Um homem suspeito de deixar de procurar atendimento ¿para ¿sua cadela, que estava com ferimento gravíssimo, foi preso em flagrante pela Polícia Civil, nesta segunda-feira (10.07), em ação da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema). O suspeito de 33 anos foi autuado em flagrante por crimes de maus-tratos de animais.
As investigações iniciaram após a equipe de investigadores da Dema ser acionada sobre uma denúncia de maus-tratos no bairro Unipark, onde uma cadela estava andando pelas ruas do bairro com a boca dilacerada.
Em diligências no bairro, os policiais encontraram o animal, na rua, em frente a residência vizinha a do seu dono, porém o suspeito não estava em casa. Questionada, a vizinha relatou que semanas atrás já havia cuidado da cadela, quando ela teve problemas no quadril e que já havia tentado falar com o centro de zoonoses para resgate do animal.
Após contato com o dono da cadela, o suspeito compareceu a residência e relatou que a cachorra possui, aproximadamente 13 anos, e que há cerca de três dias havia aparecido em casa com a boca dilacerada. O proprietário do animal alegou que não tinha dinheiro para o tratamento e por isso havia pedido ajuda para a vizinha.
Diante dos fatos, o suspeito foi conduzido à Dema e após ser interrogado pelo delegado Alexandre Vicente, foi autuado em flagrante pelo crime de maus-tratos de animais.
Nascido em 15 de agosto de 1936, o investigador aposentado Antônio Assunção da Silva se prepara para completar 90 anos. Uma vida longa — e, em grande parte, dedicada a servir, vestindo a missão da Polícia Civil de Mato Grosso, em uma trajetória marcada por coragem, disciplina e amor ao que fazia.
Mais do que números, sua história é feita de vínculos: oito filhos, 16 netos e oito tataranetos — uma família construída ao longo dos anos, lado a lado com a profissão que escolheu.
Conhecido como “cana dura”, pela postura firme e leal, seu Antônio fala do passado com brilho nos olhos. As lembranças vêm carregadas de um tempo em que, segundo ele, o respeito era parte da rotina. “Era um tempo muito bom. Eu gostava muito do meu trabalho. Naquele tempo, o sujeito (o infrator) respeitava a gente”, diz, com a serenidade de quem viveu intensamente cada momento.
Entre tantas histórias, uma permanece viva na memória: o dia em que entrou sozinho na casa de um magistrado, em Juína, diante de um pistoleiro armado. “Eu entrei com a arma longa e falei: ‘é a polícia, você está preso’. E ele se entregou. Aí algemei e coloquei ele na veraneio (modelo das viaturas da época)”, recorda. Um episódio que resume bem o tipo de policial que foi: firme, direto e destemido.
Natural de Poconé, seu Antônio construiu sua carreira em diferentes cidades de Mato Grosso — Cuiabá, Colíder, Peixoto de Azevedo, Sinop e Guarantã do Norte — até fixar raízes em Juína, onde também encerrou sua trajetória profissional, em 2003. Durante essa trajetória foi condecorado diversas vezes em razão do comprometimento com a instituição.
Mas a aposentadoria não o afastou daquilo que sempre fez parte de sua vida. Hoje, morando no complexo habitacional anexo à Delegacia de Juína, ele segue presente. Caminha pelos corredores, conversa com os policiais da ativa e compartilha histórias que atravessam gerações.
Ali, entre colegas e lembranças, onde é comumente chamado apenas por “Assunção”, ele ganhou um novo nome — talvez o mais simbólico de todos: “Lenda Viva”, por conta dos seus feitos, talentos e proezas notáveis, que o tornou uma pessoa icônica na instituição.
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