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A Palavra Aberta

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Toda escrevedura é, lá no fundo, um oferecimento de palavras, uma proposta de conversa, uma vontade de amizade. É dizer, um momento de solidariedade e humanidade. A pessoa, o ser humano, é a terra das palavras, o húmus.

Minha composição sem mérito quer ser capaz de olhar o que não se olha, mas que vale ser olhado. Traz vontade de mirar o mundo através do buraco da fechadura (um dia, quem sabe, arrebentar a porta toda. Não… a vida é mistério!). Dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia.

Só que a “coisa linguageira” não pode ser tida e contida nos limites da oração, da frase, da sílaba e do fonema. O texto nunca quer se render. Acho que ouvi em Saussure que o texto busca devolver a linguagem às pessoas e o significado às palavras.

Tecer é vontade de fugir, fugir infinitamente da palavra dada, imposta, pronta. Compor as palavras é vontade de pular para outro lugar, um lugar sem nome, fora das classificações, das normas… dessas “coisas idênticas”, como disse Nietzsche. Sair por aí vendo joão-de-barro andando pelo chão e folhas de palmeira abanar com o vento.

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Toda escrita é uma busca de resposta. “Las palavras que podemos decir son, em el fondo, las palabras que podemos decirnos”.

As palavras vivem com a gente no dia a dia, se fundem com os nossos gestos e ações, se entranham nos nossos sentidos. Atravessam o coração da pessoa, com todas as suas imprecisões e contradições, levantam pouco a pouco o imenso cenário que define, limita e desenha a nossa vida.

Já houve um tempo, não muito apartado, que a palavra (o texto e a linguagem) era o nosso único meio de comunicação. Nesse tempo palavrador éramos submetidos a imaginar. Imaginar o que as palavras nos diziam e o que dizer. E imaginar é estar com a gente mesmo, é nos construir, é estar aberto ao mundo. Imaginar compõe o pensamento.

É o murmúrio silencioso do nosso dentro e a linguagem, amigo leitor, o que somos, que falam e colocam o que vemos na vida. Diga a palavra de você, escute-a, teça seu texto. Ande por aí produzindo a palavra aberta.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Primeiro dia de júri do caso Zampieri ouve seis testemunhas

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O Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá encerrou, nesta terça-feira (29), o primeiro dia de julgamento de três acusados de participação no homicídio do advogado Roberto Zampieri. A sessão será retomada nesta quarta-feira (30), às 9h, com a continuidade da instrução em plenário.Ao longo do dia, foram ouvidas seis testemunhas. Prestaram depoimento o delegado da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira, responsável pelas investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP); o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo; o empresário José Marcos Marini; Mariana Costa Pinto; Lucilene Gonçalves da Silva; e o delegado da Polícia Civil Edilson Ricardo Pick.Durante as oitivas, os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins concentraram os questionamentos na reconstituição da dinâmica do homicídio, no planejamento da ação criminosa e nos elementos probatórios produzidos ao longo das investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Polícia Federal.O julgamento apura a responsabilidade de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Conforme a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Antônio Gomes da Silva é apontado como autor dos disparos que vitimaram Roberto Zampieri. Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria participado da execução do plano criminoso, inclusive com o fornecimento da arma utilizada no crime, enquanto Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é acusado de integrar a empreitada criminosa.A sessão é presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. Também atua na acusação, como assistente do Ministério Público, o advogado Giovani Santin.Os trabalhos serão retomados na manhã desta quarta-feira (30), quando haverá continuidade das demais fases previstas para o julgamento.Fotos: TJMT

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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