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Natureza vira aliada e pode injetar R$ 4,2 bilhões no campo

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Uma pesquisa conduzida pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), revelou que recuperar a vegetação nativa ao redor das lavouras pode injetar até R$ 4,2 bilhões por ano no PIB agropecuário paulista.

O estudo, premiado nacionalmente, mostra que a simples presença de áreas verdes próximas às plantações aumenta a circulação de polinizadores — como abelhas — e, com isso, eleva a produtividade e a qualidade de grãos e frutas.

Segundo os pesquisadores, lavouras de soja, laranja e café seriam as mais beneficiadas, mas cultivos como manga, goiaba, abacate, tomate, feijão e amendoim também teriam ganhos significativos.

A ideia central do levantamento é clara: as matas nativas funcionam como abrigo e fonte de alimento para os polinizadores, que, ao encontrarem essas áreas preservadas ou restauradas, ampliam sua ação sobre as plantações ao redor. Isso se traduz em frutos maiores, grãos mais uniformes e colheitas mais abundantes, sem a necessidade de novos insumos.

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O estudo mapeou, com base em imagens e dados do uso da terra, regiões com potencial para aproveitar melhor o serviço ecológico da polinização. Mesmo áreas de agricultura extensiva, como as plantações de soja no Médio Paranapanema, poderiam melhorar seus índices produtivos com ações simples, como restaurar margens de rios ou recompor bordas de mata.

As conclusões já começaram a influenciar políticas públicas no estado. As recomendações técnicas do projeto foram incorporadas ao Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática, e a iniciativa recebeu o primeiro lugar no Prêmio MapBiomas 2025, uma das mais importantes premiações ambientais do país.

Os pesquisadores Rafael Chaves, da Semil, e Eduardo Moreira, da USP, conquistaram o 1º lugar no Prêmio MapBiomas 2025. O estudo reforça um caminho cada vez mais evidente: conservar e produzir não são metas opostas. Quando o meio ambiente é tratado como parte da engrenagem agrícola, o campo colhe mais, gasta menos e ainda garante renda com sustentabilidade.

Fonte: Pensar Agro

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Colheita do café chega a 84% apesar do atraso provocado pelo clima

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A colheita da safra brasileira de café chegou a 84% da produção estimada, mas está atrasada em relação aos anos anteriores. Em igual período de 2025, 94% do volume já havia sido retirado das lavouras. A média dos últimos cinco anos para esta época é de 90%. O avanço foi de seis pontos porcentuais em uma semana, favorecido pelo retorno do tempo seco às principais regiões produtoras.

O atraso está concentrado no café arábica, que representa a maior parte da produção de Minas Gerais. A colheita da variedade alcançou 77%, ante 91% no mesmo período do ano passado e média histórica de 85%.

No caso do canéfora, grupo que reúne conilon e robusta, os trabalhos estão praticamente concluídos. A colheita atingiu 99%, resultado semelhante ao de 2025 e ligeiramente superior à média de 98% dos últimos cinco anos.

Minas Gerais concentra a maior parte da produção brasileira de arábica e deverá colher 33,4 milhões de sacas de 60 quilos em 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa praticamente metade das 66,7 milhões de sacas previstas para o País.

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A estimativa mineira é 29,8% superior à da temporada anterior. O aumento foi favorecido pelo ciclo de bienalidade positiva dos cafezais e pelas condições climáticas registradas antes da floração e durante a formação dos grãos.

As chuvas fora de época, porém, prejudicaram a retirada do café das lavouras e a secagem nos terreiros. O excesso de umidade também aumentou a queda de frutos no solo, o que pode comprometer a qualidade de parte dos lotes e reduzir a disponibilidade de cafés de melhor bebida.

O problema atingiu principalmente áreas do Sul de Minas, maior região produtora de arábica do País. O tempo seco dos últimos dias permitiu a retomada dos trabalhos, mas não eliminou o atraso acumulado.

A entrada mais lenta do café novo mantém o mercado atento à oferta brasileira. Os estoques certificados na Bolsa de Nova York permanecem baixos, o que aumenta a reação das cotações a qualquer problema climático ou sinal de perda de qualidade.

A Conab estima que o Brasil produza 45,8 milhões de sacas de arábica em 2026, crescimento de 28% sobre o ano anterior. Para o canéfora, a previsão é de 20,9 milhões de sacas, alta de 0,8%.

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Nas próximas semanas, o produtor deverá concentrar esforços na conclusão da colheita e na secagem dos grãos. Em Minas Gerais, a qualidade dos lotes será decisiva para determinar quanto da safra maior conseguirá alcançar os mercados que pagam mais pelo café.

Fonte: Pensar Agro

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