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Comércio exterior ganha fôlego no início de 2026: movimentou 325 bilhões

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Entre janeiro e o começo de fevereiro, o Brasil exportou cerca de R$ 172,8 bilhões e importou aproximadamente R$ 152,8 bilhões, resultando em saldo positivo próximo de R$ 20 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

O número continua elevado, mas a trajetória indica mudança de ritmo. Na primeira semana de fevereiro, isoladamente, a balança ficou negativa, reflexo do aumento das importações — comportamento comum quando a atividade industrial começa a acelerar.

No período, a chamada corrente de comércio — indicador bastante usado por economistas para medir o dinamismo do comércio exterior — alcançou aproximadamente R$ 325,6 bilhões. Em termos simples, corrente de comércio é a soma de tudo o que o país exporta com tudo o que importa. Ou seja, não mede ganho ou perda, mas o tamanho do fluxo de negócios do Brasil com o mundo. Quando cresce, significa mais movimentação econômica, maior circulação de mercadorias, contratos e fretes; quando cai, costuma indicar desaceleração global ou doméstica.

Os dados mostram exatamente isso: não houve uma piora estrutural das exportações, mas um avanço mais rápido das importações. Na primeira semana de fevereiro, as compras externas somaram cerca de R$ 40,5 bilhões, superando as vendas, de aproximadamente R$ 37,3 bilhões, e gerando déficit semanal em torno de R$ 3,5 bilhões.

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O comportamento está ligado principalmente ao ciclo industrial. Com a indústria voltando a recompor estoques e adquirir insumos — fertilizantes, combustíveis, peças, eletrônicos e máquinas — o país naturalmente passa a importar mais. É, paradoxalmente, um sinal de atividade econômica, não necessariamente de fragilidade.

Ainda assim, o desempenho anual continua fortemente sustentado pelo agronegócio. Soja, milho, carnes e derivados minerais seguem respondendo por parcela expressiva das receitas externas e continuam garantindo o saldo positivo mesmo em momentos de maior demanda por importações.

Para o mercado, o ponto de atenção não é o déficit pontual, mas a tendência. Se as importações crescerem apenas por retomada produtiva, o efeito sobre o PIB é positivo. O problema surgiria apenas se as exportações desacelerassem ao mesmo tempo — cenário que dependerá, sobretudo, do comportamento da economia chinesa e dos preços internacionais das commodities ao longo de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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Celulose rende R$ 11 bilhões e assume liderança nas exportações industriais

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A celulose tornou-se o principal produto industrial de Mato Grosso do Sul no mercado internacional. Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações do segmento renderam aproximadamente R$ 11 bilhões e responderam por 40% da receita industrial obtida pelo Estado no exterior.

Os valores foram convertidos pela cotação de R$ 5,11. Os dados são do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), com base no sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No período, as exportações industriais sul-mato-grossenses alcançaram o recorde de R$ 27,5 bilhões, crescimento de 5% sobre os oito primeiros meses de 2025. A indústria respondeu por 66% de tudo o que o Estado vendeu ao exterior.

O avanço da celulose está ligado à formação de um polo florestal e industrial no leste de Mato Grosso do Sul, especialmente na região de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. A cadeia conecta os plantios de eucalipto às fábricas, transportadoras, prestadores de serviços e estruturas de armazenamento e escoamento.

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As pastas químicas de madeira concentraram 99,4% das exportações do segmento. O resultado demonstra a especialização alcançada pelo Estado, que deixou de atuar apenas como fornecedor de matérias-primas agropecuárias e passou a abrigar uma das maiores estruturas de transformação de madeira plantada do País.

Para o produtor rural, a expansão abre espaço para contratos florestais, arrendamentos e diversificação de renda. O aproveitamento dessas oportunidades, contudo, depende da proximidade das fábricas, do custo do transporte e do planejamento financeiro de uma cultura com ciclo mais longo que o das lavouras anuais.

A celulose superou o complexo frigorífico, que exportou R$ 9,66 bilhões e respondeu por 35% da receita industrial. A diferença entre as duas cadeias chegou a R$ 1,33 bilhão. Juntas, celulose e carnes concentraram três quartos das vendas industriais externas do Estado.

Outros segmentos também contribuíram para o resultado. As exportações de óleos vegetais renderam R$ 2,97 bilhões; açúcar e etanol movimentaram R$ 1,39 bilhão; e os produtos da indústria extrativa mineral somaram R$ 814,5 milhões.

Somente em agosto, as vendas industriais ao exterior alcançaram R$ 3,6 bilhões, alta de 3% na comparação anual e o melhor resultado já registrado pelo Estado para o mês.

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A manutenção desse crescimento exigirá expansão planejada das florestas cultivadas, capacidade logística e disponibilidade de mão de obra. O desempenho até agosto, entretanto, confirma a celulose como novo eixo da economia sul-mato-grossense e mostra como a integração entre produção rural e indústria pode ampliar o valor gerado dentro do Estado.

Fonte: Pensar Agro

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