AGRONEGÓCIO

IA dos EUA mapeia 97% das áreas agrícolas do Brasil e destaca força mundial do agronegócio

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euaO agronegócio brasileiro voltou a aparecer no centro das atenções internacionais após um estudo desenvolvido por universidades dos Estados Unidos apontar o Brasil como o país com melhor desempenho em um novo sistema global de mapeamento agrícola por inteligência artificial. A ferramenta, batizada de Fields of the World, conseguiu identificar cerca de 97% das áreas agrícolas brasileiras utilizadas na validação do modelo, índice considerado um dos mais altos do levantamento.

O trabalho utilizou imagens de satélite combinadas com aprendizado de máquina para criar o que os pesquisadores classificam como o mapa agrícola mais detalhado já produzido em escala global. Ao todo, foram identificados 1,55 bilhão de polígonos agrícolas — áreas delimitadas como campos de produção — em 241 países e territórios.

Na prática, o desempenho brasileiro chamou atenção porque o sistema conseguiu reconhecer com elevada precisão as áreas de produção espalhadas pelo país, desde grandes regiões agrícolas altamente mecanizadas até áreas com diferentes padrões produtivos. Segundo os autores, o indicador de “recall” de 0,97 mostra que praticamente todos os campos agrícolas usados como referência foram corretamente identificados pela inteligência artificial.

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O resultado reforça o peso do Brasil no cenário agrícola global justamente em um momento em que cresce a pressão internacional por rastreabilidade, monitoramento ambiental e transparência sobre cadeias produtivas. Dados espaciais mais precisos passaram a ser considerados estratégicos para comércio exterior, programas climáticos, certificações ambientais e políticas de segurança alimentar.

O estudo destaca que, até agora, não existia uma base agrícola global aberta e padronizada nesse nível de detalhamento. Embora estimativas apontem a existência de cerca de 570 milhões de fazendas no mundo, nunca havia sido realizado um mapeamento global capaz de dimensionar efetivamente os campos agrícolas em escala planetária.

Além de monitorar expansão agrícola e uso da terra, a nova ferramenta poderá ser usada para estimativas de produtividade, acompanhamento de safras, fiscalização ambiental, análise climática e planejamento agrícola. O sistema também deve ganhar relevância diante das exigências ambientais impostas por mercados compradores, especialmente na Europa.

Os pesquisadores reconhecem, porém, que o modelo ainda enfrenta limitações em regiões com agricultura muito fragmentada ou fora dos padrões predominantes utilizados no treinamento da inteligência artificial. Mesmo assim, o desempenho obtido no Brasil foi considerado um dos principais pontos fortes do projeto.

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O avanço tecnológico ocorre em um momento em que o agro brasileiro amplia o uso de agricultura de precisão, monitoramento remoto e inteligência de dados dentro das propriedades. Hoje, ferramentas baseadas em satélite já fazem parte da rotina de produtores para acompanhamento climático, manejo de solo, controle fitossanitário e planejamento operacional.

Com isso, o Brasil passa a ocupar posição estratégica não apenas como potência produtora de alimentos, fibras e energia renovável, mas também como referência global na integração entre agricultura e tecnologia digital.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio

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A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.

A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.

O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.

É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.

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O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.

O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.

Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.

Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.

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Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.

O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.

A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.

Fonte: Pensar Agro

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