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Chuvas atingem 26% dos produtores e causam perdas no campo

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As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira nas últimas semanas provocaram perdas relevantes no campo e reacenderam o alerta sobre a vulnerabilidade da produção rural a eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes em diferentes regiões do país.

Levantamento do Sistema Faemg Senar, que representa produtores rurais e presta assistência técnica em Minas Gerais, mostra que 26% dos produtores rurais tiveram propriedades afetadas pelas tempestades. Pelo menos 61% relataram perda de produção e 23% precisaram paralisar as atividades. A pesquisa ouviu 376 produtores entre o fim de fevereiro e o início de março.

Os impactos vão além da produção. As chuvas atingiram mais de 63 mil hectares de áreas cultivadas, o equivalente a 63% da área total informada pelos produtores. Também foram registradas mortes de animais e danos à infraestrutura dentro das propriedades, ampliando o prejuízo e dificultando a retomada das atividades.

A fragilidade estrutural do setor ficou evidente na gestão de risco. Segundo o levantamento, 95% dos produtores não possuem seguro rural ou instrumentos de proteção financeira. Entre os que tiveram prejuízos, 21% têm financiamentos ativos e parte relevante enfrenta vencimentos no curto prazo, o que aumenta a pressão sobre o caixa em um momento de perda de renda.

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Os efeitos também se estenderam à logística. Em Ubá, um dos municípios mais atingidos, cerca de 91 milímetros de chuva em poucas horas destruíram 31 pontes, comprometendo o escoamento da produção. Produtos perecíveis, como leite, frutas e hortaliças, foram diretamente impactados pela interrupção do transporte.

Casos semelhantes vêm sendo registrados em outras regiões do país, especialmente no Sudeste e no Sul, onde episódios de chuva intensa têm provocado perdas agrícolas, danos a estradas rurais e dificuldades de acesso às propriedades. O padrão reforça uma mudança no regime climático, com maior irregularidade e concentração de precipitações em curtos períodos.

Para o produtor rural, o cenário amplia a necessidade de planejamento e adoção de ferramentas de mitigação de risco. Sem mecanismos como seguro, crédito estruturado ou apoio emergencial, eventos climáticos desse tipo tendem a gerar impactos prolongados, afetando não apenas a safra atual, mas também a capacidade de investimento nas próximas temporadas.

Fonte: Pensar Agro

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

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A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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