Tribunal de Justiça de MT

Vice-presidente, corregedor-geral e diretora da Esmagis prestigiam Conferência Estadual da Advocacia

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Reforçando a relação de harmonia e união entre as instituições, o Poder Judiciário de Mato Grosso esteve presente na abertura da XXI Conferência Estadual da Advocacia, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB) e pela Escola Superior de Advocacia (ESA-MT), nesta terça-feira (29). A vice-presidente, o corregedor-geral da Justiça e a diretora da Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT), desembargadores Maria Erotides Kneip, Juvenal Pereira da Silva e Helena Maria Bezerra Ramos, representaram o Tribunal de Justiça.
 
Todos foram unânimes em destacar que o sistema de justiça é composto por todos os atores (magistrado, advogado, Ministério Público), o que robustece a necessidade de estreitar os laços entre todos. “A advocacia compõe o sistema de justiça, então, nós temos que estar juntos, nós temos que assistir e participar da evolução, do crescimento da advocacia de Mato Grosso”, disse Kneip.
 
O desembargador Juvenal Pereira da Silva faz analogia entre o sistema de justiça e uma corrente, em que cada instituição é um elo. “Esse sistema de justiça, que é uma corrente, não sobrevive se não houver um dos parceiros, como o advogado, o promotor de Justiça, ou seja, o Ministério Público, e a magistratura. Daí a importância da participação do Poder Judiciário em um evento da OAB. Se não estiver presente, a corrente não está entrelaçada”, comenta.
 
Em seu discurso, a vice-presidente do TJMT destacou sua alegria em participar do mais importante evento da advocacia de Mato Grosso. “Nós estamos acompanhando o enorme crescimento da advocacia de Mato Grosso e hoje eu posso dizer que sei a causa primária: o enorme serviço que a ESA tem feito na capacitação dos nossos advogados. Cada dia mais, os advogados têm apresentado sustentações orais mais consistentes, mais bem fundamentadas, orientadas exatamente para o foco da discussão. São sustentações orais que valem a pena ser assistidas, memoriais objetivos, modernos, com síntese, com esquemas, com figuras, com fotografias, memoriais que nós gostamos de ler. Atender aos advogados tem sido para nós todos uma honra, uma alegria”, enalteceu Kneip.
 
A magistrada fez questão de lembrar que a XXI Conferência Estadual da Advocacia marca os 90 anos da OAB de Mato Grosso e que, dessa história, ela é testemunha de uma grande parte. “Dos 90 anos da OAB de Mato Grosso, eu tenho 50 de registro. Eu me inscrevi na OAB em outubro de 1973, então eu tenho muita alegria de poder estar acompanhando há 50 anos a OAB de Mato Grosso”.
 
A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso, Gisela Alves Cardoso, também reforçou a importância do evento para a classe e também da parceria com o Judiciário para melhor atender à sociedade. “Hoje para a advocacia mato-grossense é um momento muito especial. Realizamos hoje o nosso maior e principal evento da gestão, que é realizado a cada três anos. Então reunimos hoje aqui advogados de todo o estado e de fora do estado. E essa mesa com a presença do Poder Judiciário, com a presença do Ministério Público, com a presença das instituições representa o que a advocacia significa para a sociedade. E como eu costumo falar, nós todos fazemos parte de um sistema de justiça. Então esse diálogo, essa proximidade é salutar para a boa entrega da prestação jurisdicional, para a busca da pacificação social, que é sem dúvida nenhuma, o objetivo de todos nós”, afirmou.
 
Capacitação para melhor atender à população – Diretora-geral da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso “Desembargador João Antônio Neto”, a desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos pontuou a relação de cooperação com a Escola Superior de Advocacia (ESA-MT) e a importância do aperfeiçoamento profissional para oferecer aos jurisdicionados o melhor serviço. ”Nós temos esse intuito de capacitar os magistrados e os advogados nos diversos temas jurídicos, que são muito variados. É preciso estar sempre renovando, estudando porque a vida é assim, ela é dinâmica, ela vai mudando e a gente também. Tudo isso para melhorar a prestação jurisdicional porque o advogado faz parte do sistema judiciário. Ele está de um lado, mas ele faz parte”, disse a desembargadora, que proferirá palestra na Conferência, no painel “Direito Empresarial e o Papel do Poder Judiciário”.
 
A desembargadora Maria Erotides Kneip elogiou a programação do evento, que traz temas atuais e relevantes. “Estudar a ciência do Direito Penal, estudar agronegócio e sustentabilidade, em face da reforma tributária, estudar honorários quando nós sabemos da precedência que foi colocada para nós, mostra que a OAB de Mato Grosso está na dianteira e o Poder Judiciário se orgulha de estar aqui porque é uma conferência que realmente ficará na história da OAB de Mato Grosso”.
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: Vice-presidente do TJMT, desembargadora Maria Erotides Kneip, lado a lado com a presidente da OAB-MT, Gisela Alves Cardoso, o presidente nacional da OAB, Beto Simonetti e demais advogados. Eles estão em pé, sorrindo para a foto. Atrás deles está o painel da Conferência Estadual da Advocacia.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Magistrada do TJMT reforça necessidade de mudança cultural no combate à violência contra a mulher

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Juíza Tatyana Borges - Mulher vestindo blazer escuro, blusa clara e saia preta discursa em pé no palco com um microfone na mão. Ao lado dela, há um púlpito de madeira e, ao fundo, um grande telão com o título A violência doméstica no Brasil não pode ser vista como caso isolado, mas como resultado de uma cultura histórica de desigualdade. Essa foi a principal mensagem da juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, durante palestra no “III Encontro Anual do Núcleo de Atendimento a Magistradas e Servidoras Vítimas de Violência Doméstica e Familiar – Espaço Thays Machado”, realizado nesta sexta-feira (19), na capital.

Promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), o evento reuniu magistrados(as) e servidores(as) que atuam nas Redes de Enfrentamento e Grupo Reflexivo de Homens, para ampliar o debate sobre a violência doméstica, divulgar canais de denúncia e fortalecer a rede de proteção às vítimas.

Durante a palestra, a magistrada destacou que o conhecimento jurídico não é suficiente para proteger mulheres da violência, inclusive dentro do próprio sistema de Justiça. “Ninguém está imune. É fundamental garantir espaços de escuta qualificada, acolhimento e proteção também dentro do Judiciário”, afirmou.

Violência como construção histórica

Ao abordar a evolução dos direitos das mulheres, a juíza ressaltou que a violência está enraizada em uma cultura que, por séculos, tratou a mulher como propriedade do homem. “Não são casos isolados. Viemos de uma cultura que autorizava a violência contra as mulheres. Apenas o aumento das penas não muda uma realidade construída ao longo de séculos”, pontuou.

Ela relembrou marcos históricos, como o direito ao voto em 1932, a capacidade civil plena em 1962 e a Constituição de 1988, que estabeleceu igualdade formal ainda não plenamente efetivada.

Ciclo silencioso de violência

A magistrada enfatizou que o feminicídio representa o estágio mais extremo de um ciclo de violência que, na maioria das vezes, começa de forma silenciosa, por meio de comportamentos controladores, humilhações e isolamento. “A violência não começa com agressões físicas. Muito antes disso surgem sinais nas palavras, nas atitudes e na convivência. O controle excessivo, o ciúme e as ameaças são alertas”, disse.

De acordo com ela, muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos por acreditarem em promessas de mudança ou por desejarem preservar a família. No entanto, essa permanência pode agravar o risco. “É preciso reconhecer os sinais e interromper esse ciclo antes que algo mais grave aconteça”, alertou.

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A juíza exemplificou com relatos reais de vítimas, de audiências que presidiu, e destacou situações em que mulheres sofreram agressões severas mesmo após tentativas de reconciliação.

Lei Maria da Penha e formas de violência

A juíza destacou a Lei Maria da Penha como marco no combate à violência ao afirmar que a lei deu visibilidade a uma violência que era invisível e criou mecanismos de proteção.

Ela explicou as cinco formas de violência: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, ressaltando que a psicológica costuma ser a primeira e mais difícil de identificar. “A violência psicológica destrói a autoestima da vítima. Quando ela passa a acreditar que não tem valor, romper o relacionamento se torna ainda mais difícil”, explicou.

Dados preocupantes

Apesar dos avanços, os índices de feminicídio seguem elevados. A maioria dos casos ocorre no ambiente doméstico e é praticada por companheiros ou ex-companheiros. “Enquanto a mulher for vista como posse, o problema vai continuar”, destacou.

A magistrada também apontou que muitas vítimas não chegam a pedir ajuda antes da violência extrema.

Educação como caminho

Ao longo da palestra, a juíza reforçou que o enfrentamento à violência contra a mulher exige mais do que punição criminal, depende de transformação cultural profunda, baseada em educação e igualdade. “O combate ao feminicídio exige mudança de mentalidade. É preciso construir uma cultura de respeito, dignidade e igualdade entre homens e mulheres”, afirmou.

Programação integrada

O evento integrou uma agenda mais ampla promovida pelo TJMT. Entre os dias 17 e 19 de junho, servidores da Justiça Estadual e das comarcas participaram da capacitação “Reflexão e Sensibilização para Autores de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, realizada pela Escola dos Servidores.

A iniciativa envolveu profissionais das Redes de Enfrentamento e dos Grupos Reflexivos para Homens, ampliando o debate sobre prevenção e responsabilização.

Compromisso institucional

Ao final do encontro, ficou evidenciada a mensagem comum de que combater a violência contra a mulher exige atuação contínua das instituições, fortalecimento das redes de proteção e investimento em educação.

Mais do que leis, o desafio está em transformar a sociedade. “Só vamos avançar quando deixarmos de naturalizar comportamentos abusivos e passarmos a promover relações baseadas no respeito”, concluiu a magistrada.

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Participantes

O integrante da equipe multidisciplinar da Cemulher-MT, Cristian Pereira Oliveira, destacou que a prevenção da violência passa pela mudança de padrões culturais, com foco no trabalho junto aos homens.

Cristian também chamou atenção para um ponto sensível no debate sobre a prevenção da violência. O papel das mulheres na condução de diálogos com homens autores de violência. Para ele, embora ainda haja resistência, a participação feminina nesses espaços é fundamental. “Nos grupos reflexivos, há um acordo inicial de respeito. Cada um tem o seu tempo de fala e precisa ouvir o outro. Se o homem não consegue lidar com uma mulher conduzindo esse diálogo, já há um problema desde o início”, explicou.

Ele também pontuou que o depoimento da órfã de feminicídio apresentado durante o encontro reforçou a importância do diálogo entre os próprios homens, especialmente em relações de amizade. “Muitas vezes falta um colega, um amigo, alguém próximo para dar um toque, orientar, chamar a atenção. Se esse diálogo acontecesse mais entre os homens, muitas histórias poderiam ser diferentes”, disse.

O policial civil da Delegacia da Mulher de Cuiabá, Armando Arce, afirmou que o depoimento da órfã de feminicídio foi profundamente impactante e trouxe uma nova perspectiva para sua atuação. “Foi um testemunho de fortes emoções, uma realidade que eu nunca tinha imaginado. A gente costuma focar no agressor, mas muitas vezes esquece dos órfãos, que também são vítimas dessa violência”, destacou.

Com 11 anos de atuação na área, Armando reforçou que o acolhimento humanizado é essencial no atendimento às vítimas. “Nosso trabalho é acolher sem julgamento, mostrar que ela não está sozinha e que existe uma rede pronta para ajudar. Como ela disse, calar dói mais. É preciso falar para se libertar”, afirmou.

Ele também ressaltou a importância da capacitação promovida pelo Judiciário para fortalecer a rede de enfrentamento à violência doméstica. “Essa é uma porta aberta, uma oportunidade gigantesca. Quanto mais preparados estivermos, melhor será o acolhimento às vítimas”, concluiu.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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