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Fechar as lacunas de produtividade é chave para pecuária sustentável no Brasil

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A agropecuária brasileira tem diante de si um desafio que vai além da expansão de fronteiras: aumentar a produção de carne e leite sem derrubar um hectare sequer de vegetação nativa. Um estudo internacional, com participação de pesquisadores da Embrapa, aponta que a resposta está em atacar as chamadas lacunas de rendimento, a diferença entre o que as fazendas produzem hoje e o que poderiam produzir em condições ideais de manejo.

As pastagens cobrem cerca de 70% da área agrícola mundial e têm papel estratégico na segurança alimentar global. No Brasil, onde a pecuária é majoritariamente baseada em pasto, reduzir as lacunas de produtividade significa usar melhor os recursos já disponíveis, evitando pressões sobre florestas e outros biomas sensíveis.

Segundo os pesquisadores, muitas análises atuais não consideram variáveis cruciais como o tipo de pastejo, a diversidade das forrageiras ou o comportamento seletivo dos animais. Isso limita a precisão das estimativas e pode levar a diagnósticos distantes da realidade de campo.

O levantamento revisou os principais métodos usados no mundo para medir essas lacunas:

  • Benchmarking: compara o desempenho de fazendas menos produtivas com as mais eficientes, mas não considera custos ou insumos.

  • Análise de fronteira: avalia a eficiência técnica e econômica, útil para escalas regionais ou nacionais.

  • Agrupamento climático: relaciona clima e potencial de produção, mas ignora o manejo específico de cada propriedade.

  • Modelos de sistema de produção: combinam dados biofísicos de pasto, animais e clima, sendo considerados os mais promissores para dar previsibilidade.

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No Brasil, técnicas de sensoriamento remoto já permitem estimar a disponibilidade de forragem em grandes áreas, ajudando a calcular a capacidade de suporte do pasto e a ajustar o número de animais. Essa informação é vital para melhorar a eficiência e reduzir emissões por quilo de carne ou litro de leite.

Apesar dos avanços, o estudo lembra que a pecuária brasileira opera com níveis reduzidos de incentivos econômicos quando comparada a outros países. Para os especialistas, o produtor toma decisões com base em riscos e custos de oportunidade muito específicos de cada realidade — variando conforme a qualidade da terra, a disponibilidade de capital e o acesso a assistência técnica.
Isso mostra que fechar as lacunas de produtividade exige não apenas tecnologia, mas também políticas públicas, crédito e infraestrutura que deem suporte ao produtor.

A redução das lacunas pode trazer ganhos expressivos:

  • Mais produção sem desmatamento: maior aproveitamento das áreas já abertas.

  • Renda ampliada: melhor retorno econômico para o produtor rural.

  • Sustentabilidade: menor emissão de gases de efeito estufa por unidade produzida.

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Pesquisadores reforçam que os próximos passos incluem combinar diferentes métodos de análise e incluir variáveis socioeconômicas nas medições. Isso permitirá identificar quais regiões e sistemas têm maior potencial de ganho e, assim, direcionar investimentos de forma mais estratégica.

Fechar as lacunas de rendimento significa transformar a pecuária em um setor mais eficiente, rentável e sustentável. A Embrapa avalia que, com a adoção de tecnologias adequadas, o Brasil pode aumentar significativamente sua produção de carne e leite sem ampliar a área de pastagens.
Para o mercado internacional, esse movimento é decisivo: fortalece a imagem do país como fornecedor confiável em um cenário em que sustentabilidade pesa tanto quanto preço.

Fonte: Pensar Agro

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Atenção para a declaração de rebanho obrigatória

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A atualização cadastral dos rebanhos, obrigatória para produtores rurais em todo o país, ganha força neste ano com a abertura das primeiras janelas de declaração em diferentes estados. Embora o calendário varie conforme a unidade da Federação, a exigência já se consolidou como um dos principais instrumentos de controle sanitário da pecuária brasileira.

Em Goiás, a primeira etapa de 2026 ocorre entre 1º e 31 de maio, conforme cronograma da Agência Goiana de Defesa Agropecuária. O procedimento é obrigatório e exige que o produtor informe a situação atualizada dos animais na propriedade, incluindo nascimentos, mortes e movimentações.

A exigência, no entanto, não é isolada. Estados como Rio Grande do Sul já realizam a declaração entre abril e junho, enquanto Paraná segue calendário semelhante. No Centro-Oeste, modelos semestrais também são adotados, com etapas distribuídas ao longo do ano, como ocorre em Mato Grosso do Sul. Já em Mato Grosso e Rondônia, a atualização costuma ocorrer no fim do ano, concentrada entre novembro e dezembro.

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Apesar das diferenças de prazo, a lógica é a mesma em todo o país: manter um banco de dados atualizado sobre o rebanho nacional, permitindo resposta rápida a eventuais surtos sanitários e maior controle da movimentação animal.

Na prática, o produtor deve declarar todas as espécies existentes na propriedade — de bovinos e suínos a aves, equinos, ovinos, caprinos, abelhas e animais aquáticos — garantindo que o cadastro reflita a realidade atual da produção.

A medida ganhou ainda mais importância com o avanço do Brasil no status sanitário internacional, especialmente após a retirada gradual da vacinação contra febre aftosa em diversas regiões. Com menor margem para erro, a rastreabilidade e o controle do rebanho passaram a ser considerados essenciais para a manutenção de mercados e abertura de novos destinos para a carne brasileira.

Além da sanidade, os dados também são utilizados para orientar políticas públicas e planejamento do setor. Informações atualizadas permitem dimensionar com precisão o tamanho do rebanho, direcionar campanhas de controle de doenças e apoiar decisões comerciais.

O descumprimento da obrigação pode gerar penalidades, incluindo multas e restrições operacionais. Na prática, o produtor fica impedido de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento indispensável para transporte e comercialização, o que pode travar a atividade dentro da porteira.

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Com a digitalização dos sistemas, o processo tem migrado para plataformas online, o que amplia o acesso, mas também exige atenção redobrada do produtor quanto a prazos e regularidade cadastral.

Em um cenário de maior exigência sanitária e competitividade internacional, a declaração de rebanho deixou de ser apenas uma obrigação burocrática e passou a integrar a estratégia produtiva da pecuária brasileira — com impacto direto sobre a segurança do sistema e a capacidade de acesso a mercados.

Fonte: Pensar Agro

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