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Programa do TRE-MT forma 32 alunos e reforça inclusão social por meio da alfabetização

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Eles e elas cresceram com a crença de que trabalhar ou cuidar de casa era mais importante do que estudar. A juventude dos primeiros anos ficou para trás, mas não levou embora aquilo que pulsa em cada ser humano: a vontade de aprender. Inspirados pela verdade de que “os sonhos não envelhecem”, os 32 formandos da 7ª edição do SoleTRE, o programa de alfabetização solidária para adultos e idosos do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), receberam seus diplomas de conclusão nesta quinta-feira (27), durante cerimônia ocorrida no Plenário da instituição, logo após a sessão plenária com a presença de todos os membros da Corte Eleitoral, além de convidados. A cerimônia foi transmitida pelo canal do TRE-MT no YouTube.

A sessão extraordinária também homenageou 10 professores voluntários do programa, entre eles a professora Luiza Adelina Beal, de 89 anos, voluntária do SoleTRE, que por motivos de saúde não pôde se dedicar ao programa em 2025. “Receba o reconhecimento do TRE-MT e do Estado de Mato Grosso pelo seu trabalho. A senhora é um exemplo no enfrentamento pela inclusão da melhor idade, uma pauta democrática, por meio do seu trabalho voluntário, atuando, sendo útil para tirar o idoso da escuridão e colocá-lo na luz, em todos os sentidos, porque a senhora é uma mulher de fé e faz isso maravilhosamente bem”, disse a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves.

A magistrada entregou o certificado à primeira homenageada. “Já me sinto com quase 100 anos, mexendo com os alunos, sonho com eles, já aprovei cerca de 200 alunos, desde o início do projeto. Acho lindo, por isso eu gosto de dar aula mais para eles (adultos e idosos) do que para os pequenos. Quero parabenizar a senhora (desembargadora) pelo projeto, porque os alunos sabendo ler e escrever eles se tornam cidadãos. Estou muito feliz em estar aqui, obrigada”, disse a primeira homenageada que é mãe do ex-juiz-membro do TRE/MT, Eustáquio Noronha Neto, ex-diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Mato Grosso (EJE-MT).

Programa do TRE-MT forma 32 alunos e reforça inclusão social por meio da alfabetização 1
Formandos, professores do SoleTRE, convidados e a Corte Eleitoral posam para a foto oficial

Durante a sessão extraordinária foi exibido um vídeo institucional de pouco mais de dois minutos em homenagem ao projeto, aos formandos e aos professores voluntários. A produção conta com o depoimento de um aluno e de uma aluna. Na sequência, um a um, formandos e professores voluntários subiram ao palco para receber seus certificados e um presente natalino, entregues pelos desembargadores Serly Marcondes Alves e Marcos Machado, corregedor Regional Eleitoral e vice-presidente do TRE-MT. Em nome da turma de formandos, discursaram como oradores os alunos Anatália Silva de Oliveira e Anderson Cleiton de Magalhães.

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Vergonha de ler em público

Os alunos relataram como a falta de alfabetização trouxe consequências para a vida interpessoal e para a própria autoestima, trazendo constrangimento e até um certo isolamento. “Aprendi muita coisa aqui no SoleTRE, coisas que não aprendi quando era mais jovem. Eu lia, mas não sabia escrever direito. Eu trocava muito as palavras, eu tinha até vergonha de ler na frente dos outros. Eu agradeço às professoras pela paciência e por não desistir da gente. Eu espero que esse projeto continue”, relatou Anatália Silva de Oliveira.

Não desista dos seus sonhos

Convidado pela professora Eliza, Anderson Cleiton de Magalhães carregava consigo o medo dos desafios pela frente para aprender a ler e a escrever já homem adulto. “Eu não sabia desse projeto. Não fosse pelos professores e amigos, não estaria aqui. Quando entrei aqui eu não sabia nada, não fosse por eles eu continuaria não sabendo nada. Os professores continuam nos ajudando até hoje, não vou desistir, vou seguir em frente. Peço que não desistam, essa oportunidade é única, é uma oportunidade de ler e escrever, e de ajudar uns aos outros, de não desistir daquele sonho que você tem”, disse emocionado em meio a lágrimas.

Ônibus errado

José Rodrigues de Melo conta que viu no projeto SoleTRE a oportunidade não só de aprender a ler e escrever, mas de fazer amigos, de se integrar junto à sociedade, de se sentir mais útil e ter mais autonomia para ir e vir. “Quando eu cheguei aqui não sabia nada, aqui eu conheci as letras, não sabia formar as palavras, não sabia que diferença tinha a vogal da consoante. Inclusive ia pegar um ônibus e pegava o ônibus errado por não saber ler. Hoje, já aprendi”, narrou.

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Às mestras com carinho

A aluna Daniele Cristina Dias Saga subiu ao palco para agradecer coletivamente às contribuições dos professores voluntários junto ao projeto, destacando o apoio, a amizade e a dedicação dos professores. “Queria agradecer a todas as professoras que nos ensinaram a ler e escrever, à minha mãe, que me trouxe aqui, às professoras Eliza, Sofia, Kelly e todas as outras professoras, e ao colega Anderson”, concluiu.

