Tribunal de Justiça de MT

Presidente palestra sobre Comunicação Não Violenta para adolescentes em Livramento

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Foi com muita receptividade que a presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Clarice Claudino da Silva, foi recebida em Nossa Senhora do Livramento (40 km de Cuiabá), nesta sexta-feira (21 de julho), onde proferiu uma palestra sobre Comunicação Não Violenta para mais de 30 adolescentes de 14 e 15 anos, participantes do projeto 15 Anos Solidário, de iniciativa da Prefeitura e da Câmara daquele município. O encontro ocorreu na sede do Legislativo municipal e contou com apresentação do Grupo de Siriri e Pedro Cerrado Ipê do Cerrado, composto por moradores do quilombo Mata Cavalo.
 
De acordo com a presidente do Poder Judiciário mato-grossense, atender ao convite teve como objetivo dedicar o máximo de atenção às pessoas e propagar a filosofia da pacificação social. “Foi muito interessante e me alegrou bastante porque isso vem somar com a vontade que a gente tem de propagar a pacificação social. E a comunicação não violenta é um dos elementos básicos porque os nossos relacionamentos dependem de como nós colocamos a nossa forma de falar. E eu fiquei bastante interessada em poder compartilhar com essas meninas que estão nesse projeto lindo”, disse.
 
Além da palestra, a desembargadora Clarice Claudino também levou a equipe de facilitadoras do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), que realizaram círculos de construção de paz. “Isso faz parte do projeto de pacificação social e também faz com que nós tenhamos uma oportunidade a mais de mostrar como funciona o círculo de construção de paz e fomentar o interesse das pessoas pela justiça restaurativa, de conhecer outros métodos que também favoreçam os bons relacionamentos, a integração das pessoas com respeito, com valores que, às vezes, ficam meio esquecidos quando estão só voltadas à questão do litígio”, explica a magistrada.
 
Durante sua conversa com as adolescentes, Clarice Claudino compartilhou sua história de vida desde a infância, o interesse pelos estudos e a busca por um propósito de vida. Ela também fez um breve histórico da comunicação na Humanidade, desde os primórdios até o avanço das tecnologias, destacando que, junto com essa evolução técnica, é preciso também cuidar da qualidade da comunicação, dando exemplos práticos de como atingir uma comunicação não violenta, com qualquer pessoa e em qualquer situação.
 
Para Ana Karoliny Henrique de Almeida da Silva, 15, a experiência de ouvir as palavras da desembargador serviram como exemplo a ser seguido. “No projeto já passaram bastante mulheres falando sobre exemplos de vida e serviu muito para mim porque tenho objetivo que deu certinho com tudo o que elas falaram. E é o que estou fazendo, correndo atrás dos meus sonhos até conseguir ir para o Exército. Com 18 anos já posso sair, viajar, ir para a guerra, ser assistente de tecnologia”, disse.
 
Emily Vitória Veloso de Almeida, 14 anos, conta que tem aprendido muito com as oficinas e rodas de conversa do projeto. E não foi diferente com a palestra sobre comunicação não violenta. “Tem pessoas que chegam e falam alguma coisa que você se sente destruída, porque palavras e atitudes machucam. Então aprendi muito com o que ela falou”, comenta. A adolescente destaca ainda que se identificou com a história de vida da desembargadora Clarice Claudino. “Eu também moro em uma comunidade e muitas coisas que ela falou eu me identifiquei porque quero ser médica, então quero me preparar para realizar todos os meus sonhos”.
 
Projeto 15 Anos Solidário – O projeto 15 Anos Solidário oferece para as participantes que completam 15 anos em 2023 uma série de atividades, como palestras e oficinas, como etiqueta e boas maneiras, automaquiagem, cuidados com pele e cabelo, além de rodas de conversa com temas variados, como empreendedorismo, valorização da autoestima, superação de paradigmas e empoderamento da mulher, sempre com a participação de mulheres com história de vida inspiradora. No final do ano, as adolescentes são presenteadas com uma festa de debutantes. Para participar do projeto, elas precisam estar cadastradas no Cadúnico, tem bom rendimento escolar e estar com o calendário vacinal em dia.
 
De acordo com o vice-prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Thiago Almeida, o convite à presidente do Tribunal de Justiça para conversar com as adolescentes vai ao encontro da proposta de inspirar as meninas a buscarem seus objetivos de vida. “Primeiro pela história de vida dela, por ela chegar aonde ela chegou e, claro, ser um espelho para que as meninas possam seguir o seu caminho e principalmente que elas possam lutar para que elas cheguem aonde elas quiserem chegar”, afirma.
 
Mesma avaliação é feita pela secretária de Assistência Social de Nossa Senhora do Livramento, Gonçalina Eva Almeida de Santana. “Para nós, é um momento ímpar estar recebendo a desembargadora Clarice, mulher batalhadora, inspiradora. Estamos felizes de receber ela aqui porque esse projeto é com meninas de 15 anos, onde a gente quer trabalhar cidadania, formação, inspiração. Então nós trazemos pessoas que realmente vão inspirar elas a sonhar o que elas querem para seu futuro, se espelhar para ser uma grande cidadã”.
 
Conforme a presidente da Câmara Municipal de Nossa Senhora do Livramento, vereadora Leila Lúcia Martins de Melo, a participação da desembargadora Clarice Claudino no projeto 15 Anos Solidário é de grande representatividade feminina. “Representa para nós livramentenses e para essas meninas o poder da mulher, o empoderamento, o conhecimento. Uma mulher que estudou, que está numa posição inabalável. Isso para nós é um orgulho muito grande. A Câmara hoje recebe a desembargadora no seu ápice. Isso para nós, mulheres, é a coisa mais importante dentro do projeto 15 Anos Solidário”.
 
Presidente da Sala da Mulher da Câmara Municipal, a vereadora Oneide Maria destaca a importância da parceria entre Executivo, Legislativo e a contribuição do Judiciário em torno do projeto voltado às adolescentes. “Esse é um projeto que todos nós abraçamos a causa porque a gente vê a importância para as meninas que terão o dia delas nos seus 15 anos, mas o mais importante de tudo isso é o conhecimento, as informações que elas estão recebendo, que será para o futuro delas. Serão futuras cidadãs livramentenses capacitadas, preparadas para que possam construir suas famílias, ter seu melhor desenvolvimento, seja na política ou em qualquer profissão que elas escolherem”.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Desembargadora Clarice Claudino sentada ao fundo assistindo o siriri. Os dançarinos usam roupas pretas e amarelas. Segunda imagem: Desembargadora Clarice Claudino profere palestra no púlpito da Câmara de Nossa Senhora do Livramento. Ela é uma senhora branca, de cabelos curtos, loiros e lisos. Está usando blusa rosa e terno marrom claro. Terceira imagem: Desembargadora profere palestra em frente à plateia cheia de meninas usando a camiseta rosa do projeto 15 Anos Solidário. Quarta imagem: Secretária municipal de Assistência Social, Gonçalina Eva concede entrevista à TV.Jus. Ela é uma mulher negra, de cabelos crespos, pretos e presos em coque, usando vestido com estampa de onça, brincos e colar dourados. Quinta imagem: Vereadora Leila Lúcia Martins concede entrevista à TV.Jus. Ela é uma senhora branca, loira, usando óculos de grau, vestido rosa e terno preto com listras brancas e vermelhas. 
 
Celly Silva/Fotos: Assessoria de imprensa Câmara Municipal
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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