A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) divulgou, na manhã desta segunda-feira (11.5), a lista das escolas estaduais contempladas pelo Projeto Hortas Escolares Pedagógicas para o ano letivo de 2026. A iniciativa é realizada em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) e atenderá 286 unidades da Rede Estadual de Ensino.
No total, serão investidos R$ 3 milhões, recurso que será destinado às escolas selecionadas pelo projeto, reforçando iniciativas voltadas à educação ambiental, sustentabilidade, alimentação saudável e formação cidadã dos estudantes.
Segundo a superintendente de Educação Inclusiva da Seduc, Paula Cunha, o projeto busca transformar os espaços escolares em ambientes de aprendizagem prática, incentivando atividades interdisciplinares que unem teoria e vivência no cotidiano dos alunos. As hortas também funcionam como instrumento para estimular o protagonismo juvenil e a valorização dos saberes locais.
Os recursos poderão ser utilizados na aquisição de ferramentas, sementes, mudas e demais insumos necessários ao cultivo orgânico e sustentável de alimentos e ervas medicinais. A proposta ainda incentiva reflexões sobre os processos produtivos e o cuidado com o meio ambiente.
Somente em 2024 e 2025, o Projeto Hortas Escolares Pedagógicas contemplou 600 escolas da Rede Estadual. Ao longo de dois anos, o Governo do Estado investiu R$ 6 milhões para fortalecer práticas pedagógicas voltadas à segurança alimentar, à educação ambiental e ao desenvolvimento comunitário.
A secretária de Estado de Educação, Flávia Soares, destacou que o projeto vai além do cultivo de alimentos e contribui diretamente para a formação integral dos estudantes.
“As hortas pedagógicas aproximam os alunos de temas importantes, como sustentabilidade, alimentação saudável e responsabilidade ambiental. É uma iniciativa que fortalece o aprendizado de forma prática e também o vínculo da escola com a comunidade”, afirmou.
Ainda conforme a secretária, o projeto reforça o compromisso do Governo de Mato Grosso com políticas públicas intrasetoriais voltadas à educação integral, à sustentabilidade socioambiental e à valorização da juventude.
“A expectativa é de que as ações desenvolvidas nas escolas continuem gerando impactos positivos tanto no ambiente escolar quanto nas comunidades onde as unidades estão inseridas”, concluiu Flavia Soares.
A relação completa das escolas contempladas no Projeto Hortas Escolares está disponível AQUI.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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