AGRONEGÓCIO

Guerra no Oriente Médio pressiona custos e aumenta os riscos para o agro brasileiro

Publicado em

O avanço da guerra no Oriente Médio (apesar do Trump ter “mandado” Iran e Israel pararem as hostilidades) traz riscos diretos e indiretos para o agronegócio brasileiro. Além da elevação nos custos de frete e transporte marítimo, o setor deve se preparar para possíveis atrasos na importação de insumos e na exportação de produtos. A recomendação, para todas as cadeias, é manter o planejamento ajustado, diversificar as estratégias comerciais e proteger as margens.

O cenário exige cautela, disciplina comercial e máxima atenção às oscilações do mercado global, que seguirá sensível a qualquer nova escalada do conflito.

O mercado da soja segue pressionado pela demanda internacional enfraquecida. Apesar de uma leve recuperação nos contratos futuros na última semana, os preços continuam voláteis. A valorização do óleo de soja no mercado externo — que já acumula alta de mais de 15% — se tornou um dos poucos suportes do complexo soja, compensando parcialmente a queda no farelo.

A pecuária mantém um cenário relativamente estável no mercado interno. O preço do boi gordo recuou 0,20% nos contratos futuros, mas o mercado físico se sustenta com alta de 2,61% no mês, apoiado por boa demanda doméstica. Mesmo assim, a recomendação é acompanhar de perto os desdobramentos no comércio internacional, já que o aumento dos custos logísticos pode afetar as exportações de carne no segundo semestre.

Leia Também:  Exportação nacional de café cai 5,3%, mas cooperativa de Minas Gerais bate recorde

O mercado de trigo também sente os reflexos da tensão externa. O preço físico segue pressionado pela ampla oferta global, especialmente da Rússia e dos Estados Unidos. No entanto, os custos de transporte tendem a subir, o que pode impactar diretamente a rentabilidade do produtor brasileiro, tanto no mercado interno quanto nas exportações.

O milho enfrenta um cenário de atenção redobrada. A colheita da segunda safra avança bem no Brasil, mas o período coincide com o pico da oferta nacional e, justamente, com um possível aumento nos custos de transporte marítimo.

Embora os contratos futuros tenham dado algum alívio no curto prazo, o avanço da safra norte-americana mantém pressão sobre os preços. A recomendação é avaliar cuidadosamente o momento de comercialização e não se expor totalmente em uma única janela de venda.

O algodão vive um cenário delicado. A colheita se aproxima, há expectativa de safra recorde, mas os preços seguem pressionados. A preocupação central recai sobre o aumento do frete internacional e os riscos logísticos associados ao conflito no Oriente Médio. Nesse contexto, antecipar negociações e travas futuras se torna uma estratégia recomendada.

Leia Também:  Mapa aprova registro de novos produtos para controle de pragas

O setor sucroenergético lida com margens apertadas. A pressão sobre os preços do açúcar, causada pelo excesso de oferta no mercado global, contrasta com um cenário mais positivo no etanol, impulsionado pela maior demanda internacional por biocombustíveis. Mesmo assim, os custos logísticos mais altos exigem atenção no planejamento financeiro e na adoção de instrumentos de proteção contra volatilidade.

O mercado de laranja é enfrenta queda nas cotações, tanto no mercado interno quanto nos contratos futuros do suco no exterior. As dificuldades logísticas e o risco de aumento dos custos de exportação colocam mais pressão sobre um setor que já opera com margens apertadas.

O café sente forte pressão. O arábica acumula queda de mais de 11% e o robusta de 12% nas últimas semanas, refletindo a expectativa de uma boa safra em 2025. Além dos preços mais baixos, o setor enfrenta os mesmos desafios logísticos, especialmente em relação ao frete marítimo, que deve continuar subindo se o conflito se prolongar.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Enquanto EUA anunciam tarifas, China abre mercado para a carne brasileira

Published

on

No mesmo momento em que os Estados Unidos ampliam as ameaças tarifárias contra produtos brasileiros, a China enviou um sinal na direção oposta. O governo chinês anunciou nesta terça-feira (02.05) o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, decisão que elimina as últimas restrições sanitárias sobre estados do Norte do país e abre caminho para ampliar as exportações de carne bovina e suína ao principal mercado consumidor do mundo.

A medida tem peso estratégico para o agronegócio brasileiro. A China é o maior comprador mundial de carne bovina e absorve mais da metade de toda a carne bovina exportada pelo Brasil. Apenas no primeiro trimestre deste ano, os chineses importaram quase R$ 16,5 bilhões em carnes brasileiras, demonstrando a dimensão do mercado para a pecuária nacional.

O reconhecimento encerra uma negociação que se arrastava há mais de duas décadas e uniformiza o status sanitário brasileiro perante as autoridades chinesas. Na prática, produtos que enfrentavam limitações em razão das restrições aplicadas a determinadas regiões do país passam a ter acesso ampliado ao mercado asiático. Entre os principais beneficiados estão carnes com osso, miúdos e outros produtos de maior valor agregado, segmentos que tradicionalmente encontram forte demanda na China.

Leia Também:  Governo do Piauí vai investir R$ 250 milhões na agricultura familiar

A decisão ocorre em um momento particularmente relevante para a pecuária nacional. Nos últimos meses, frigoríficos e exportadores brasileiros vinham buscando ampliar sua participação no mercado chinês, inclusive com pedidos de habilitação de novas plantas exportadoras e negociações para aumento de volumes embarcados.

A importância da China para o campo brasileiro vai muito além da pecuária. No ano passado, o país asiático comprou mais de R$ 275 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, mantendo-se com ampla folga como o principal destino das exportações do setor.

Para a pecuária, o anúncio representa uma vitória ainda mais significativa porque reforça a credibilidade sanitária brasileira justamente quando diversos países endurecem exigências para importação de proteínas animais. O reconhecimento chinês funciona como um aval à estrutura de vigilância sanitária e defesa agropecuária construída pelo Brasil ao longo dos últimos anos.

A sinalização também ganha relevância diante do cenário internacional. Enquanto Washington discute novas sobretaxas que podem atingir parte das exportações brasileiras, Pequim amplia o acesso para um mercado de mais de 1,4 bilhão de consumidores e reforça sua posição como principal destino da proteína animal produzida no Brasil. Para o setor pecuário, a mensagem é clara: se de um lado surgem barreiras comerciais, do outro o maior comprador de carne do planeta está abrindo ainda mais espaço para o produto brasileiro.

Leia Também:  PIB do agronegócio deve crescer 10,9% em 2023, segundo o Ipea

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA