Ministério Público MT
A decisão judicial e o uso da Inteligência Artificial
Publicado em
22 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoA Constituição Federal de 1988 estabelece que toda decisão emanada de órgão judicial deve apresentar os motivos e fundamentos que lhe deram substância (art. 93, IX, da CR/1988). O dever constitucional de fundamentação das decisões judiciais, além de uma garantia processual em favor das partes, revela uma diretriz de legitimação do Poder Judiciário e consolidação do Estado Democrático de Direito. Entre as premissas que justificam a natureza constitucional do dever de motivação e/ou fundamentação das decisões judiciais destacam-se: a) demonstração do uso de argumentação racional no processo de construção decisória; b) controle da juridicidade da decisão; c) legitimação do exercício do poder jurisdicional; d) proteção do devido processo legal e promoção de várias de suas garantias; e) redução do quantitativo de recursos; e f) promoção da segurança jurídica ao definir a interpretação dos dispositivos normativos e tornar possível a homogeneização jurisprudencial pelos Tribunais Superiores.
O Código de Processo Civil (art. 11, caput), na esteira da diretriz constitucional, estabelece como norma diretiva do sistema processual a fundamentação qualificada dos pronunciamentos judiciais e, mais adiante (§ 1.º do art. 489), na seção que trata dos elementos e dos efeitos da sentença, enumera os casos de fundamentação deficiente, equiparando-os à falta de fundamentação. É evidente que a fundamentação qualificada deve se fazer presente em qualquer pronunciamento jurisdicional – seja em processos individuais ou coletivos – e, por via de consequência, deve iluminar a atuação do órgão judicante em todas as fases do iter processual. Tema que vem despertando grande discussão na comunidade processual é a possibilidade da utilização de ferramentas tecnológicas, em auxílio a juízes e tribunais, na elaboração de decisões judiciais. A aplicação da inteligência artificial (IA) poderia contribuir para o aumento da velocidade de funcionamento dos tribunais e, por conseguinte, proporcionar uma expressiva redução na avalanche de processos que tramitam nos tribunais brasileiros? A figura o magistrado poder ser substituída pelo uso de programas de IA de última geração?
A IA pode ser concebida como um conjunto de algoritmos planificado a executar tarefas e/ou atividades propostas pelo ser humano, com propensão a alcançar elevados níveis de exatidão (acurácia) em reduzido espaço de tempo. Os primeiros estudos relacionados ao campo da IA remontam – segundo referenciais demarcados por doutrina especializada –, à primeira metade do século XX e no contexto conturbado da Segunda Guerra Mundial (1940), obtendo progresso exponencial em virtude das descobertas científicas alcançadas até hoje.
O sistema de justiça brasileiro vem adotando práticas e rotinas baseadas no uso da IA há, pelo menos, 20 anos e, a cada dia, desenvolve e emprega inovações tecnológicas projetadas pela revolução digital. Na atualidade, diversos são os projetos em desenvolvimento no âmbito do sistema de justiça direcionados a aprimorar a utilização da IA e dela extrair suas potencialidades para, ao final, aplicá-las em benefício aos jurisdicionados a partir de uma melhoria na qualidade dos serviços prestados pelo sistema jurisdicional. Algumas inciativas vêm se destacando no cenário processual brasileiro, notadamente nos Tribunais Superiores (STF e STJ) e nas instituições que integram a aparelho jurisdicional (Advocacia-Geral da União, Ministério Público Federal, Advocacia Privada). Diante disso, pululam reflexões e florescem controvérsias acerca dos limites funcionais e balizamentos éticos que devem parametrizar o uso de algoritmos de IA no âmbito da atividade decisória desempenhada pelos órgãos jurisdicionais (singulares e colegiados). Estar-se-ia num momento disruptivo a ponto de admitir a substituição da figura do magistrado (humano) por algoritmos de IA (juiz-robô)? Quais as diretrizes que devem ser planificadas para se observar a garantia constitucional da fundamentação decisória? A atividade interpretativa do julgador pode ser afastada pelo emprego do algoritmo decisório?
Os breves questionamentos revelam o quão complexo é o tema e apontam a necessidade premente de equalização e imposição de limites na implementação dos recursos tecnológicos no ambiente decisório judicial. Desde já vale consignar que não se está afastando ou dificultando a implementação de mecanismos digitais no universo decisório, contudo, pondera-se que a atividade decisória é precedida pelo ato de interpretação e esta, por sua vez, é caracterizada pela influência de valores e experiências que marcam a personalidade do intérprete. Daí por que se considera prematuro e imprudente entregar a atividade decisória a programas que utilizam a IA. Enfim, a fundamentação decisória é dever constitucional imposto a todo órgão julgador e sua observância é condição para a preservação do Estado Democrático de Direito, devendo o magistrado, ao aplicar o direito, retirar sua motivação e inspiração do sistema jurídico e dos seus elementos e categorias estruturantes.
