O Circuito Itinerante da Ciência (MT Ciências), iniciativa da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), levará uma programação especial ao Museu de História Natural de Mato Grosso, em Cuiabá, nos dias 27 e 28 de fevereiro. O evento é gratuito e voltado principalmente ao público infantojuvenil.
Na sexta-feira (27), o atendimento será exclusivo para escolas previamente agendadas pelo Museu. As atividades ocorrerão das 7h30 às 17h30 e incluirão jogos educativos de RPG, experiências com óculos de realidade virtual, planetário digital e experimentos científicos interativos.
Já no sábado (28), a programação será aberta ao público em geral, contemplando visitantes de diferentes faixas etárias. As atividades também serão realizadas das 7h30 às 17h30, com a mesma estrutura de experiências interativas e tecnológicas.
De acordo com o coordenador de Popularização da Ciência da Seciteci, Alexandre Espíndola, a ação reforça o compromisso do programa em aproximar o conhecimento científico da sociedade.
“A ação integra o conjunto de iniciativas de popularização da ciência promovidas pelo programa, levando ao público escolar e à comunidade experiências interativas, tecnológicas e lúdicas que aproximam o conhecimento científico do cotidiano das pessoas. Nosso objetivo é despertar o interesse pela ciência, estimular a curiosidade e mostrar que o conhecimento científico pode ser acessível, dinâmico e transformador”, destacou.
O projeto Circuito Itinerante da Ciência de Mato Grosso (MT Ciências) tem como objetivo popularizar a ciência e a tecnologia em todo o estado, ampliando o acesso da população mato-grossense ao conhecimento científico por meio de uma unidade móvel adaptada. A proposta é democratizar o acesso à ciência, levando atividades educativas e interativas a diferentes municípios e públicos.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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