Tribunal de Justiça de MT

Nosso Judiciário recebe acadêmicos de Direito da Unic Beira Rio

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O Programa Nosso Judiciário recebeu, nesta segunda-feira (21 de agosto), 40 acadêmicos do 8º, 9º e 10º semestres do curso de Direito da Unic, campus Beira Rio. A visita ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do programa, permite aos estudantes a observação do dia a dia da prática jurídica e a composição e funcionamento do órgão estadual. Eles assistiram a uma sessão de julgamento da 1ª Câmara de Direito Público e Coletivo, com sustentações orais. O tour terminou no Espaço Memória com a exposição de diversos itens que contam a história do TJMT.
 
O desembargador Rondon Bassil Dower Filho, recepcionou os visitantes e falou aos estudantes sobre a importância do comportamento social do profissional de Direito.
 
“São requisitos básicos para ser juiz ou desembargador, a dignidade, honestidade, correição e vida social sem problemas. Não são pessoas diferenciadas da sociedade, mas são pessoas que devem inspirar respeito e dar exemplo. E é preciso saber que se escolheu fazer Direito, escolheu estudar a vida toda. Todo dia tem novidade. Todo dia tem um julgamento que tem alguma coisa de interessante que você pode usar nas suas decisões. Tem que estudar. Tem que gostar de estudar”, afirmou aos acadêmicos.
 
Para o professor de Direito Civil, Robson Salustiano, a visita é uma aula prática de grande valor e tem a finalidade de tirar o aluno da zona de conforto. “O objetivo é tirar o aluno do comodismo e entender na prática como funciona, como foi dito pelo desembargador Rondon, que o juiz e desembargador são pessoas acessíveis. Futuramente esse aluno, enquanto advogado ou servidor público, podem procurar o juiz ou desembargador, de tal modo e como ele aprendeu aqui, como ele realmente viu hoje na prática.”
 
O acadêmico do 10º semestre, Athos Carvalho Sousa, que pretende advogar por algum tempo e prestar concurso para juiz, contou que fez estágio num Juízado Especial e teve várias experiências interessantes, mas que foi por meio do programa Nosso Judiciário que teve a oportunidade de conhecer o Tribunal de Justiça.
 
“O Juízado Especial é um bracinho do Judiciário. Hoje conhecemos a nossa futura casa de atuação. Aprendemos que os desafios da vida vão além do campo teórico e conhecermos a nossa casa de atuação é de extrema importância. Vimos a atuação dos desembargadores e de advogados através de sustentação oral, vimos as instalações, sobre o regimento interno, a evolução do Judiciário”, finalizou. 
 
Nosso Judiciário – A iniciativa busca aproximar o Tribunal de Justiça da sociedade e leva informações sobre o funcionamento e atuação do Poder Judiciário de Mato Grosso. Uma das vertentes do programa tem como foco os alunos do curso superior de Direito. Além do tour, eles recebem um glossário jurídico, que é revisado anualmente, para contribuir com os estudos acadêmicos. O contato é feito pelas faculdades no início do ano letivo para agendamento da visita, que conta como atividade extracurricular.
 
O “Nosso Judiciário” também visita escolas do Ensino Fundamental. O projeto consiste na distribuição da cartilha informativa “Como funcionam os Juizados Especiais” e uma palestra. Os alunos aprendem sobre Justiça Restaurativa, práticas de conciliação, marco civil da Internet, crimes cibernéticos (cyberbullying), Direitos do Consumidor, estrutura do Judiciário, Juizados Especiais e justiça gratuita. 
 
O desembargador Rondon enfatizou a importância do projeto para a aproximação dos magistrados e advogados na rotina profissional.
 
“No dia a dia, até com os advogados mais experientes, sentimos a dificuldade de relacionamento. Parece que existe uma barreira e não há motivos para ter barreira. Porque a diferença entre advogado, desembargador e juiz é apenas um concurso público. O juiz e o desembargador apenas presidem o ato judicial ou são relatores de um recurso. São profissionais que têm em comum um curso de Direito e a alegria e satisfação de operar o Direito e modificar o destino das pessoas. Então são todos iguais em importância. Alias, está na Constituição que o advogado é essencial à administração da Justiça. Então não tem por que ele se sentir diante de uma autoridade, a ponto de constrangê-lo, a fazer o que ele foi fazer no gabinete do juiz ou desembargador”, disse o magistrado.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Foto 1: O desembargador Rondon fala aos acadêmicos numa sala ampla. Ele está de costas para a câmera e veste um terno cinza claro. Quatro pessoas aparecem, também de costas, atrás do magistrado. No canto direito da imagem, está um cinegrafista.
Foto 2: O desembargador Rondon está em pé e entrega uma material impreso para uma estudante.
Foto 3: Estudante estão em pé, ao lado do desembargador Rondon e posam para foto.
 
 
Marcia Marafon/ Fotos: Alair Fernandes
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

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Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

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Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

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Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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