A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) lançou editais de licitação para executar mais três obras de asfaltamento em Mato Grosso, além da construção de uma ponte de concreto. Os trechos que serão asfaltados correspondem a 97,9 quilômetros de rodovias estaduais e o investimento previsto para a execução dessas obras é de R$ 196,5 milhões.
Um dos trechos que será licitado é a MT-403 no município de Campo Verde. Serão asfaltados 24,8 km da rodovia entre a BR-070 e a MT-251. O asfalto irá encurtar a distância entre as estradas em mais de 30 km, inclusive para os caminhões que não podem trafegar entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães pela MT-251.
A licitação está marcada para o dia 15 de abril, por meio do Sistema de Aquisições Governamentais. O valor de referência para a execução da obra é de R$ 35,2 milhões.
Outra rodovia que será asfaltada é a MT-461, entre os municípios de Pedra Preta e Itiquira. O trecho de 40,2 km vai diminuir a distância entre Itiquira e a BR-364, facilitando também o acesso entre a rodovia federal e o Terminal Ferroviário de Itiquira. Atualmente, há um trecho não pavimentado de 55 km entre Itiquira e a BR-364, distância que irá reduzir para menos de 15 km com essa obra.
Com um investimento previsto de R$ 73 milhões, a licitação desta obra será realizada no dia 7 de Abril, às 9h, por meio do Siag.
Um trecho de 32,9 km da MT-160 será asfaltado no município de Rosário Oeste. O trecho a que vai receber as obras parte da MT-246 em direção à BR-070. O investimento previsto na obra é de R$ 73,2 milhões, com licitação marcada para esta segunda-feira (31.03), às 14h, também pelo Sistema Siag.
Ponte sobre o Teles Pires
A Sinfra-MT ainda lançou uma licitação para construir uma ponte de concreto de 180 metros sobre o Rio Teles Pires na MT-240, entre os municípios de Paranatinga e Santa Rita do Trivelato. A nova ponte vai substituir uma estrutura de madeira que existe no local.
A contratação será feita de forma integrada, ou seja, a empresa que vencer o processo vai ser responsável pela elaboração do projeto executivo e pela execução da obra. O investimento previsto é de R$ 15 milhões.
A licitação está marcada para o dia 22 de maio, às 9h, sempre pelo Siag. Todas as informações sobre licitações podem ser encontradas no site da Sinfra-MT.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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