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Judiciário de MT realiza terceiro encontro de curso pioneiro em Justiça Restaurativa

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Na manhã desta quarta-feira (20 de agosto), ocorreu o terceiro encontro do Módulo 1 do “Curso de Formação de Instrutores de Justiça Restaurativa e Facilitadores de Círculos de Construção de Paz Mais Complexos”. O programa, inédito no Judiciário de Mato Grosso, tem como objetivo capacitar profissionais para atuar em situações de maior complexidade, estimulando o diálogo, a cooperação e a restauração de vínculos sociais.

A iniciativa é promovida em parceria pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (NugJur-TJMT), pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e pela Escola dos Servidores do Poder Judiciário. A coordenação é da desembargadora Clarice Claudino da Silva, presidente do NugJur, e do juiz Túlio Duailibi Alves Souza, coordenador do Núcleo.

Sob a condução da pedagoga e especialista em Neurociência e Comportamento, Katiane Boschetti da Silveira, o curso apresenta metodologias práticas e reflexivas sobre os processos restaurativos. Ela explica que a formação é organizada em três etapas principais: pré-círculo, círculo e pós-círculo.

“No pré-círculo, abordamos a participação do ofensor: a admissão, o reconhecimento e a autoria. A partir da postura do autor, surgem novas possibilidades de condução”, detalhou. Nesta semana, o foco foi no círculo, e no próximo encontro será trabalhado o pós-círculo.

Segundo Katiane, “o círculo é uma das metodologias da Justiça Restaurativa, uma oportunidade de as pessoas conversarem de forma estruturada em um espaço seguro. Trata-se de um procedimento restaurativo que nasce de um fato concreto, exigindo adaptação e desenvolvimento de habilidades para promover compreensão e reconexão entre os envolvidos”.

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Close da participante Katiane Boschetti da Silveira durante a videoconferência. Ela usa blazer azul e camisa clara, fones de ouvido e aparece sorridente, em ambiente iluminado, transmitindo profissionalismo.Além da abordagem da facilitadora, os participantes também realizaram atividades em grupo. O Grupo 1 apresentou um resgate histórico da justiça criminal, mostrando sua evolução desde a filosofia grega e a teoria retributiva, que defendia a punição como forma de compensação do dano e de sensação de justiça para a vítima. O estudo destacou que, ao longo dos séculos, a lógica punitiva resultou na criação das prisões e da ideia de privação de liberdade, especialmente a partir do século XIX e XX, trazendo como consequência isolamento, humilhação e pouca ou nenhuma oportunidade de reflexão e mudança para os ofensores.

O grupo ressaltou ainda que esse modelo deixou sequelas sociais, como a manutenção de desigualdades, a estigmatização dos egressos do sistema penal e o afastamento das vítimas do processo de reparação. Autores contemporâneos passaram a criticar esse enfoque exclusivamente punitivo, defendendo práticas que incluam a escuta das vítimas e o reconhecimento das necessidades de todos os envolvidos, pilares que abriram caminho para a Justiça Restaurativa.

Nesse contexto, a Justiça Restaurativa foi destacada como uma alternativa inovadora, baseada na dignidade da pessoa humana, na reconstrução de vínculos e na não violência ativa, entendida não como fraqueza, mas como uma escolha consciente de empatia e coragem para interromper ciclos de violência. Os participantes enfatizaram que essa abordagem deve ser vista como prática cotidiana de convivência social, rompendo padrões históricos de racismo, exclusão e desigualdade.

Em outra tela de reunião online, diferentes participantes acompanham o curso, atentos às falas. O fundo institucional do NUGJUR reforça o caráter oficial do encontro e a diversidade dos ambientes de cada inscrito.Foram citadas ainda diretrizes internacionais, como a Resolução 2002/12 do Conselho Econômico e Social da ONU, que orienta a aplicação da Justiça Restaurativa na justiça criminal. O documento reforça princípios como a centralidade da vítima, a responsabilização ativa do ofensor, a flexibilidade cultural e a garantia da segurança de todas as partes. Também foi mencionada a ADPF 347, que propõe, entre outras medidas, a implantação e qualificação de Núcleos de Justiça Restaurativa nos tribunais brasileiros, além de projetos voltados à audiência de custódia e a acordos penais.

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O Módulo 1 do curso conta com cinco encontros virtuais, sempre às quartas-feiras, das 8h às 12h, nas datas de 6, 13, 20 e 27 de agosto, e 3 de setembro. Já o Módulo 2 ocorrerá de forma presencial entre os dias 8 e 12 de setembro, em período integral. O Módulo 3 terá quatro encontros on-line, de setembro a dezembro, e o Módulo 4 corresponde ao estágio supervisionado, com a prática de círculos de paz complexos em encontros presenciais.

Com carga horária de 100 horas-aula, a formação utiliza metodologias ativas e vivenciais, incentivando a prática, a compreensão teórica e a aplicação de técnicas restaurativas em diferentes contextos. Entre os temas abordados estão o papel do instrutor, a aplicação de círculos de paz em conflitos complexos, a construção de consensos e a vivência prática dos métodos.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 e (65) 99943-1576.

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Autor: Flávia Borges

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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