Após a solenidade, o pleno do TRE-MT se juntou ao grupo de formandos para uma foto oficial de encerramento. Em seguida, foi servido um coffe-break dedicado aos atores do programa, bem como familiares e amigos, além de servidores do TER-MT, em comemoração ao término do curso de alfabetização.

O SoleTRE

O programa SoleTRE é coordenado pelo TRE-MT e já alfabetizou, desde a 1ª edição, em 2019, cerca de 200 pessoas. Trata-se de um importante serviço voluntário, que promove a cidadania, o acesso e a inclusão social. As aulas são ministradas às terças e quintas-feiras, das 8h às 11h, nas salas de aula nº 01 e 02 da EJE-MT, localizada na Casa da Democracia, prédio anexo ao TRE-MT, na Av. Historiador Rubens de Mendonça, n° 4750, no Centro Político e Administrativo (CPA), em Cuiabá.

Confira aqui as fotos da cerimônia de formatura.

Jornalista Anderson Pinho

#PraTodosVerem – A primeira imagem exibe uma cena de entrega de certificado. À esquerda, um homem com camisa preta com estampa que inclui um computador antigo e a frase “PROGRAMA VOTO CONSCIENTE”, segura a parte superior de um certificado dobrado. À direita, a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, sorri de forma cortês. Outras pessoas, também com camisas pretas, podem ser vistas em segundo plano. A segunda imagem registra o Pleno do TRE-MT com alunos e alunas, formandos do programa SoleTRE, junto aos professores. Os membros usam toga, enquanto os formandos estão de camisetas pretas, com desenho da urna eletrônica na frente, e exibem seus certificados de conclusão. A imagem foi feita no Plenário da Corte Eleitoral.

1/ Galeria de imagens

Fonte: TRE – MT

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Polícia Civil deflagra operação com alvo em ex-gerente de casa de acolhimento envolvido em desvios de benefícios

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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (22.4), a Operação Broquel para cumprir ordens judiciais contra um esquema de desvio de benefícios de internos da Casa de Acolhimento Rogina Marques de Arruda, da Prefeitura de Várzea Grande.

São cumpridos mandados de busca e apreensão domiciliar e de afastamento de sigilo de dados de aparelhos eletrônicos, expedidos pela Segunda Vara Criminal de Várzea Grande. A operação tem como alvo principal o ex-gerente da unidade, que ocupou o cargo até 2024 e é investigado por crimes de peculato majorado praticados de forma continuada.

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apontam que o suspeito, valendo-se de sua função pública, da sua posição hierárquica sobre os acolhidos e da relação de confiança com eles construída, apropriou-se indevidamente de documentos pessoais, cartões bancários e benefícios assistenciais dos internos.

Saques e empréstimos

De acordo com os relatos colhidos, o ex-gerente realizava saques integrais dos benefícios e contraía empréstimos bancários não autorizados em nome das vítimas, pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social e psicológica.

Algumas das vítimas, além de viverem ou terem vivido em situação de rua, são analfabetas, possuem dificuldade de comunicação, dependência química e alcoólica ou ainda enfermidades de natureza psiquiátrica, características que, em efeito sinérgico, potencializam a condição de vulnerabilidade.

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Em um dos casos documentados, um empréstimo consignado de mais de R$ 16 mil foi formalizado em nome de um acolhido, com indícios de fraude na contratação.

Além dos desvios financeiros, há denúncias de que o investigado utilizava a mão de obra dos internos para trabalhos não remunerados em sua propriedade particular e utilizava métodos de intimidação e coação psicológica para manter o controle sobre os valores desviados.

Suspensão de função pública

Contra o principal investigado, também foi determinada a suspensão do exercício da função pública, sendo ele atualmente ocupante de outro cargo na Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande, bem como o impedimento de nomeação ou contratação para outro cargo pelo Poder Público Municipal.

Foram determinadas outras medidas cautelares, como a proibição de o investigado manter contato com vítimas e testemunhas e a proibição de acesso a todos os prédios e às dependências da Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande.

Casa de Acolhimento

A Casa de Acolhimento Rogina Marques de Arruda é um equipamento público de execução direta da Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande, destinado ao acolhimento de homens adultos em situação de rua.

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O regimento interno da unidade proíbe a retenção de documentos ou valores como condição para permanência no local, prevendo que a guarda de pertences deve ser feita com segurança e devolvida integralmente aos assistidos.

As investigações prosseguem com a análise de materiais apreendidos e a identificação de possíveis novas vítimas do esquema.

Nome da operação

A Operação Broquel (termo que remete a um escudo de proteção) visa não apenas punir os desvios de recursos públicos e particulares, mas também interromper o ciclo de abusos contra cidadãos em estado de extrema hipossuficiência social e jurídica.

Operação Pharus

A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, do Governo do Estado.

Fonte: Governo MT – MT

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