Não é demais ressaltar que o exercício da atividade decisória é precedido pelo ato de interpretação e esta, por sua vez, é influenciada a partir de valores e de experiências que marcam a personalidade do intérprete (vieses). Daí ressai a primeira dificuldade em considerar a viabilidade da ‘entrega’ da atividade decisória a programas que utilizam algoritmos de IA. Se, por um lado, são muito bem recomendadas a adoção de soluções digitais na esfera da prestação jurisdicional que contribuam para um melhor desempenho do sistema de justiça, de outro, são ainda rarefeitos (pouco convincentes) os argumentos que se prestam a justificar a implementação de rotinas decisionais levadas a efeito por ‘máquinas’ projetadas a resolver a controvérsia em substituição à tradicional forma de se aplicar o direito pela personificação do magistrado. O tema é desafiador e não pode ser ignorado, na medida em que a velocidade no aperfeiçoamento das ‘máquinas inteligentes’ e a profusão de experiências em diversas áreas do conhecimento têm demonstrado ser o debate inescapável à comunidade jurídica. Nesse sentido, é extremamente relevante a doutrina jurídica debater e propor diretrizes (principiológicas, éticas) mínimas de utilização de programas de IA na esfera jurisdicional decisória, a fim de se estabelecer um marco legal para regulamentar o setor e garantir transparência e segurança jurídica aos usuários dos serviços judiciais. As implicações desencadeadas pela ideia de construção de uma decisão judicial exclusivamente ‘artificial’, ou seja, elaborada por algoritmos projetados para encontrar a solução jurídica mais adequada ao caso em apreciação, alcançam estatura suficiente a obstar qualquer tentativa de afastar o Estado-juiz do dever de prestar a tutela jurisdicional. A começar pela inexistência de parâmetros legais e/ou principiológicas a legitimar essa funcionalidade decisória robotizada.
Esse Contexto permite-nos afirmar que o processo de edificação da decisão judicial, longe de retratar a solitária atuação de um personagem (órgão julgador) revela, na verdade, um complexo de etapas conformativas integrado por protagonistas (partes, terceiros intervenientes, amici curiae) que atuam para influenciar a construção do pronunciamento decisional. Com efeito, é prematuro considerar a possibilidade de confiar a resolução da controvérsia (exclusivamente) a determinados programas artificiais inteligentes. A partir dessas reflexões, conclui-se que a missão de formar decisões deve ficar restrita à atividade intelectiva de magistrados que integram os órgãos colegiados competentes, portanto, inadequado submeter tal função à deliberação exclusiva de máquinas inteligentes. Isso não impede que ferramentas tecnológicas de alta performance e elevado nível de acurácia sejam utilizadas em atividade de auxílio à tomada de decisão.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Ministério Público MT
MP participa da inauguração de centro para população de rua em Cuiabá
Published
3 dias agoon
19 de junho de 2026By
Da Redação
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), representado pela subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, promotora de Justiça Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, participou nesta sexta-feira (19) da inauguração do Cidadania Pop Rua Zé Bolo Flô, em Cuiabá, espaço criado para oferecer atendimento integrado à população em situação de rua.
Segundo a Prefeitura de Cuiabá, há atualmente cerca de 1.803 pessoas em situação de rua. O Cidadania Pop Rua foi desenvolvido para oferecer serviços essenciais como acolhimento, higiene, lavanderia e guarda de pertences, além de atendimento voltado à emissão de documentos, orientação jurídica, acesso à justiça e inclusão social.
Durante a inauguração, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do MPMT destacou a importância da atuação conjunta entre as instituições em prol da população em situação de vulnerabilidade.
“As respostas para um desafio tão complexo passam pela atuação integrada entre o poder público, a sociedade civil e a rede de apoio. Estruturas como o Pop Rua fortalecem essa articulação e ampliam o acesso a serviços essenciais, com mais dignidade.”, defendeu.
O espaço leva o nome de Zé Bolo Flô, personagem marcante da cultura cuiabana. Na década de 1960, José Inácio da Silva se tornou conhecido por vender bolos e flores nas ruas da capital e por expressar sensibilidade artística por meio de poesias e músicas.
O Ministério Público tem atuado na promoção de políticas públicas voltadas à população em situação de rua. Em 2025, foi firmado termo de compromisso com o Município de Cuiabá para fortalecer ações como segurança alimentar, elaboração de diagnóstico social e planejamento do atendimento.
