A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) realiza, nesta quinta-feira (26.10), o “Dia D” de combate à violência contra a pessoa idosa. A ação faz parte da Operação Integrada Virtude, deflagrada em todo território nacional pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Em Mato Grosso, mais de 100 agentes da Polícia Militar, Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros estão empenhados desde o dia 2 de outubro em atividades educativas, preventivas e de fiscalização de denúncias contra idosos. As equipes também inspecionam prédios onde funcionam lares de idosos para averiguar as condições dos imóveis.
O coordenador de Planejamento e Monitoramento das Regiões Integradas (Coplam), da Sesp, tenente-coronel PM Marcus Vinicius Akira Sakata, destaca que neste Dia D, as forças de segurança intensificam as ações que já vem sendo realizadas desde o começo do mês.
“As forças de segurança atuam no combate a todos tipos de violência contra o idoso no dia a dia, como por exemplo física e psicológica. Neste mês e principalmente no Dia D, com apoio do Ministério da Justiça, ampliamos as ações e a integração para termos um alcance maior do pré ao pós-atendimento à pessoa idosa”, pontua.
Somente no mês de outubro, foram realizadas mais de 440 ações educativas e averiguadas aproximadamente 50 denúncias. Em uma delas, na cidade de General Carneiro (450 km de Cuiabá), um idoso de 91 anos, que estava vivendo em condições de vulnerabilidade física e patrimonial foi resgatado em ação da PM, PJC, Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e o Conselho do Idoso.
As equipes foram acionadas após uma denúncia anônima relatando que um idoso estaria vivendo em condições precárias. No local, a vítima contou que a filha de 55 anos e o genro de 39 estavam retendo seu cartão de benefício social e desviando os recursos para fins diferentes, deixando-o em estado de abandono e vulnerabilidade.
Enquanto a filha e o genro se aproveitavam do benefício do idoso, ele vivia desnutrido em um ambiente insalubre. A filha estava em viagem para Primavera do Leste e chegou na residência do pai no momento da ocorrência. Já o marido dela estava trabalhando em uma fazenda e as equipes detiveram o suspeito no local. Ambos foram presos e encaminhados para a Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos.
As denúncias de violações de direitos humanos podem ser feitas de forma anônima pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100), por meio do 190, ou disque denúncia da Polícia Militar 0800.065.3939 e disque denúncia da PJC, 197.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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