT, Euzeni Paiva de Paula, reforçou que, por meio do engajamento de magistrados (as) e servidores (as) a essa nova visão estratégica da gestão, a iniciativa trará resultados ainda mais significativos aos cidadãos.
 
“Todo esse esforço está diretamente ligado à governança no setor público, visando, ao final, oferecer um serviço de melhor qualidade à população do Estado, com um atendimento mais eficiente ao jurisdicionado e a entrega de uma Justiça verdadeiramente eficaz e efetiva.
 
Participaram da abertura do treinamento, os desembargadores José Luiz Leite Lindote, José Zuquim Nogueira e Gilberto Giraldelli, a vice-diretora-geral, Claudenice Deijany F. de Costa, gestores e coordenadores de áreas estratégicas do TJMT.
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: A presidente Clarice Claudino está em pé, de frente para os participantes do evento. Ela fala ao microfone. Ela usa um vestido bordô. É uma mulher loira, de cabelos curtos. Foto 2: Bruno Galvão concede entrevista para TV.Jus. Ele é um homem branco, usa gravata azul-clara, terno cinza e camisa branca. Foto 3: pessoas formalmente vestidas posa em linha para uma foto em frente a um projetor que exibe “Exercício prático” na tela. Foto 3: O palestrante Bruno, ao lado de um projetor, apresenta sobre o tema “Compliance x Integridade” para uma plateia sentada. Foto 4: Juiz Jones Gattass Dias concede entrevista. Ele é um homem branco, magro de cabelos grisalhos. Usa terno escuro, gravata roxa e camisa branca. Foto 5: A diretora-geral, Euzeni Paiva, está sentada entre os participantes do evento. Ela é uma mulher branca, loira, de cabelos compridos. Usa uma camisa marrom e uma calça e sapato off white. 
 
Talita Ormond
Núcleo de Comunicação Interna
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  Corregedor e juízes auxiliares participam da 11ª edição do Fórum Nacional das Corregedorias

Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Published

on

Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Leia Também:  Justiça determina interdição parcial do CDP de Tangará da Serra por superlotação

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Leia Também:  Corregedor e juízes auxiliares participam da 11ª edição do Fórum Nacional das Corregedorias

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA