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Vice-presidentes dos Tribunais de Justiça se reúnem em Cuiabá e debatem precedentes

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Representantes de 20 tribunais de justiça brasileiros então em Cuiabá, participando do Encontro Nacional de Vice-Presidentes dos Tribunais de Justiça (Enavip). A proposta é promover discussões sobre os precedentes, decisões judiciais tomadas em casos concretos e trocar experiências sobre as boas praticas de cada tribunal.
 
Durante a abertura, a presidente do Tribunal mato-grossense, desembargadora Clarice Claudino da Silva, destacou a contribuição do Judiciário estadual para o aprimoramento de todo o Judiciário brasileiro. “Trazer para nós essa união de forças em torno desse assunto fortalece a todos e estimula que outros encontros continuem sendo realizados numa escala cada vez maior. Os precedentes hoje constituem uma expectativa muito grande de se firmar a nossa tradição jurisprudencial em seguir fielmente os precedentes ou uma forma mais efetiva de fazer uma seleção daqueles que realmente beneficiam a sociedade ou que precisam de uma revisão”, pontuou.
 
Para a anfitriã do evento, a vice-presidente do TJMT, desembargadora Maria Erotides Kneip, a Corte mato-grossense goza de uma interlocução junto ao STJ que tem permitido o encaminhamento e o julgamento mais célere das demandas aqui originadas e é isso o que se espera que aconteça em todo cenário nacional. “Esse encontro busca o fortalecimento das relações, do diálogo entre os tribunais para que os recursos especiais possam chegar com muito mais celeridade, muito mais filtrados e em obediência aos precedentes qualificados para que verdadeiramente se faça uma justiça de maneira equânime e com segurança jurídica”, afirmou.
 
Aproximação dos Tribunais para o fortalecimento do diálogo sobre sistema de precedentes – Este foi o tema abordado na palestra proferida pelos assessores-chefes do Núcleo de Gerenciamento de Precedentes e de Ações Coletivas (Nugepnac) do STJ, Marcelo Ornellas Marchiori e Flávia Mendes Mascarernhas Góes. Ambos defenderam que trabalho relativo aos precedentes não pode ser fragmentado. “Precisamos de integração, precisamos de um trabalho mais conjunto entre os tribunais superiores e os tribunais de justiça e esse encontro é fundamental para estreitar esses laços. Tenho certeza que muitas questões efetivas e bem práticas que podem ser aplicadas amanhã serão executadas aqui nesse encontro”, disse Marchiori.
 
Segundo ele, o Judiciário brasileiro já julga um número extremamente grande de ações, mas o que se busca é julgar cada mais com qualidade e que essas decisões realmente sejam definitivas. “Hoje nós temos um número muito grande de processos, mais de 180 milhões de processos em tramitação, segundo dados do CNJ, e muitos desses são processos idênticos, que tratam da mesma questão jurídica, só que com partes diferentes. Precisamos de definições mais rápidas para essas questões jurídicas e acredito que aqui nós vamos conseguir resolver muito bem isso”.
 
Por sua vez, Flávia Mascarenhas observou que a maior integração entre os tribunais estaduais e os superiores pode ocorrer, de forma prática, por meio da seleção de representativos de controvérsia. “O interessante é que os tribunais de segundo grau são aqueles que têm maiores condições de saber quais são as questões jurídicas que têm gerado múltiplas demandas e que têm grande relevância para a sociedade, para os jurisdicionados. Por conta disso, eles têm condições de antecipar quais são as questões que deveriam ser afetadas com mais urgência e essa antecipação pode ser feita por meio da seleção de representativos da controvérsia. Então é a possibilidade deles guiarem os tribunais superiores nessas afetações”, comentou.
 
Conforme a assessora-chefe do Nugepnac do STJ, essa também é uma forma de os Tribunais de Justiça dos Estados desempenharem seu protagonismo no sistema judicial. “Eles são os grandes protagonistas e podem direcionar os Tribunais Superiores para questões mais urgentes a ser afetadas e decididas de forma definitiva. Dessa forma, os Tribunais podem se dedicar a questões mais complexas com muito mais tranquilidade e acurácia”.
 
A 1ª vice-presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargadora Joeci Machado Camargo, classificou o Encontro Nacional como extraordinário por ser uma oportunidade de troca de ideias e busca por uma justiça mais uníssona. “É um encontro extraordinário onde nós podemos trocar ideias porque cada um dos tribunais deste país tem uma forma de interpretar e de agir. E esse encontro vai fazer com que possamos formar um convencimento quase unânime em relação aos precedentes e ao Nugepnac. Tem tanta coisa boa que nós podemos traçar ideias e facilitar o nosso trabalho. Penso que sairemos daqui com um horizonte bem mais aberto”, avaliou.
 
A juíza auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Vanessa Mendes de Araújo, que atua no Banco Nacional de Precedentes (BNP), pontuou a importância do ENAVIP para garantia da economia e celeridade processual e enfatizou o papel do CNJ em dar condições para isso. “É nossa missão fazer com que dispositivos legais sejam melhor conhecidos não apenas por nós, membros do Judiciário, mas que espalhemos essa experiência, esses comportamentos que são tão arraigados na nossa cultura. É uma prioridade do CNJ garantir aparato tecnológico a partir do BNP”, disse, aproveitando o momento para convidar aos representantes dos Tribunais de Justiça adotem cada vez mais essa ferramenta. “É o espaço onde podemos verificar como está a litigiosidade no país e também verificar como eventualmente outras situações tem sido tratadas em outros tribunais”.
 
Expectativas dos jurisdicionados – A abertura do ENAVIP contou ainda com a participação de autoridades que representam as partes interessadas nos processos, que geralmente “sobem” para o Superior Tribunal de Jsutiça (STJ) ou Supremo Tribunal Federal (STF). O procurador-geral do Estado, Francisco de Assis da Silva Lopes, afirmou o interesse do Estado nos resultados do Encontro de vice-presidentes dos TJs.
 
“A Procuradoria Geral do Estado vê com bastante entusiasmo esse encontro porque ele traz atualizações de temas que são importantes para os jurisdicionados. Hoje o Poder Público é um dos maiores clientes do Judiciário. Então, sempre que esses encontros são realizados trazem inovações, novas teses que acabam beneficiando a população de uma maneira geral porque trazem celeridade aos trâmites processuais e isso nos interessa também, enquanto jurisdicionados, porque o Estado quer ver a celeridade dos processos, a segurança jurídica que nós precisamos”.
 
A defensora pública-geral do Estado, Maria Luziane Ribeiro de Castro, destacou que a Justiça estadual é a responsável pela maior parte dos processos que tramitam no país. “Isso exige de nós uma atuação incansável e colaborativa para enfrentarmos os desafios impostos”. Ela defendeu ainda o papel da Defensoria Pública em garantir justiça aos mais necessitados e amplificar as vozes desses na defesa de suas demandas e necessidades, o que faz com que a instituição veja com esperança o Encontro que trata sobre o sistema de precedentes. “Que cada ideia discutida aqui possa se traduzir em práticas tangíveis em nossos tribunais, que seja um catalizador para o desenvolvimento de um judiciário cada vez mais eficiente, acessível e alinhado às demandas da sociedade”, declarou.
 
Participam do ENAVIP magistrados representantes dos Tribunais de Justiça dos seguintes estados da federação: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Maranhão, Paraíba, Pará, Paraná, Piauí, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Tocantins.
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Foto em plano aberto que mostra o Plenário 1 do TJMT composto por autoridades na mesa de honra e pela plateia no auditório. Segunda imagem: Vice-presidente do TJMT, desembargadora Maria Erotides Kneip, discursa no púlpito. Ela é uam senhora branca, de cabelos grisalhos, lisos e longos, usando blusa bege, blazer preto e crachá do evento. Terceira imagem: Foto que mostra alguns dos desembargadores que representam Tribunais de outros estados sentados no Plenário do TJMT, atrás deles, há mastros com as bandeiras dos estados que representam.
 
 
Celly Silva/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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42º Gemam reforça atualização da magistratura diante de desafios sociais complexos

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Homem com cabelos grisalhos e barba, fala direcionando o olhar para baixo e para a esquerda. Ele usa paletó azul e camisa social cinza. Um microfone da A evolução constante da sociedade e o surgimento de novos desafios exigem do Poder Judiciário uma resposta igualmente dinâmica e qualificada. Com esse enfoque, o desembargador Márcio Vidal, diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), abriu o 42º Encontro do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) ao destacar que a busca por conhecimento é contínua e essencial para enfrentar problemas sociais que acompanham o avanço do tempo.

A afirmação de Vidal sintetiza o espírito do encontro realizado na última sexta-feira (19 de junho), no Tribunal do Júri de Rondonópolis, que reuniu magistrados(as) em uma programação técnica voltada à discussão de temas atuais e sensíveis à prestação jurisdicional.

Na abertura do encontro, o desembargador ressaltou que o Judiciário precisa acompanhar as transformações sociais, que evoluem junto com o avanço tecnológico, mas também trazem novos problemas.

Ao comentar a temática da palestra inicial, intitulada “Juventude em risco: O desafio das drogas no portão da escola e a proteção da vida por meio da internação compulsória para todos”, Vidal chamou atenção para a complexidade da questão das drogas entre jovens, classificando-a como um tema bastante sensível para toda a sociedade. Segundo o desembargador, o papel do Judiciário é justamente se manter atento e buscar constantemente novos modelos de atuação.

Homem de cabelos escuros e curtos, vestindo paletó azul e camisa branca, concede entrevista olhando para o lado esquerdo. Um microfone preto aparece em primeiro plano e o fundo está desfocado.Representando a Corregedoria-Geral da Justiça, o juiz auxiliar Jorge Alexandre Martins Ferreira reforçou o apoio institucional ao evento e destacou o impacto da atualização contínua na qualidade das decisões. “É muito importante que o juiz se qualifique vendo coisas novas”, afirmou, ao comentar a relevância da palestra com o psiquiatra convidado, Diego de Souza Vacari.

Ferreira acrescentou que o contato com dados atuais permite compreender melhor a realidade social, citando como exemplo a evolução do potencial das drogas ao longo das décadas. “São fatos que a gente vê no dia a dia e que mostram que precisamos estar sempre reaprendendo”, completou.

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Construção coletiva fortalece a magistratura

Mulher de cabelos longos e escuros fala ao microfone. Ela veste blazer off-white e brincos de argola. Ao fundo, um painel verde exibe a imagem da estátua da Justiça com a balança.A proposta do Gemam como espaço de construção coletiva foi enfatizada pela coordenadora do grupo, juíza Alethea Assunção Santos. Segundo ela, o diferencial está na produção acadêmica conduzida pelos próprios magistrados(as). “A construção é feita pelos próprios juízes e, a partir das discussões, são elaborados enunciados orientativos para a prestação jurisdicional. Isso é muito importante porque enriquece o nosso trabalho, enriquece a prestação jurisdicional e serve como capacitação profissional e também pessoal para os magistrados de Mato Grosso”, explicou.

Ela destacou ainda que os temas debatidos refletem diretamente os desafios enfrentados nas unidades judiciais. “São dificuldades que encontramos no dia a dia da prestação jurisdicional e, a partir desses debates, conseguimos levar mais segurança para as decisões”, pontuou, ressaltando que o resultado é um serviço mais qualificado à população.

Mulher de cabelos escuros e batom vermelho sorri ao conceder entrevista. Ela veste blusa verde-escura sem mangas. Um microfone da A realização do encontro em Rondonópolis foi celebrada pela juíza diretora do Foro, Aline Bissoni, que destacou a importância institucional do evento. “É uma honra receber o Gemam, um grupo que realmente traz temas muito relevantes para o nosso desenvolvimento”, afirmou. Para ela, a abordagem interdisciplinar amplia a visão dos magistrados sobre questões complexas.

Atuando na área criminal, a magistrada destacou o impacto prático do conteúdo apresentado. “Ouvir o psiquiatra falar de forma técnica sobre os malefícios das drogas e como elas se tornaram mais nocivas faz toda a diferença para que possamos julgar melhor”, disse.

Homem de óculos fala ao microfone, gesticulando com a mão esquerda. Ele veste terno escuro, camisa clara e gravata amarela listrada. Ao fundo, uma parede verde e um banner com a deusa da justiça.No campo interdisciplinar, o psiquiatra Diego Vacari, responsável pela palestra de abertura, enfatizou a importância do diálogo entre diferentes áreas. Ele destacou como positiva a aproximação da magistratura com o tema. “A magistratura está cada vez mais interessada nessa situação, e isso é fundamental para desmitificar e aproximar saúde mental e justiça”, afirmou.

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Vacari alertou ainda para o aumento do consumo de drogas entre crianças e adolescentes, fenômeno que, segundo ele, ocorre em escala global. “Os jovens estão usando drogas cada vez mais cedo, muitas vezes dentro da escola ou nas proximidades”, disse. Para o especialista, o enfrentamento do problema depende de atuação conjunta. “Se não houver união entre saúde, justiça, segurança pública e educação, não vamos conseguir diminuir esses índices”.

Mulher de cabelos longos e ondulados fala ao microfone, com a mão direita fechada. Veste camisa estampada verde e branca e saia escura. Ao fundo, parede verde e pontas de mastros de bandeiras.Outro destaque foi o painel sobre litigância abusiva, no qual a juíza Cristiane Padim da Silva apresentou proposta para aprimorar o monitoramento de demandas predatórias. “A ideia é registrar a Recomendação 159 do CNJ nas decisões em que houver abuso do direito de ação, para que possamos traçar estratégias mais eficientes”, explicou. Segundo ela, a medida busca garantir que o sistema de justiça seja mais acessível a quem realmente precisa. A magistrada também ressaltou a importância do encontro como espaço de troca. “A gente sai daqui cheio de ideias, de motivação, com mais preparo para a atuação diária”, afirmou.

Além das discussões sobre saúde mental, drogas e litigância abusiva, o 42º Gemam contou ainda com painéis voltados a outros temas relevantes para a atuação jurisdicional. Foram abordados o controle judicial do orçamento público e a aplicação de emendas parlamentares frente à discricionariedade e abuso de poder, o tratamento ambulatorial e as medidas de segurança aplicáveis a réus com doença mental, bem como o conceito e as implicações da chamada “purga da mancha probatória”.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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