A instituição também tem promovido audiências públicas e ampliado a atuação de promotorias especializadas, com o objetivo de contribuir para a construção de soluções efetivas e permanentes para o atendimento à população em situação de rua.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Programa Magistratura e Sociedade discute relações de poder com filósofo Silvio Gallo
Poder Judiciário debate impacto do feminicídio e reforça ações de prevenção durante evento anual
Cuiabá oferta 325 vagas de emprego com salários de até R$ 5 mil
Confira a agenda de atendimentos da Van Rosa nesta semana
Letramento racial no Poder Judiciário de Mato Grosso é construção contínua, afirma pesquisadora
GRANDE CUIABÁ
Cuiabá oferta 325 vagas de emprego com salários de até R$ 5 mil
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho, Emprego e Empreendedorismo, oferece 325 vagas de emprego em...
Operação em clubes da capital avança e reforça exigências de segurança e acessibilidade
A Prefeitura de Cuiabá realizou mais um desdobramento da Operação Alvará Regular: Férias Seguras, com a vistoria de dois clubes...
Secretarias da Mulher e de Assistência Social levam acolhimento à comunidade rural
A Prefeitura de Cuiabá, por meio das secretarias municipais da Mulher e de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, realizou...
MATO GROSSO
Confira a agenda de atendimentos da Van Rosa nesta semana
O Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT), dá continuidade nesta...
Corpo de Bombeiros apresenta proposta de programa para ampliar regularização de empresas em Mato Grosso
Com foco na desburocratização e no fortalecimento do ambiente de negócios em Mato Grosso, o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMT)...
Polícia Militar prende homem com 14 caixas de produtos contrabandeados em Alto Araguaia
Policiais militares do 15º Batalhão prenderam um homem pelo crime de contrabando, durante fiscalização na BR-364, na madrugada deste domingo...
POLÍCIA
Polícia Militar prende homem com 14 caixas de produtos contrabandeados em Alto Araguaia
Policiais militares do 15º Batalhão prenderam um homem pelo crime de contrabando, durante fiscalização na BR-364, na madrugada deste domingo...
Polícia Militar apreende arma de fogo e conduz três suspeitos em Cáceres
Policiais militares do 6º Comando Regional e do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) prenderam dois homens e apreenderam...
Polícia Civil prende 5 pessoas por tráfico de drogas em Pontes e Lacerda
A Polícia Civil prendeu em flagrante três homens e duas mulheres, na sexta-feira (19.6), no município de Pontes e Lacerda,...
ENTRETENIMENTO
Lore Improta exibe ensaio de Levi em clima de Copa do Mundo: ‘Mini craque chegou’
Lore Improta compartilhou com os seguidores, na noite desta sexta-feira (19), um ensaio fotográfico especial do filho caçula, Levi, fruto...
Clássico do cinema brasileiro, Xica da Silva será relançado em versão restaurada
Um dos maiores clássicos do cinema nacional, Xica da Silva voltará às telonas em versão restaurada. O longa dirigido por...
Suzanna Freitas celebra primeiro imóvel presenteado pelos pais: ‘Nem acredito’
A influenciadora Suzanna Freitas, de 25 anos, está vivendo uma nova fase em sua vida. A criadora de conteúdo ganhou...
ESPORTES
Colômbia vence Uzbequistão e assume a ponta do Grupo K na Copa do Mundo
A seleção da Colômbia iniciou sua caminhada no Mundial com uma vitória segura. Em partida realizada nesta quarta-feira, no Estádio...
Gana vence Panamá na estreia e assume vice-liderança do Grupo L
Gana começou bem sua campanha na Copa do Mundo de 2026 ao superar o Panamá por 1 a 0 nesta...
Inglaterra vence Croácia em estreia movimentada na Copa do Mundo
A seleção da Inglaterra começou sua trajetória no Mundial de 2026 com o pé direito. Em um confronto repleto de...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
MATO GROSSO6 dias agoMato Grosso registra maior crescimento do país no abate de bovinos no 1º trimestre de 2026
-
MATO GROSSO6 dias agoGoverno de MT, AL, Poder Judiciário e Prefeitura de Cuiabá se reúnem para regularizar bairros Paraisópolis e Silvanópolis
-
MATO GROSSO6 dias agoPolícia Civil cumpre mandado de busca e apreensão em Comodoro e apreende armas de fogo e munições
-
MATO GROSSO6 dias agoPolícia Civil prende casal que aplicou golpe de R$ 38 mil em empresa de produtos de harmonização orofacial
