Uma operação integrada das polícias Militar e Civil realizada, na manhã desta quinta-feira (04.07), em Lambari D’Oeste (340 km de Cuiabá), impediu a invasão de uma área de terras de propriedade privada. Na ação, 55 pessoas foram conduzidas à delegacia e diversas armas e outros objetos apreendidos com os invasores. Na lista das armas estão, inclusive, uma pistola com 20 munições de calibre 20.
Também foram apreendidas dez armas brancas de diversos tamanhos e modelos, como facas, facões, canivetes, entre outras similares. Das pessoas conduzidas, duas estão sendo autuadas em flagrante delito por porte ilegal de arma e de munições.
No local também haviam diversos veículos, como caminhonete, carros de passeio, motocicleta e uma estrutura servindo aos invasores com objetos de uso pessoal e suporte coletivo, como panelas gigantes, garrafas térmicas, colchões, entre outros.
Essa operação teve como base o alerta emitido pela Central de Monitoramento e Acompanhamento de possíveis invasões de terra, criada como parte do protocolo do Programa Tolerância Zero às ocupações ilegais instituído pelo Governo do Estado. A central funciona na Sesp-MT, sob a gerência das Secretarias Adjuntas de Inteligência(SAI) e Integração Operacional(Saiop).
Cerca de 60 policiais civis e militares atuaram no local sob o comando do cel PM Óttoni Castro Soares, comandante do 6º Comando Regional de Cáceres, e do delegado Regional de Cáceres, Higo Rafael de Oliveira.
Os detidos e materiais apreendidos foram levados à delegacia de Polícia de Rio Branco (356 km de Cuiabá), unidade da Regional de Cáceres, onde todos os procedimentos criminais estão sendo adotados.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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