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Mães atípicas falam sobre os desafios e sensibilização sobre o TEA

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O “faleiro” desta quinta-feira (10) do projeto “Diálogos com a Sociedade” foi para debater um tema ainda cercado de muito preconceito: o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A Rádio CBN Cuiabá recebeu a promotora de Justiça Daniele Crema da Rocha de Souza, a neuropsicopedagoga clínica e institucional Janaine Assis, e a vereadora do município de Cuiabá Maysa Leão (Republicanos), para falarem sobre suas vivências como mães atípicas e os desafios que seus filhos enfrentam no dia a dia e no convívio em sociedade.“O autismo ficou por muito tempo na invisibilidade. As pessoas têm uma visão de que é uma condição nova, mas existem estudos do psiquiatra Leo Kanner, da década de 1940, que já descreviam o autismo como um transtorno do neurodesenvolvimento. E ao longo dos anos, essa condição sofreu muito preconceito, com muitas crianças sendo retiradas da vida familiar e colocadas em instituições manicomiais porque eram crianças não compreendidas pela sociedade. Por ser um espectro, ele afeta a comunicação, a interação social e o comportamento de maneira variável. Então, é importante termos cada vez mais espaços como esse, para debatermos e levarmos à sociedade informações sobre o autismo, promovendo a conscientização e o entendimento sobre o TEA”, declarou a vereadora Maysa Leão.Janaine Assis destacou que existe um marco de desenvolvimento infantil que precisa de atenção e ser respeitado. “Essa história de que ‘cada criança tem o seu tempo’ não existe. É um lema que nós [pais atípicos] queremos quebrar e extinguir, porque existe um marco de desenvolvimento que precisa ser respeitado. Então, se uma criança começa a falar as primeiras palavras entre um ano a um ano e três meses, e há uma criança com um ano e quatro, cinco meses, que ainda não fala, ela já está atrasada. Não significa que ela seja uma criança autista, mas ela já tem um atraso”, disse.A neuropsicopedagoga defendeu também que é preciso atenção à rede primária de saúde. “Existem coisas que são muito básicas dentro do autismo, que se um médico da rede primária estiver qualificado, ele pode dar orientações para os pais para que esse tratamento precoce ocorra o quanto antes e que ajude a sanar várias situações, para que o cérebro daquela criança passe a entender o comportamento correto. O tratamento não é para curar o autismo, porque o autismo é para o resto da vida, mas para retirar esses atrasos presentes na vida das crianças autistas, dando autonomia e qualidade de vida para elas”, argumentou.A promotora de Justiça Daniele Crema afirmou que a legislação em relação ao Transtorno do Espectro Autista é ampla, com alguns tratados internacionais, como a Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, mas que no Brasil existe uma lei específica que ampara as pessoas autistas. “A Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012) é uma lei federal que estabelece a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, garantindo a elas direitos essenciais e que as considera pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Nós temos uma vasta legislação, estadual e federal, que ampara essas pessoas”, revelou.Daniele Crema ressaltou que o Ministério Público de Mato Grosso desenvolveu uma cartilha, reunindo toda a legislação a respeito das pessoas com o TEA. “O MPMT criou essa cartilha, compilando a legislação federal e estadual, para compartilhar e promover a conscientização sobre o assunto e divulgar informações acerca dos direitos das pessoas autistas. Porque, embora nós tenhamos um arcabouço normativo, a concretude dessa legislação ainda é muito falha”, afirmou a promotora de Justiça, que é coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Pessoa com Deficiência.As entrevistas do projeto Diálogos com a Sociedade terminam nesta sexta-feira (11). A iniciativa conta com o apoio de empresas privadas, como Pantanal Shopping, Rádio CBN, Aprosoja, Energisa Mato Grosso, Unimed Mato Grosso, Bodytech Goiabeiras e Águas Cuiabá.Assista aqui à entrevista na íntegra.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Júri de filho de ex-deputado é redesignado para o dia 21 de julho

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A 1ª Vara Criminal de Cuiabá acolheu pedido da 2ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital e determinou, nesta segunda-feira (6), o levantamento integral do sigilo processual da ação penal que apura as mortes de Thays Machado e Willian Cesar Moreno. O requerimento foi protocolado em 2 de julho pela promotora de Justiça Élide Manzini de Campos. Na decisão, a magistrada reconheceu a regra geral de publicidade da sessão plenária, autorizando a presença do público no julgamento. Inicialmente marcado para esta terça-feira (7), o julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra foi redesignado pela Justiça para o dia 21 de julho de 2026, às 9h, após pedido da defesa relacionado ao acesso a materiais produzidos durante a investigação. Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, Carlos Alberto Gomes Bezerra é réu confesso e está preso. Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o feminicídio foi praticado por motivo torpe, relacionado à inconformidade com o fim do relacionamento amoroso, mediante extrema violência e em circunstâncias que impossibilitaram qualquer reação da vítima.Para o MPMT, a conduta demonstrou elevado grau de crueldade, uma vez que os disparos foram efetuados em plena luz do dia, em área urbana com intensa circulação de pessoas, utilizando uma pistola semiautomática.O MPMT sustenta ainda que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero. Segundo a denúncia, o acusado se valeu da condição de ex-companheiro da vítima e de sua superioridade física para exercer controle e violência contra Thays Machado, evidenciando menosprezo à condição feminina da vítima e enquadrando o caso nas hipóteses legais de feminicídio.Em relação à morte de Willian Cesar Moreno, o Ministério Público denunciou o acusado por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Conforme a acusação, a ação foi premeditada e executada de forma a surpreender o casal, impedindo qualquer possibilidade efetiva de reação ou fuga diante dos disparos efetuados pelo acusado.Ao analisar o pedido, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira entendeu que não há, neste momento, risco concreto à intimidade das vítimas ou de terceiros que justifique a manutenção do segredo de Justiça. A magistrada destacou ainda que a publicidade dos atos processuais constitui regra constitucional e que o próprio Ministério Público, após diálogo com os familiares das vítimas, manifestou-se favoravelmente à abertura da sessão. Apesar do levantamento do sigilo, a decisão estabelece restrições para a cobertura do julgamento. A cobertura televisiva da sessão ficará limitada à assessoria de imprensa oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, sendo vedado o acesso ao plenário de equipes de emissoras e demais veículos de comunicação. Também permanece proibida a captação e divulgação de imagens que permitam a identificação do réu e dos jurados. O acesso do público em geral, contudo, está autorizado.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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